Campanha Nacional no BB: Movimento sindical reivindica abertura de concurso público e valorização dos funcionários

09/07/26

A Comissão de Empresa das Funcionárias e dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) se reuniu com os representantes do banco, nesta quarta-feira (8), na primeira rodada de negociações no âmbito da Campanha Nacional 2026, para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) do BB. Os principais pontos discutidos foram a defesa do emprego, a segurança bancária e o papel social do Banco do Brasil.

“Esse processo de descaracterização da função pública do BB se manifesta no esvaziamento das equipes, na reorganização e fechamento indireto de agências transformando-as em lojas, além da terceirização de serviços para correspondentes bancários — repassando a terceiros o atendimento que caberia legitimamente aos funcionários concursados”, destacou a diretora do Sindibancários/ES e integrante da CEBB, Nathalia Gallini.

Abertura de concursos públicos

Diante desse quadro, a categoria reafirmou a reivindicação pela abertura de concursos públicos, para garantir a qualidade do atendimento presencial e humanizado aos clientes e pela saúde mental da categoria.

Os membros da CEBB também destacaram que estão registrando, em todas as bases, agências em que clientes aguardam atendimento até mais de uma hora, por conta da insuficiência de funcionários para atendê-los. E reforçaram que a saída é a recomposição do corpo de funcionários via concurso público, com a garantia da continuidade do atendimento à população de regiões menos assistidas.

Avanços para os funcionários de bancos incorporados

Os trabalhadores reforçaram a reivindicação para que os colegas de bancos incorporados pelo BB (como Banco Nossa Caixa/BNC, Banco do Estado de Santa Catarina/Besc e Banco do Estado do Piauí/BEP) tenham os mesmos direitos previdenciários (Previ) e de saúde (Cassi) que os demais funcionários do banco público.

Segurança bancária

As mudanças estruturais, com prefixos sendo integrados e transformação de agências em lojas, estão resultando na retirada de mecanismos de segurança que antes eram tradicionais dos bancos: as portas giratórias e vigilantes.

“A remoção de vigilantes e portas giratórias nos novos formatos de atendimento é inaceitável. O argumento de que esses dispositivos prejudicam a “experiência do usuário” não se sustenta, pois, a segurança física deve preceder a estética e mesmo em locais sem dinheiro em espécie, a presença de segurança protege os funcionários e o público de episódios de violência”, afirmou a dirigente.

Escala 4×3

Os representantes dos trabalhadores do Banco do Brasil defenderam a escala 5×2 para todos os funcionários e que, ainda, que há espaço para a implementação da escala 4×3 (quatro dias de trabalho para três dias de descanso), respeitando a jornada diária de 6h.

“Propomos a modernização nas relações de trabalho. Pedimos a implementação da semana de 4 dias de trabalho por 3 de descanso, mantendo as 6 horas diárias. Há estudos do próprio banco demonstrando que a redução do tempo de trabalho atua diretamente no bem-estar psíquico dos funcionários, o que consequentemente levaria a um aumento de produtividade”, destacou Nathalia.

Incorporação das comissões

A CEBB também reivindicou a “incorporação das comissões”, garantindo assim que em caso de perda ou entrega do cargo de confiança o funcionário continue recebendo o valor da comissão. A reivindicação é que esse direito seja acompanhado da regra dos 10% a cada ano, ou seja, que uma fração de 10% da comissão seja incorporada à remuneração do funcionário a cada ano, até somar 100%.

Acúmulo e desvio de funções

O movimento sindical denunciou que em diversas agências estão sendo registrados trabalhadores realizando atividades que não são relacionados às suas funções de registro. Entre os exemplos, estão gerentes de serviços que acabam acumulando funções administrativas e negociais. E, ainda, de escriturários que acabam tendo que fechar e abrir caixas, sem o direito de receberem o adicional da função de caixa.

“Também formalizamos a denúncia sobre desvios e acúmulos ilegais de tarefas, com relatos de funcionários assumindo rotinas alheias aos seus cargos originais sem a devida compensação financeira. O cenário se retroalimenta: as vagas não preenchidas sobrecarregam as equipes e geram um efeito cascata que trava a carreira dos bancários, impedindo promoções e transferências devido ao desfalque permanente nos setores”, completou.

O banco respondeu que irá apurar os casos levados à mesa.

Pessoas com Deficiência (PCDs)

O movimento sindical reivindicou neste ponto que o banco derrube o limite de idade de filhos PCDs que necessitam de suporte.

“Outro ponto que cobramos foi a extinção do teto de idade (atualmente fixado em 14 anos) para o abono de faltas destinado a pais e mães de pessoas com deficiência. O argumento é humano e prático: o cuidado, o acompanhamento médico e as terapias de filhos PCDs são demandas permanentes que frequentemente se estendem por toda a vida adulta, tornando o limite atual obsoleto”, destacou a dirigente.

Essa reivindicação também inclui o pedido de jornada de trabalho reduzida aos funcionários que possuem como dependentes pessoas com deficiência, principalmente com deficiência intelectual, conforme art. 98 da Lei 8112/1990.

Reembolso de conselhos profissionais (OAB, CREA, etc.)

A categoria reivindica que o banco devolva o valor integral da anuidade paga por funcionários ligados às entidades regulamentadoras de profissões, a exemplo da OAB, CREA, CRM e CRP.

Agenda das próximas negociações

  • 17/07 – Igualdade de oportunidades, endividamento e monitoramento
  • 23/07 – Saúde e condições de trabalho
  • 31/07 – Remuneração e cláusulas econômicas

Manifesto em defesa do BB público

Antes de apresentarem as reivindicações, a CEBB iniciou o encontro entregando à representação da empresa um manifesto em defesa do Banco do Brasil como banco público e necessário para o desenvolvimento de todas as regiões do país.

Confira o manifesto na íntegra:

A seguir, o manifesto na íntegra:

Em defesa do Banco do Brasil, de suas funcionárias e funcionários e do desenvolvimento do Brasil

O Banco do Brasil não é apenas uma instituição financeira. É parte da história do Brasil.

Há mais de duzentos anos, o Banco do Brasil acompanha o crescimento do país, atravessa crises, participa das grandes transformações nacionais e ajuda a construir oportunidades onde o mercado, sozinho, jamais chegou. Sua existência se confunde com a própria construção do Estado brasileiro.

É justamente por conhecer essa história que afirmamos: o Banco do Brasil precisa retomar, com ainda mais força, o protagonismo de sua função pública e social.

O Brasil precisa de um Banco do Brasil que seja muito mais do que um banco lucrativo. Precisa de um banco que seja instrumento da política econômica nacional, capaz de estimular o desenvolvimento, ampliar o acesso ao crédito, fortalecer a produção, reduzir desigualdades e impulsionar a geração de emprego e renda.

Ao longo de sua história, o Banco do Brasil sempre cumpriu esse papel.

Foi parceiro do agricultor, do comerciante, da indústria, do pequeno empreendedor e dos municípios brasileiros. Foi o banco que levou desenvolvimento para onde nenhum outro quis chegar.

E continua sendo.

Quando se fala em agronegócio, é impossível ignorar a importância do Banco do Brasil. Se o agro costuma dizer que carrega o PIB nas costas, é justo lembrar que, há décadas, é o Banco do Brasil quem carrega o agro no colo, financiando safras, investimentos e garantindo crédito em todas as regiões do país.

Mas a missão do Banco do Brasil vai muito além disso.

Queremos um banco que continue apoiando o agronegócio, mas que volte a colocar a agricultura familiar no centro de sua atuação. São milhões de pequenos produtores responsáveis por grande parte dos alimentos que chegam diariamente à mesa dos brasileiros. Apoiar a agricultura familiar significa fortalecer a segurança alimentar, promover desenvolvimento regional e manter vivas milhares de pequenas comunidades espalhadas pelo país.

Queremos também um Banco do Brasil que amplie sua atuação junto aos micro, pequenos e médios empreendedores, oferecendo crédito acessível para quem produz, gera empregos e movimenta a economia real.

Queremos um Banco do Brasil capaz de impulsionar novamente a indústria nacional, oferecendo condições de financiamento tão competitivas quanto aquelas disponibilizadas ao setor agropecuário. O fortalecimento da indústria significa mais inovação, maior agregação de valor, empregos qualificados e desenvolvimento sustentável para o país.

É exatamente essa capacidade de utilizar o crédito como instrumento de desenvolvimento que diferencia um banco público de uma instituição preocupada exclusivamente com o lucro de curto prazo.

Da mesma forma, queremos um Banco do Brasil presente onde a população precisa dele.

Um banco que continue chegando às pequenas cidades, aos distritos, às comunidades rurais e às regiões mais distantes do país. Um banco que compreenda que sua capilaridade não representa um custo, mas uma das maiores riquezas construídas ao longo de mais de dois séculos de história.

Em centenas de municípios brasileiros, a agência do Banco do Brasil continua sendo muito mais do que um ponto de atendimento. É onde aposentados recebem seus benefícios, agricultores contratam crédito, pequenos empresários investem em seus negócios, servidores recebem seus salários e famílias inteiras têm acesso ao sistema financeiro.

Nenhuma inovação tecnológica pode substituir completamente essa presença onde ela continua sendo indispensável.

Mas existe um patrimônio ainda mais importante do que toda essa estrutura.

São as pessoas.

Nenhum resultado histórico, nenhum lucro bilionário e nenhuma transformação tecnológica teriam sido possíveis sem o compromisso, a dedicação e a competência das funcionárias e dos funcionários do Banco do Brasil.

Se o Banco do Brasil chega aos seus duzentos anos como uma das instituições mais respeitadas do país, isso não aconteceu por acaso.

Aconteceu porque, durante grande parte de sua história, o Banco do Brasil também foi referência na forma de tratar seus trabalhadores.

Queremos recuperar esse compromisso.

Queremos um Banco do Brasil que respeite seus funcionários, que valorize sua experiência, que reconheça seu trabalho e compreenda que cuidar das pessoas não é despesa: é investimento.

Queremos condições dignas de trabalho.

Queremos a recomposição do quadro de pessoal.

Queremos o fortalecimento da rede de atendimento.

Queremos o combate efetivo ao assédio moral e a todas as formas de violência no ambiente de trabalho.

Queremos salários compatíveis com a importância da categoria.

Queremos gestão responsável da saúde física e mental das trabalhadoras e trabalhadores.

Queremos uma CASSI fortalecida e políticas permanentes de promoção da saúde para as famílias que fazem o Banco do Brasil acontecer todos os dias.

Modernizar o banco é necessário.

Mas modernizar jamais poderá significar enfraquecer sua função pública, reduzir direitos, fechar agências indiscriminadamente, sobrecarregar equipes ou transformar seus trabalhadores em meros indicadores de desempenho.

O Banco do Brasil que queremos é moderno, eficiente e inovador.

Mas é, acima de tudo, público.

É um banco comprometido com o desenvolvimento nacional, com o fortalecimento da economia, com a inclusão financeira e com a redução das desigualdades.

É o Banco do Brasil que o povo brasileiro aprendeu a respeitar ao longo de mais de duzentos anos.

Nesta mesa de negociação reafirmamos uma convicção simples.

Defender os funcionários é defender o Banco do Brasil.

Defender o papel público do Banco do Brasil é defender o desenvolvimento do Brasil.

Porque o Banco do Brasil que queremos para os próximos duzentos anos é o mesmo que fez sua história: um banco público, presente, forte, humano, comprometido com o país e que trate suas trabalhadoras e trabalhadores com o respeito, a dignidade e o reconhecimento que sempre mereceram.
 

Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB)

Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT)

Fonte: Contraf com edições do Sindibancários/ES