O Sindicato dos Bancários/ES convocou uma plenária para esclarecer os desdobramentos do dissídio de greve julgado na tarde desta terça-feira no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Na Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) do TST, a greve dos empregados e empregadas da Caixa foi considerada legal. A sentença normativa também fixou reajuste salarial de 100% do INPC mais 0,6% para a categoria. A decisão terá validade de dois anos, com efeitos a partir de 1º de setembro de 2026 e vigência até 31 de agosto de 2028. O colegiado também determinou o retorno imediato dos empregados ao trabalho com o encerramento da greve. Na plenária, com base na decisão do TST, o Sindicato orientou os bancários e bancárias da Caixa da base capixaba pelo encerramento da greve. Até as 23h desta terça-feira, os trabalhadores votam em assembleia para decidir pelo encerramento ou a continuidade da greve.
No início da plenária, a categoria apresentou dúvidas sobre a sentença normativa do TST. Como a sentença ainda não foi publicada pelo TST, os dirigentes do Sindicato tentaram esclarecer as dúvidas com base nas declarações que o ministro-relator Maurício Godinho fez durante o julgamento.
As principais dúvidas estavam relacionadas ao Saúde Caixa e reposição dos dias de greve. Sobre o Saúde Caixa, o principal ponto de divergência entre a Caixa e os trabalhadores, o relator registrou que o relatório atuarial apresentado pela Caixa foi produzido no âmbito da própria empresa e teve suas premissas e conclusões contestadas pelas entidades sindicais.
O ministro decidiu manter as regras previstas na norma coletiva do ACT anterior, incorporando as cláusulas relativas à Saúde Caixa à decisão. Os valores previstos no plano deverão ser atualizados pelo mesmo índice do reajuste salarial (INPC + 0,6%), mantendo todas as demais regras, inclusive a mensalidade do titular no valor de 3,5% da remuneração. Entre os benefícios englobados estão mensalidades adicionais de dependentes, teto de renda dos beneficiários indiretos, coparticipação para consulta em pronto-socorro e teto de coparticipação.
Em relação à reposição dos dias parados, 14 dias úteis (somando esta terça-feira), segundo o ministro, ficou decidido que os empregados não serão descontados, mas poderão compensar em até 180 dias.
Avaliação da greve
Os dirigentes e os trabalhadores que participaram da plenária também fizeram uma avaliação da greve iniciada no dia 10 de setembro. O coordenador-geral do Sindicato, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), reforçou a importância da assembleia. Ele disse que a greve se inicia após a decisão soberana dos trabalhadores e trabalhadoras, e deve se encerrar da mesma forma. “Essa sempre foi uma concepção e prática deste Sindicato”. Carlão criticou a postura do presidente da Caixa, Carlos Vieira, que abandonou a mesa de negociação e recorreu à Justiça, ajuizando o dissídio. “O Sindicato repudia a postura de Carlos Vieira, que preferiu apelar para a Justiça em vez de manter a negociação”.
A dirigente Rita Lima lembrou que o Sindicato só conseguirá fazer uma avaliação completa da sentença normativa do TST depois que a decisão for publicada. Mas ela reconheceu que o desfecho foi negativo. “Fazer uma greve de 19 dias e sair sem um ACT é péssimo”. Ela ponderou, no entanto, que o saldo positivo foi a disposição para lutar dos empregados e empregadas. “Levantamos a cabeça e decidimos lutar. Não fomos derrotados pela negociação. Merecemos muitos parabéns porque não arredamos o pé e nos mantivemos firmes do começo ao fim”. Rita acrescentou ainda que durante todo o movimento grevista, o Sindicato sempre adotou uma posição de transparência e honestidade, informando a categoria em cima de fatos. “Neste momento, estamos sendo sinceros para afirmar que não vale a pena manter a greve após a decisão do TST”.
O dirigente Ronan Teixeira enalteceu a força e a tenacidade do movimento. “Foi uma campanha muito intensa e às vezes com uma alta carga emocional. Foi uma greve que nos mobilizou emocionalmente. Empregados mais antigos e mais novos ficaram surpreendidos com a força do movimento”. Ronan também repudiou a postura de Carlos Vieira e de toda a presidência da Caixa, que fugiram da mesa de negociação e apelaram para a Justiça. “Essas pessoas representam o desmonte da instituição. Nós, trabalhadores, somos a Caixa. Essa greve mostrou que a luta não termina aqui”.
“Entramos nesta greve juntos, e sairemos juntos”, disse o diretor André Tosta. “Chegamos até aqui com nossa dignidade, senso de organização e capacidade de luta. Este é um capítulo dessa batalha que não termina aqui. Estou na Caixa desde 2004 e nunca vi uma greve desta envergadura. Só tenho a agradecer aos empregados e às empregadas da Caixa”.
Carlão concluiu: “É uma campanha grevista que entra para a história da categoria bancária. Vocês mostraram que o caminho é a luta. A sentença normativa foi negativa, mas o saldo político da greve é enorme. Ficamos firmes, em pé, lutando por uma pauta legítima”.









