Nesta quinta-feira, 06, às 10h00, em reunião virtual, a Comissão de Negociação do Sindicato dos Bancários/ES, representando os bancários e as bancárias do Banestes, entregou ao banco a minuta aprovada no congresso dos banestianos no último dia 25. Na apresentação do documento, a Comissão destacou as seguintes reivindicações: fim das terceirizações; novas contrações (especialmente dos concursados de 2018) e regulamentação do teletrabalho.

Os representantes do banco receberam a minuta e prometeram avaliar as propostas dos banestianos. Foi agendada para a próxima terça-feira, 11, a primeira mesa de negociações. “Nesta primeira rodada devemos fechar as datas e os temas das próximas reuniões”, afirmou o coordenador geral do Sindicato, Jonas Freire, que completou: “Vamos para a mesa com a expectativa de que os representantes do Banestes tenham sensibilidade para entender o momento que atravessamos. Estamos em meio a uma crise sem precedentes que tem afetado, sobretudo, a classe trabalhadora”.

Ele assinalou que o banco vem acumulando bons resultados nos últimos anos. “O Banestes bateu recorde de lucro em 2019 [R$ 214 milhões] e no primeiro trimestre deste ano, mesmo com a pandemia, registrou lucro de R$ 83 milhões. O Banestes, como banco público e estadual, não pode pensar só no lucro. Precisa olhar também para dentro da instituição e assegurar os empregos e os direitos dos seus empregados”, sublinhou Jonas.

Fim das terceirizações

O dirigente apontou que o fim das terceirizações é um dos eixos centrais das negociações deste ano. Ele relembrou que Renato Casagrande, então candidato ao governo, assinou um termo com os banestianos se comprometendo a não privatizar o banco ou terceirizar suas atividades. “Mas o compromisso vem sendo quebrado pelo governador, que tem dado aval às terceirizações. Na minuta apresentada ao Banestes, pleiteamos que o processo de terceirização cesse imediatamente em setores como compensação, tesouraria, caixa rápido, home banking ou de qualquer outra atividade”, pontuou.

O fim da terceirização está diretamente relacionado à retomada das contratações. De acordo com o dirigente, o parágrafo segundo da cláusula sobre terceirização prevê que os setores já terceirizados sejam reassumidos pelo Banestes.“O fim da terceirização implica em novas contratações, via concurso, para essas áreas que o banco já entregou a terceiros, como a de tecnologia, por exemplo”. Jonas acrescenta que o quadro de empregados está defasado em várias áreas, sobrecarregando os bancários. “Os empregados estão cada vez mais pressionados para cumprir metas que chegam a ser desumanas. Isso adoece o trabalhador física e mentalmente. O Banestes precisa iniciar urgenteemente as contratações convocando os candidatos aprovados no concurso de 2018 e, em seguida, promover novos concursos”.

Teletrabalho

Jonas destaca também o teletrabalho ou home office como um tema urgente para ser tratado na mesa de negociações. Segundo o sindicalista, os representantes do Banestes reconheceram a importância do eixo e concordaram que o tema exige discussão aprofundada.

O isolamento social, como medida mais efetiva recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para conter a propagação do novo coronavírus, acabou tornando o teletrabalho uma necessidade para proteger a saúde dos empregados e seus familiares. “Tudo aconteceu de forma muita rápida. O teletrabalho vem sendo feito pelos empregados na base do sacrifício. Mas agora é preciso colocar a proposta sobre a mesa de negociações e garantir que o home office seja regulamentado. Nosso propósito, caso seja desejo do bancário, é defender e assegurar os direitos nessa nova modalidade de trabalho. Tudo tem de estar previsto em cláusula na Convenção Coletiva de Trabalho”, pontuou.

No congresso que aprovou a pauta específica no último dia 25, bancários e bancárias também endossaram o reajuste salarial de 5% mais inflação, além de destacarem a necessidade defender e solucionar o impasse da Banescaixa.

O dirigente afirmou ainda que a crise sanitária tem destacado a importância dos bancos públicos, especialmente para os segmentos mais vulneráveis da população. “Estamos vendo o quanto a Caixa e do Banco do Brasil têm sido essenciais para mitigar os impactos socioeconômicos da pandemia nacionalmente. Com o Banestes não tem sido diferente em nível local”.

Segundo ele, é justamente nas crises que a diferença entre os bancos públicos e privados fica evidente. “A defesa do Banestes público e estadual é uma bandeira que vai além da pauta de reivindicações da categoria. Esse não é um pleito somente dos bancários, mas de todos os capixabas que sabem a importância de mantermos um banco público e estadual forte a serviço da população”.