Nesta terça-feira, 25, durante cerimônia no Palácio do Planalto de lançamento no novo programa habitacional Casa Verde e Amarela, que substitui o Minha Casa, Minha Vida, o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, parecia ter incorporado um ator canastrão desses novelões mexicanos. Mostrando-se emocionado, ele tentou transmitir empatia com os empregados da Caixa. “Tenho uma dívida eterna com os funcionários da Caixa”, disse, fazendo menção ao esforço dos empregados que pagaram o auxílio emergencial em meio à pandemia.

Em seguida, ainda com a voz embargada, acrescentou que sentia “enorme orgulho dessa família”, mas uma vez se referindo aos funcionários. E completou: “Cada pessoa que a gente perde, são poucas, eu sinto como uma pessoa da família”.

Representando como um ator, Guimarães pode até ter impressionado os bajuladores de plantão que acompanhavam a cerimônia in loco ou mesmo a quem assistia ao vídeo pela TV ou internet. Entretanto, para os empregados da Caixa que estão acompanhando rodada a rodada a mesa de negociações com o banco, as “declarações de amor” de Pedro Guimarães devem ter sido interpretadas como uma ironia de mau gosto.

Longe convescote do Palácio do Planalto, as negociações sobre PLR e PLR Social, pauta central da 6ª rodada de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) com a Caixa, não avançaram na reunião dessa segunda-feira, 24. O banco alegou que vai aguardar a proposta da Fenaban no âmbito das negociações da Campanha Nacional e só depois se manifestar sobre a PLR. Com a pauta da PLR travada, a Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa) reivindicou o fim da abertura das agências aos sábados.

“Primeiramente, temos que registrar que a não apresentação de proposta de PLR é uma omissão desrespeitosa da Caixa. Falar na frente das câmeras que sente empatia pelos empregados da Caixa é fácil. A hora de reconhecer o esforço é agora, durante as negociações, quando as reivindicações dos empregados estão sobre a mesa”, criticou Rita Lima, diretora do Sindicato dos Bancários/ES, fazendo alusão à fala de Pedro Guimarães na cerimônia do Casa Verde e Amarela.

“A omissão na mesa de negociações demonstra o descaso da Caixa ao esforço dos seus empregados durante esses quase seis meses de pandemia. Na prática, bancárias e bancários estiveram o tempo todo arriscando suas vidas na linha de frente para honrar o compromisso social do banco, fazendo o auxílio emergencial chegar a milhões de pessoas, especialmente aos que mais necessitam. Mas estamos vendo, rodada após rodada de negociações, que esse esforço não está sendo reconhecido pela Caixa. Ao contrário, além de não assegurar a manutenção dos nossos direitos e conquistas, as propostas da Caixa são no sentido de retirá-los. Falar à claque que vai às cerimônias do Palácio do Planalto para rir, aplaudir e até chorar, é fácil. Quero ver levar essa mesma empatia solidária para as mesas de negociações”, disparou Lizandre Borges, também diretora do Sindicato, criticando as declarações de Guimarães.

Voltando ao mundo real, a dirigente destaca que a PLR Social, que é uma pauta específica dos empregados da Caixa, é uma conquista consolidada desde 2010. “É sempre importante lembrar que a PLR E PLR Social não são benefícios, mas conquistas da nossa luta”.

A PLR Social é a distribuição linear de 4% do lucro líquido a todos os empregados. Na Caixa, pelas regras atuais, é antecipado 50% do valor da PLR na primeira parcela (levando a projeção de lucro em consideração).

Sem acordo, a PLR deverá voltar à mesa de negociação entre CEE e Caixa na próxima quarta-feira, 26.

Abertura aos sábados

A CEE/Caixa cobrou também o fim da abertura das agências aos sábados e que haja o pagamento de remuneração ou compensação aos empregados que não marcam o ponto. A Comissão afirmou que o fim do trabalho aos sábados é uma demanda urgente dos empregados.

“Os empregados da Caixa estão extenuados. Afinal, são quase seis meses sob a forte tensão de ficar cara a cara com o vírus. São horas e horas de um trabalho exaustivo do ponto de vista físico e altamente estressante. Muitos empregados da Caixa contraíram a covid-19 e alguns, lamentavelmente, perderam suas vidas trabalhando. Os que passaram ilesos à covid não escaparam da pressão do dia a dia. Certamente, muitos já estão doentes e ainda nem tiveram tempo de notar. Todo esse estresse vai deixar sequelas que se manifestaram mais à frente em diversas doenças”, assinala Lizandre, que acrescentou: “Já passou da hora de a Caixa interromper o trabalho aos sábados para aliviar um pouco essa pressão. Não há mais demanda que justifique manter a abertura e tampouco energia por parte dos empregados”.

Na mesa, os representantes da Caixa se comprometeram em reavaliar a demanda da abertura aos sábados e o pagamento de remuneração ou compensação aos empregados que não marcam o ponto.