Dirigentes do Sindicato dos Bancários/ES se reuniram com os representantes do Banestes para mais uma rodada de negociações da Campanha Salarial 2026. Na rodada desta sexta-feira (31), foram retomadas as pautas relacionadas ao eixo “cláusulas econômicas”. Os dirigentes apontaram que as perdas salariais históricas (cerca de 33%), pauta debatida na última reunião, causam impactos diretos em outras remunerações salariais. O Sindicato chamou a atenção para as defasagens do Banestes em relação ao Adicional por Tempo de Serviço (ATS), à gratificação de função e às comissões. A representação dos trabalhadores também pleiteou reajustes nos valores dos vales Alimentação/refeição (VA/VR) e os auxílios babá e moradia . O Sindicato também voltou a cobrar, a exemplo da campanha salarial de 2024, o pagamento linear da Remuneração Estratégica Variável (REV), como forma de garantir maior equidade com os empregados que ganham menos.
Antes de entrar na pauta específica da reunião, o coordenador-geral do Sindicato e integrante do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), cobrou dos interlocutores do Banestes um retorno sobre o processo de seleção interna. Na última reunião, a comissão de negociação do Banestes prometeu apresentar uma posição da diretoria sobre o pleito do Sindicato de manter a seleção dentro do que estabelece o Acordo Coletivo de Trabalho em vigor.
A superintendente Jurídica do Banestes, Juliana Costa Souza de Almeida, que coordena a comissão de negociação do Banestes, informou que ainda não tinha uma resposta. Ela afirmou que a diretoria ainda está discutindo a demanda apresentada pelo Sindicato e deve apresentar uma resposta da direção do banco na próxima reunião de negociação.
ATS
O Adicional por Tempo de Serviço (ATS) foi apontado pelos dirigentes como uma das verbas salariais defasadas em relação a outros bancos públicos estaduais (veja tabela comparativa abaixo). O diretor Fabrício Coelho afirmou que o Banestes deve fazer um estudo do mercado para promover a equiparação com outros bancos públicos, que são usados pelo Sindicato como referência na discussão de defasagem salarial e outras verbas remuneratórias.

Na minuta, os bancários e bancárias reivindicam que o ATS passe dos atuais R$ 50,72 para R$ 120,00. Fabrício ponderou que esse valor corresponde aproximadamente à média dos outros bancos, que é de R$ 114,56.
VA/VR
O dirigente também afirmou que os vales refeição e alimentação precisam ser reajustados para recuperar parte do poder de compra dos bancários. A minuta pleiteia que cada um dos tíquetes tenha valor equivalente a um salário mínimo (R$ 1.621,00). Somados, o VA/VR totalizaram R$ 3.242,00 na minuta de reivindicações. A proposta também estende o benefício a aposentados e pensionistas.
Carlão sublinhou que o reajuste reivindicado é necessário para devolver o poder de compra ao banestiano. “O Dieese fez um estudo e constatou que os vales alimentação e refeição precisariam ser reajustados em pelos 40% para repor as perdas dos últimos 10 anos”. O dirigente destacou ainda que a alta rentabilidade que o Banestes vem registrando nos últimos dez anos, permite ao banco recompor as perdas dos trabalhadores.
Renata Resende completou que há muito tempo os valores do VA/VR já não são mais suficientes para cobrir as despesas do mês. “Bem antes de encerrar o mês, o vale já acabou”.
O dirigente Marcelo Giacomin ressaltou a importância de o Banestes compensar as perdas históricas dos banestianos. Ele apontou que o reajuste no VA/VR também é um caminho para começar a mitigar essas perdas. “Em relação ao ATS, esperamos que o banco reconheça essa grande defasagem que é flagrante na comparação com outros bancos públicos estaduais”.
Auxílio creche/babá
De acordo com a minuta aprovada pelos banestianos, o banco deverá reembolsar aos seus empregados o valor mensal de R$ 1.621,00 para cada filho, até a idade de 71 meses, as despesas mensais com creches. Reembolsará, também, no mesmo valor, as despesas efetuadas com o pagamento da empregada doméstica/babá.
Vanessa Espindula acrescentou, citando a minuta, que o banco não exigirá dos empregados beneficiados qualquer tipo de comprovação das despesas efetuadas. A dirigente do Sindicato lembrou que anteriormente o Banestes cobrava as informações de comprovação para a manutenção do benefício semestralmente, mas que de um tempo para cá essa prestação de contas passou a ser mensal. Ela explicou que essa demanda de comprovação aparece entre uma série de afazeres do dia a dia e dificulta ainda mais a vida das trabalhadoras.
Sobre a proposta de extinguir as exigências de comprovação das despesas com creche/babá, o assessor jurídico do Sindicato André Moreira apontou que a Caixa Econômica já adota o modelo. O advogado afirmou que a Cláusula 14 do acordo específico da Caixa determina textualmente que é “dispensada a comprovação dos gastos”. Segundo Moreira, o pagamento ocorre de forma direta para o custeio dentro do Programa de Assistência à Infância (PAI), criado pela própria Caixa para atender à demanda dos bancários.
Incorporação de gratificação de função
Sobre a gratificação da função, Marcelo afirmou que à medida que o bancário vai evoluindo na carreira, começa a construir um padrão de vida mais elevado. Entretanto, pelas regras atuais, os trabalhadores podem perder o comissionamento de uma hora para outra e ter um retrocesso salarial. “Com a perda significativa de parte da renda, seu padrão de vida fica ameaçado. O atendimento dessa reivindicação irá garantir a incorporação integral da gratificação de função aos empregados que as tenham exercido, por período igual ou superior a 12 meses contínuos ou não dentro de um período de 30 meses, e sejam dispensados da função”. O dirigente acrescentou ainda que a proposta da minuta garante que o empregado receba 20% ao ano sobre a sua gratificação de função a título de incorporação.
REV
A Remuneração Estratégica Variável (REV) é um pleito recorrente de outras campanhas. Em sintonia com a demanda da categoria, a minuta propõe a REV linear como um meio de promover maior justiça entre os empregados na distribuição dos resultados do banco. Fabrício ressaltou que esse viés social garantiria a distribuição mais equânime da REV. Ele lembrou que o trabalho bancário é coletivo e a linearidade seria o modelo mais justo a ser adotado. O dirigente também falou sobre a necessidade de a REV ser mais transparente, se referindo à meta orçada que é estabelecida pelo banco, que irá definir uma REV maior ou menor para o bancário.
Sobre a transparência, Vanessa afirmou que há uma pergunta recorrente da base sobre os critérios adotados pelo banco para definir a meta orçada. “Como podemos ter acesso ao valor orçado da meta”, questionou.
Os representantes do banco responderam suspeitar que há um impedimento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para a publicação dessa informação. Juliana ficou de checar a informação e dar um retorno ao Sindicato.
Equiparação de salários e comissões
A discussão da Cláusula 26 da minuta provocou um amplo debate na mesa. Mais uma vez, os representantes do Sindicato insistiram que as perdas históricas dos banestianos ficam evidentes quando as médias salariais e gratificações são comparadas. Marcelo destacou os salários dos Analistas de Tecnologia de Informação e dos Analistas Econômico Financeiro do Banestes e os comparou aos dos empregados de outros bancos públicos que ocupam função similar.
A partir das remunerações pagas pelos bancos públicos estaduais, extraídas das informações públicas dos sites do Banrisul, BRB e Banpará, fica patente as diferenças salariais e de gratificação/comissão em relação ao Banestes.
O quadro abaixo traz as médias salariais (brutas) dos empregados do BRB, Banrisul e Banpará e as compara com o valor da remuneração paga pelo Banestes. Importante esclarecer: como o Banestes, ao contrário dos outros bancos públicos, se recusa a abrir os dados nominais da remuneração dos seus empregados, não é possível fazer uma média salarial das remunerações dos banestianos. A única informação aberta no site do Banestes é o valor da remuneração genérica de cada uma das funções e a gratificação das funções.











