Rita Lima fala no ato organizado pelas centrais sindicais – Foto: Sérgio Cardoso

Trabalhadores de diversas categorias, autônomos e desempregados reuniram-se na Praça José Luiz Gobbi, Portal do Príncipe, em frente à Rodoviária de Vitória, nesta segunda-feira, para celebrar o 1º de Maio, Dia do Trabalhador. O ato político unificado com o tema “Emprego, Direitos, Renda e Democracia” foi organizado pela centrais sindicais Intersindical, CUT, UGT, CTB, NCST e Pública. A manhã teve também atividades culturais – Coral Serenata de Favela, grupo Fuscalhaços e Samba Itinerante –  recreação infantil, além de serviços na área trabalhista prestados por servidores do Ministério do Trabalho.

“Hoje é um dia de luta internacional, a gente vem celebrar conquistas e cobrar o que ainda falta avançar. Queremos que os governos Lula e Casagrande cumpram com suas promessas”, afirmou Rita Lima, coordenadora-geral do Sindibancários/ES e dirigente da Intersindical, referindo-se ao presidente da República e ao governador Renato Casagrande.

Ela destacou que ontem o presidente Lula anunciou a valorização do salário mínimo e o reajuste na tabela do imposto de renda, mas nos últimos períodos, principalmente no governo anterior, os direitos dos trabalhadores “foram por água abaixo” com a reforma sindical, a reforma da Previdência e com a lei das terceirizações. “Hoje temos mais da metade da classe trabalhadora na informalidade, na precariedade; e a maioria dos que trabalham estão adoecidos porque não têm segurança para o dia seguinte”, afirmou ressaltando a necessidade de revogação da reforma trabalhista.

Rita Lima salientou a incerteza para a juventude, com o alto índice de desemprego. Falou, ainda, do consequente aumento das populações em situação de rua. “Nós, que ainda temos emprego com carteira assinada temos que fazer a luta. Exigir que as mudanças prometidas venham”, afirmou ela lembrando que a alta taxa de juros que está em vigor hoje no Brasil não faz a economia girar.

O diretor do Sindibancários/ES Claudio Merçon (Cacau) também criticou a taxa básica de juros em 13,75% lembrando que essa é uma luta antiga da categoria. “É urgente a redução da Selic, pois com os juros altos o investidor não vai aplicar no seu negócio, vai investir na bolsa de valores. A especulação não gera emprego”.

Cacau destacou, ainda, que este 1º de Maio marca o início de um novo tempo para a classe trabalhadora depois de um governo marcado por retirada de direitos e uma política fascista que se instalou no país. “Derrotamos esse projeto nas urnas, mas ainda temos que derrotá-lo nas ruas, nas redes sociais, pois ainda está por aí”, afirmou.

Bancários

O Sindibancários/ES levou para a praça faixas da campanha Menos Metas, Mais Saúde, denunciando o assédio moral e a cobrança abusiva que têm sido prática nos bancos, e também material cobrando a redução da taxa básica de juros e o fim da independência do Banco Central.

“Não podemos naturalizar o adoecimento dos bancários. Trabalho tem que ser promessa de vida. Os bancos não podem ter lucros exorbitantes sugando a saúde da categoria. Por isso estamos nas ruas com essa campanha. É por respeito, saúde e menos pressão no trabalho”, afirma o diretor do Sindicato Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que integra o Comando Nacional dos Bancários.

Na informalidade

Wilson: mato um leão por dia

Wilson Amâncio Caires, 50 anos, estava a trabalho no ato. Enquanto ouvia os discursos, vendia balões para as crianças que ali estavam. O cotidiano dele é nas ruas. Há dez anos trabalha na informalidade, com vendas de balões, balas, doces, água e outros produtos.

“Carteira assinada tive no passado, devido ao desemprego passei a ser autônomo. Vou vivendo um dia após o outro. Saio às 6 horas da manhã e não tenho hora para chegar. Mato um leão por dia. Dá para sobreviver. Já tentei emprego de carteira assinada, mas está muito difícil. Seria melhor se tivesse, principalmente devido à contribuição do INSS. Mas está melhorando”, conta ele.

Com o que ganha nas vendas, ele paga aluguel, plano de saúde e alimentação dele e dos dois filhos. Sobre expectativa de aposentadoria, ele responde: “Quase zero! Paguei como autônomo por três anos, depois não deu mais. Tenho poucos anos de contribuição, e já estou com 50 anos. Preferi pagar o plano de saúde”.

Terceirizado

Quem também faz contas todo dia para saber o que dá para pagar é o terceirizado do setor portuário de 61 anos, cuja identidade será preservada para que ele não sofra represálias do empregador.

Ao mesmo tempo em que “agradece a Deus” por estar empregado, ele se ressente de não ser reconhecido como deveria no seu serviço. Isso porque, como terceirizado, não tem – nem terá, na aposentadoria – os mesmos direitos dos portuários que trabalham ao seu lado fazendo o mesmo serviço.

“Não somos reconhecidos como portuários, fazemos o mesmo trabalho no porão, a bordo e em terra que o pessoal do Ogmo [Orgãos de Gestão de Mão de Obra do Trabalho Portuário Avulso], mas somos terceirizados. As autoridades competentes deveriam reconhecer, pagar um salário decente para gente sobreviver. Na carteira temos um salário simbólico para manter os encargos trabalhistas, mas só ganhamos por período trabalhado, só se tiver serviço. É como se a gente fosse um avulso terceirizado”, explica a difícil manobra que a empresa faz para pagar menos.