(Da esq./dir.) – Comissão Banestes: Marcio Amorim Campos Bomfim, Benê, Daiany Martins Bello, Alexandre Carlquist. Comissão Sindicato: Jonas Freire, Vanessa Espíndula e Marcelo Giacomin.

A comissão de negociação do Sindicato dos Bancários/ES se reuniu com os representantes do Banestes para a segunda rodada de negociações das reivindicações específicas dos banestianos. A reunião da manhã dessa quarta-feira (10) tratou de dois temas centrais: Plano de Cargos e Salários (PCS) e Banescaixa. Na avaliação da comissão, a reunião foi positiva. “Acho que o diálogo avançou. O banco nos ouviu e podemos colocar sobre a mesa os principais problemas que envolvem esses dois temas. Estamos otimistas de que o banco tenha entendido com clareza nossas reivindicações. Capacidade, inclusive financeira, de atendê-las, sabemos que o Banestes tem. Vamos em frente. É importante reforçar que a cada rodada a mobilização e o engajamento da categoria se apropriando das pautas são essenciais para que tenhamos mais força nas negociações. É com a luta que conquistaremos nossas reivindicações”, enfatizou a dirigente do Sindibancários/ES Vanessa Espíndula.

COM FOCO NA SAÚDE, COMISSÃO FAZ 1ª RODADA DE NEGOCIAÇÃO COM BANESTES

O PCS foi o tema que abriu a reunião. Jonas Freire, que integrou a comissão ao lado de Vanessa e Marcelo Giacomin, disse que o plano de carreira é uma reivindicação histórica que envolve todos os empregados do Banestes: do técnico bancário ao gerente. “O Plano Salto, uma década atrás, esboçou criar um plano de carreira para os banestianos, mas infelizmente a proposta nunca saiu do papel. Temos uma defasagem salarial em quase todas as funções”, apontou. Marcelo Giacomin lembrou que no evento corporativo do Banestes, Encontro de Gigantes, em 2022, Alcio de Araújo, diretor de Administração do Banestes, informou aos funcionários que o banco estava prestes a implementar um PCS. “Mas essa proposta também ficou só na promessa, frustrando mais uma vez os empregados”, assinalou.

O gerente-geral de Recursos Humanos, Alexandre Carlquist, que coordenou a reunião pelo Banestes, reconheceu que os planos de carreira de fato não avançaram, mas informou que há um estudo em andamento. “Foi feita uma conversa com o Alcio e estamos estudando uma nova ideia. Qualquer plano de cargos e salários não resolve o problema. Resolve por um tempo, mas depois vão aparecer outros problemas. Esses problemas só aparecem na execução. Pensamos em atender aquilo que as pessoas estão pedindo. Mas temos muitos desafios e não são simples. Estamos na fase de definir um caminho a seguir. Temos que garantir uma equidade para satisfazer aos anseios de todos”. Carlquist ponderou, porém, que não tem um prazo definido para implantar um novo plano de carreira. “Prazo para dar a vocês eu não tenho. Porque esse é um assunto de muita responsabilidade. Essa matéria é muito grande. Tem investimentos financeiros em cima disso”. 

Valorização
Vanessa afirmou que o PCS valoriza o empregado porque oferece promoção e formação. “Hoje o empregado só tem duas formas de ascender dentro do Banestes: através do processo de seleção interna, que lhe permite concorrer a alguma função comissionada ou ser escolhido pelo banco para assumir uma vaga de gerente ou coordenador. Essa segunda, aliás, não depende dele. Um PCS bem estruturado pode oferecer possibilidade de formação e promoção, inclusive financeira”, pontuou. 

A dirigente citou a recente entrevista que o diretor-presidente do Banestes, Amarildo Casagrande, deu ao jornal A Tribuna (07/07/2024). Amarildo fez questão de valorizar os empregados do Banestes. Disse que o trunfo do banco são seus funcionários. “É um importante reconhecimento. Mas não adianta só falar, esse reconhecimento precisa acontecer na prática”, afirmou Vanessa. Jonas completou: “Os funcionários e funcionárias do Banestes constroem o banco. O Banestes superou a Caixa Econômica e assumiu a liderança no crédito imobiliário. Esses resultados são os empregados que fazem. Um plano de cargos e salários que verdadeiramente valorize o banestiano é uma maneira de reconhecimento, sublinhou Jonas. 

Processo seletivo
Vanessa registrou aos representantes do Banestes que os empregados hoje que conquistam função por meio do processo seletivo muitas vezes não estão preparados tecnicamente para assumir os cargos. “Já na função, o empregado passa a ser pressionado para entregar resultados imediatos. A pressão excessiva, muitas vezes, leva o empregado ao adoecimento, sobretudo o mental. A saúde do trabalhador preocupa muito o Sindicato. Se houvesse um plano de cargos e salários talvez esse trabalhador iria optar por buscar uma vaga mais identificada com o seu perfil, em vez de arriscar um processo de seleção interna, que acaba sendo a única saída para ganhar mais. Quando essa adaptação não ocorre, o empregado pode perder a função de uma hora para outra. Novamente, o PCS poderia sanar esses problemas e trazer valorização para o trabalhador”. 

Marcelo Giacomin ressaltou que o PCS deve ser discutido obrigatoriamente em conjunto com o Sindicato e a categoria. Carlquist garantiu que o plano em estudo, quando estiver concluído, será submetido ao Sindicato e aos banestianos. “Temos como apresentar uma proposta para o debate. Vamos fazer um processo transparente. Mas ainda não temos esse projeto para apresentar a vocês”, afirmou o gerente-geral.

PCS no ACT
A partir do aceno positivo do banco em apresentar uma proposta de um PCS para discussão, a dirigente Vanessa pleiteou que o compromisso fosse consignado como cláusula do Acordo Coletivo de Trabalho que está sendo negociado com o banco. Ela enfatizou que a proposta de criação de um plano de carreira corresponde à Cláusula quinta da minuta dos empregados que está em negociação com o Banestes. O gerente-geral disse que não poderia se comprometer em incluir o PCS no Acordo Coletivo. Ele disse que levaria a demanda para a diretoria e daria um retorno à comissão. 

Sindicato cobra dados da Banescaixa
Na explanação inicial sobre o segundo ponto de pauta, os integrantes da comissão fizeram um apontamento dos principais problemas da Banescaixa. Jonas destacou a dificuldade dos aposentados em se manter no plano. Com base no Relatório de Administração da Banescaixa, Jonas apontou que entre 2022 e 2023 houve queda de 3,3% no número de aposentados. Eram 2.685 em dezembro de 2022 e passaram a ser 2.594 um ano depois. Ao todo, o plano tem (dez.2023) 9.403 beneficiários. 

O superintendente da Banescaixa, Benedito de Jesus Pimentel (Benê), afirmou que as reclamações da comissão estavam focadas na saída dos aposentados, que ele admitiu que era um fato. “Tem realmente aposentado que não consegue pagar, mas eu não tenho o que fazer como administrador do plano. “O funcionário não se prepara para lá na frente na aposentadoria, e não consegue pagar o plano”, argumentou Benê, transferindo a responsabilidade de não conseguir manter o plano para um problema de planejamento dos aposentados.

Vanessa rebateu: “Vocês sempre tentam transferir os problemas da Banescaixa para o associado. O plano deveria subsidiar a mensalidade dos aposentados. Eu não quero fazer uma poupança agora para garantir meu plano de saúde no futuro. O mínimo que o banco deve fazer é garantir o plano de saúde para aqueles que dedicaram 35 a 40 anos de trabalho à instituição”.  

Ante a crítica da comissão, Benê revelou que a Banescaixa está estudando um novo plano modelado para os aposentados. “Estamos pensando nessa possibilidade”. Ele disse que esse é ainda um trabalho informal. “Vamos tentar construir juntos”, acrescentou. 

Grupo de Trabalho
Outro ponto cobrado pela comissão foi a instalação efetiva do Grupo de Trabalho (GT) para discutir a Banescaixa. Jonas lembrou que a criação do GT apareceu pela primeira vez no Acordo Coletivo de 2016. “É muito tempo, não é? Até hoje o GT não andou de fato. Tivemos apenas uma reunião este ano e parou novamente”. 

Na única reunião mencionada por Jonas, Vanessa recordou que o Sindicato contou com a presença de uma empresa de consultoria (Ícone) que pediu informações técnicas sobre o plano para poder fazer uma avaliação para o Sindicato. “Estamos até agora aguardando que a Banescaixa forneça os dados para que a consultoria possa iniciar os estudos e nós possamos entender os gargalos do plano”, assinalou Vanessa. 

O superintendente da Banescaixa alegou que algumas informações sobre os associados do plano são protegidas pela lei de dados (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), Lei nº 13.709, de agosto de 2018). Vanessa rebateu o argumento. Ela disse que essa questão já havia sido discutida na reunião do GT e a consultoria garantiu que os dados analisados não iriam ferir a lei. A dirigente acrescentou ainda que ficou acordado na reunião que a consultoria entraria em contato direto com a empresa atuarial que presta serviço à Banescaixa para fornecer as informações. “A consultoria chegou a fazer o pedido formal desses dados à empresa atuarial, mas não houve retorno”. 

Marcelo afirmou que é preciso buscar soluções para a Banescaixa. “Considerando a taxa de sinistralidade de 85% da Banescaixa, conforme informou Benê, significa que o plano está operando no limite”. Segundo a Agência Nacional de Saúde (ANS), no primeiro trimestre de 2024, a média nacional de sinistralidade ficou em 82,5%. A sinistralidade é o principal indicador para se avaliar o desempenho das operadoras médico-hospitalares. No caso da Banescaixa, significa que 85% das receitas advindas das mensalidades foram utilizadas com as despesas assistenciais”.

“O trabalho da consultoria é essencial para entendermos onde estão os principais problemas no plano. Somente a partir desses dados será possível fazer essa análise e apontar caminhos para a Banescaixa”, salientou. Marcelo acrescentou que a cobrança da comissão é com o patrocinador do plano de saúde. “Estamos pedindo os dados à Banescaixa para poder cobrar do banco, porque, afinal, as soluções têm de partir do patrocinador”. 

Benê ficou de refazer a ponte entre a consultoria e a empresa atuarial para entender quais dados foram pedidos e a viabilidade de fornecê-los.

Próxima rodada de negociações do ACT 2024/2026 acontece na quarta-feira (17). O tema será saúde novamente, dando continuidade a mesa inicial.