Negociação com a Fenaban: categoria bancária cobra aumento real e reposta para a pauta de saúde

31/07/2026 13:05

Comando exige valorização nos salários, PLR, VA/VR, no piso da categoria e que Fenaban traga propostas às reivindicações na próxima rodada

Nesta quinta-feira (30), o Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários apresentou à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) as reivindicações específicas sobre as cláusulas econômicas, ou seja, por aumento real nos salários, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), vales refeição e alimentação, entre outros itens relacionados à remuneração.

A negociação se estendeu ao longo do dia devido à intransigência da Fenaban, que ao dar retorno sobre as reivindicações de saúde apresentou propostas que atacam o direito dos bancários e das bancárias referente à complementação de benefício por incapacidade temporária, previsto na Cláusula 29 da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

Cláusulas econômicas

Em 2025, os cinco maiores bancos lucraram, juntos, R$ 124 bilhões. No mesmo ano, o patrimônio líquido do setor bancário atingiu o montante de R$ 1,2 trilhão, valor 25 vezes maior do que a soma do patrimônio líquido dos setores eletroeletrônica e mecânica (R$ 48 bilhões), que ocupam os primeiros lugares no ranking dos mais rentáveis do país.

Além disso, a rentabilidade média dos bancos, a partir do período pós-pandemia, ficou em média 2,3 vezes acima da taxa básica de juros do Brasil (Selic), reconhecida como a mais elevada do mundo, e 3 vezes acima da inflação.

“Pautamos a importância e a necessidade de ter um aumento real acima da inflação, de uma PLR superior, que seja pelo menos 15% do lucro líquido que seja distribuída. O balanço financeiro dos bancos deixa mais que evidente a alta capacidade que eles têm de atender nossas reivindicações por valorização salarial”, aponta o coordenador-geral do Sindibancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que integra o Comando Nacional da categoria.

Dados levantados pelo Dieese mostram que:

– Os vales alimentação e refeição vem acumulando perdas nos últimos anos, sendo -13% no VA, entre 2019 e 2025, e -3,7% no VR, entre 2023 e 2025. É necessário um reajuste de 40% no valor atual do vale alimentação para garantir que o benefício tenha o mesmo poder de compra que em setembro de 2019. O vale alimentação passaria de R$ 924,47 para R$ 1293,73.

“Com a inflação dos alimentos, o custo de vida está alto, por isso reivindicamos um percentual maior de reajuste dos Vales Refeição e Alimentação”, defendeu Carlão.

– Redução com despesas de pessoal: Desde 2016, as despesas dos bancos com a folha de pagamento (salário, PLR, VA/VR e outros itens de remuneração) caíram 7%.

 Distribuição cada vez menor de PLR: apesar de a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria determinar que os bancos distribuam até 15% de seus lucros, em 2025, somente a Caixa alcançou esse percentual, e o Banco do Brasil se aproximou, com 11%.

Além disso, de 1995 para 2025, os três maiores bancos privados reduziram o percentual de distribuição do lucro, a título de PLR, de dois dígitos para, em média, 5,9%.

– Adoção de um piso para os trabalhadores em TI e, para as funções de entrada na categoria em geral, o “Salário Mínimo Necessário do Dieese” (R$ 7.999,44).

Aumento real é prioridade para categoria

A Consulta Nacional dos Bancários, deste ano, registrou que o aumento real nos salários é prioridade para 93% da categoria, seguido do aumento da PLR, com 63%, e do reajuste maior no vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA), com 51%.

“É com a exploração do trabalho dos bancários e bancárias que os bancos seguem com alta lucratividade. Então é fundamental que as bancárias e os bancários fiquem atentos e acompanhem as negociações. Seguimos juntos  nessa luta em defesa da dignidade e por condições econômicas para todos os bancários e as bancárias”, destaca Carlão.

Fenaban adia respostas

Após ouvir os dados apresentados pela representação dos bancários e as reivindicações sobre as cláusulas econômcias, a Fenaban informou que irá analisar as propostas apresentadas pelo Comando Nacional dos Bancários e apresentar um retorno nas próximas rodadas de negociação.

Saúde e Condições de Trabalho

Na parte final da mesa de negociação desta quinta, a Fenaban apresentou retorno sobre as reivindicações de saúde e condições de trabalho, apresentadas pelos trabalhadores na rodada do dia 21 de julho.  Entre as reivindicações dos representantes está a participação dos trabalhadores na implementação da NR-1 (Norma Regulamentadora nº1), com o mapeamento dos riscos psicossociais e acesso às informações de saúde na categoria, a partir de planos de ações desenvolvidos junto às Comissões de Organização dos Empregados (COEs) e à mesa única de negociação.

A Fenaban sinalizou disposição para debater, periodicamente, o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) nas COEs e na mesa mesa única. No entanto, em seguida, a Fenaban tornou o debate extenuante, apresentando uma série de argumentos de que o alto índice de afastamento de bancários estaria ligado a multifatores, principalmente à facilidade de se obter atestados médicos, sugerindo que parte dos trabalhadores bancários finge estar doente ou ter adoecido.

A Fenaban questiona também a capacidade dos médicos que fornecem atestados, em função do desconhecimento da realidade do trabalho bancário e questionou a sustentação científica para os dados sobre afastamento na categoria, quando relacionados ao modelo de gestão por metas.

“Não vamos aceitar retirada de direitos e muito menos que os bancos sigam negligenciando o adoecimento dos bancários. Temos várias pesquisas de universidades federais, inclusive da Ufes, dados do Ministério do Trabalho e Emprego, do Ministério Público do Trabalho e de órgãos internacionais que evidenciam que a causa do adoecimento dos trabalhadores bancários está diretamente relacionada à sobrecarga de trabalho e ao assédio que imperam no cotidiano desses trabalhadores.  Esperamos uma devolutiva sobre as cláusulas de saúde, mas até agora a Fenaban não apresentou uma proposta que atenda as nossas reivindicações. Vamos insistir para que os bancos se comprometam com a garantia de melhorias condições de trabalho e de vida dos bancários”, enfatiza Carlão.

Em seguida, os bancos atacaram diretamente a Cláusula 29, da CCT, que trata da complementação salarial para os afastados, com duração de até dois anos, com possibilidade de renovação.  No lugar, a Fenaban propôs a redução desse período para apenas 45 dias. E, após esse período, os médicos do trabalho do banco é que iriam decidir se o trabalhador continuaria ou não afastado.

Em resposta, o Comando Nacional registrou que não aceita retirada de direitos. Em seguida, reforçou que, para melhorar as condições de trabalho e qualidade de vida da categoria, são necessárias medidas mitigação dos riscos que reduzam a sobrecarga, incluindo mudanças no modelo de gestão, discussão de metas e a implantação da jornada semanal de quatro dias de trabalho e três de descanso (4×3), sem redução de salários e de direitos.

Os bancos recuaram da proposta sobre a Cláusula 29, e disseram que vão apresentar outra contraproposta nas próximas rodadas.

Mesa única

O encontro foi encerrado com a defesa, por parte do Comando Nacional, da manutenção da mesa única de negociações, diante da importância histórica na construção e garantia de direitos na categoria. Nos últimos dias, entidades sindicais de todo o país reforçaram as manifestações nas agências e nas redes sociais em defesa da mesa única.

Próxima negociação

A próxima mesa de negociação está agendada para ocorrer na terça, 4 de agosto, mantendo remuneração e Cláusulas Econômicas como tema. O Comando Nacional cobrou da Fenaban que na próxima seja apresentada uma proposta concreta que atenda às necessidades e expectativas da categoria em relação às cláusulas econômicas, saúde e condições de trabalho.

Fonte: Contraf com edições do Sindibancários/ES