É consenso que os direitos e conquistas dos empregados e empregadas da Caixa estão sob forte ameaça no Governo Bolsonaro. A gestão Pedro Guimarães, afinada à política ultraliberal do ministro Paulo Guedes, centra seus ataques no coração dos direitos dos empregados: o Saúde Caixa e a Funcef. 

Ante a essa conjuntura adversa, a expectativa era de que 37º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef), ocorrido nesse sábado (7), fosse mais eloquente do ponto de vista dos debates e proposições para dar uma resposta à altura dos ataques que os trabalhadores vêm sofrendo.

Burocrático e sem espaço para o debate

O diretor do Sindicato dos Bancários/ES Igor Bongiovani afirmou que a edição 37º do Conecef foi a pior das nove das quais participou. “Eu depositava uma expectativa bem acima do que foi apresentado. Estamos enfrentando um momento bastante delicado com o Saúde Caixa e a Funcef, duas das mais importantes conquistas dos empregados, que estão sendo ameaçados. Não esperava um congresso burocrático e com pouquíssimo espaço para o debate”. 

Ele acrescentou que o formato definido para o Conecef não propiciou o debate aprofundado dos temas e tampouco abriu espaço para o contraditório. “Temas como o Saúde Caixa e a Funcef, que estão na ordem do dia, na minha opinião, mereciam um debate bem mais aprofundado. As pessoas precisam entender e se apropriar dessas discussões até para termos êxito na mobilização. Aliás, sem mobilização não conseguiremos defender essas trincheiras”, sublinhou Igor. 

O também diretor do Sindibancários/ES Ronan Teixeira avaliou que o congresso ficou muito aquém do esperado. “Debate, no sentido estrito da palavra, não houve. O formato inibiu qualquer debate. Os cinco minutos reservados à defesa das teses foi exíguo. É impossível defender uma tese nesse tempo. Fora isso, a limitação de cinco pessoas inscritas para as perguntas do painel, além de não permitir o debate, desmotivou a participação. Imaginava que o formato virtual fosse mais inclusivo e garantisse o espaço para a controvérsia. Mas aconteceu exatamente o inverso: exclusão e zero debate. Pelo momento em que vivemos, com a Caixa sob forte ataque, esperava muito mais”. 

Dia Nacional de Luta

A diretora do Sindicato e integrante da CEE/Caixa Lizandre Borges disse que foi importante o congresso ter aprovado a resolução pela mobilização e participação nas atividades do Dia Nacional de Luta e Paralisações contra a PEC 32. “A resistência aos ataques da Caixa começa pela mobilização. Precisamos de engajamento para o fortalecimento dessa frente de resistência e luta. O Momento é decisivo. Precisamos defender a manutenção dos nossos direitos. Se não houver uma grande mobilização, corremos o risco de perdê-los”, destacou. 

A dirigente afirmou ainda que no arsenal de ataques do Governo Bolsonaro, a PEC 32 é uma bomba-relógio que precisa ser urgentemente desarmada. Segundo ela, a aprovação da PEC 32 significaria um tiro certeiro nas empresas públicas e consequentemente nos servidores. “A PEC 32 é um cheque em branco nas mãos de Bolsonaro e Guedes que, com o caminho livre, vão dar cabo rapidamente das empresas públicas ou o que sobrar delas. No caso da Caixa, esse ataque já começou com a venda fatiada da empresa. Já iniciaram esse processo de privatização com a IPO da Caixa Seguridade. O Saúde Caixa e a Funcef estão em risco e os ataques não param por aí e não se restringem apenas à Caixa”. Ela diz ainda que não por acaso a mobilização do próximo dia 18 envolve servidores de diversas empresas públicas em todo o país.

Saúde e a pandemia

A médica e pesquisadora em Saúde do Trabalhador da Fundacentro Maria Maeno, que também falou na Conferência Estadual do Sindibancários/ES este ano, fez uma elogiada apresentação sobre o tema saúde do trabalhador e a pandemia. 

Segundo Ronan, os painéis com Maria Maeno, sobre saúde do trabalhador; Rita Serrano, sobre a ameaça à Caixa 100% pública; ou ainda com Leonardo Quadros, que explicou os principais gargalos do Saúde Caixa, certamente trouxeram informações valiosas. “Se há um ponto alto do Conecef, foram sem dúvidas as falas desses palestrantes. Mas esses painéis não substituem os debates das temáticas. Ouvimos as informações, mas não podemos fazer o debate. Mais uma vez, o formato nos impediu”. 

A partir da fala da médica Maria Maeno, que abordou os impactos da pandemia no setor bancário e especialmente na Caixa, cujos empregados pagaram o auxílio emergencial e outros benefícios sociais a mais da metade da população brasileira, Igor pontuou que em nenhum momento houve reconhecimento da direção do banco sobre essa entrega. Para ele, esta gestão não reconhece o trabalho feito pelos empregados porque não entende a Caixa como um banco de fomento das políticas sociais. 

O dirigente disse ainda que os empregados e as empregadas estão cara a cara com o vírus nesses 16 meses de pandemia e têm se desdobrado para atender toda a população que buscou os benefícios nas agências da Caixa. “Mesmo em condições bastante precárias, temos dado conta de atender a todos e todas. Mas o resultado desse esforço tem sido o grande número de colegas adoecidos, não só vítimas da covid, mas de outras doenças físicas e mentais decorrentes desse processo de pressão desumano por metas e resultados que a direção da Caixa vem impondo”, assinalou Igor. 

Moções e resoluções aprovadas

As delegadas e os delegados participantes do 37º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef) aprovaram um conjunto de moções e resoluções, reforçando a defesa da democracia e da organização sindical.

Dentre elas, a resolução em defesa da conselheira Rita Serrano e da sua participação ampla no Conselho Administração da Caixa. A perseguição, o assédio, as atitudes de desqualificação e criminalização de representantes da categoria não serão aceitas.

“Essa resolução em defesa da conselheira Rita Serrano é muito importante. Esta é mais uma frente de resistência dos trabalhadores que está sob ataque. Esses assédios não acontecem só no CA Caixa, mas na Funcef e mesmo no GT Saúde Caixa. Precisamos dar um basta e coibir todas essas tentativas de expurgar das mesas de negociação os representantes legítimos dos empregados e das empregadas da Caixa”, pontuou Lizandre.

Também foi aprovada moção em defesa da saúde dos empregados e das empregadas da Caixa. Uma decisão fatal foi tomada quando, de forma unilateral, a direção da Caixa decidiu encerrar as negociações do GT Saúde Caixa. 

A dirigente afirmou que a decisão da Caixa de decretar unilateralmente a mesa de negociação do GT do Saúde Caixa revela o total desrespeito de Pedro Guimarães com os empregados. “Pedro Guimarães está à frente da Caixa porque fala a mesma língua de Bolsonaro, ou seja, é autoritário e refratário ao diálogo. Para eles, tudo se resolve na base da imposição, intimidação e perseguição”, resumiu Lizandre. 

Foi aprovada ainda moção em defesa dos participantes da Funcef. A atual conjuntura política de privatizações tenta, a todo custo, retirar a representação dos participantes das instâncias de poder da Funcef, enfraquecendo a gestão participativa dos verdadeiros donos de mais de R$ 80 bilhões de patrimônio do fundo.

Outra aprovação foi da moção em defesa dos Correios na luta contra a privatização. Os Correios representam a presença do Estado e dos serviços públicos em todas as regiões do país.
(Arte Capa: Contraf)