
Delegadas e delegados aprovam propostas construídas no Conecef (Fotos: Contraf)
Durante três dias (03, 04 e 05), 218 delegadas e delegados de todo o país se reuniram no 39º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef) para debater as propostas construídas nas conferências estaduais e regionais. Na avaliação da dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e membra da Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa), Lizandre Borges, dois pontos foram se consolidando no decorrer dos debates e devem puxar a pauta de negociações deste ano. Ela aponta o adoecimento da categoria e o impasse em relação ao Funcef. As propostas, em processo de sistematização, vão resultar na minuta com as reivindicações que serão defendidas pelos representantes das empregadas e dos empregados para renovar o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), válido para os próximos dois anos.
Clique aqui e confira a minuta de reivindicações que será entregue à Caixa.
Adoecimento
O adoecimento da categoria bancária, de maneira geral, destacou Lizandre, é sem dúvida o tema central deste ano. Não só no Conecef, enfatizou a dirigente, mas também nos congressos dos outros bancos e na Conferência Nacional dos Bancários, que aconteceu nos dias 07, 08 e 09, em São Paulo. O secretário de Saúde do Sindibancários/ES Ronan Teixeira corroborou com a opinião da colega. “A discussão sobre adoecimento, especialmente o mental, foi perpassando por praticamente todas as mesas. “Na Conferência Estadual e Regional já havia acontecido isso. Tínhamos a expectativa de que o tema também ganharia relevância no Conecef a na Conferência Nacional, o que de fato ocorreu. O tema adoecimento definitivamente conseguiu sensibilizar e mobilizar a categoria bancária. Não há mais como adiar essa discussão”, pontuou Ronan.
O dirigente também comentou sobre o trabalho que vem sendo feito sobre o tema na base capixaba. Ele destacou a pesquisa “Nossa Saúde Importa”, resultado de uma parceria do Sindicato em parceria e do Departamento de Psicologia Social e do Desenvolvimento da Ufes. A pesquisa tem como objetivo identificar as situações de adoecimento mental dos trabalhadores bancários do Espírito Santo. Entre as ações para divulgar a pesquisa e envolver a categoria no debate, o Sindibancários tem percorrido as agências do Estado. Depois da conversa com os bancários, é apresentado um esquete com quatro atrizes que dramatizam a pressão por metas no ambiente bancário e o adoecimento mental. O vídeo do esquete foi veiculado no Congresso e causou grande comoção entre os participantes.

Lizandre: “Equacionamento não pode retirar direitos”
Funcef
No encerramento do Conecef, as delegadas e os delegados reforçaram a exigência do movimento sindical e entidades associativas das empregadas e empregados para que todas as decisões sobre a Fundação dos Economiários Federais (Funcef) sejam debatidas com a representação dos trabalhadores. Um ofício será enviado para a Caixa e para a Funcef cobrando a abertura de negociações para se chegar a uma nova proposta para o equacionamento dos déficits, sem a redução de direitos dos participantes.
Lizandre criticou a postura unilateral da Caixa e da Funcef que apresentaram uma proposta para o equacionamento do déficit do fundo à revelia da representação dos trabalhadores. “Não é aceitável a imposição de qualquer proposta de equacionamento sem que se entenda a dívida que a Caixa tem com a Funcef. Não podemos permitir que retirem nossos direitos para sanar essa conta. Deve-se cobrar o contencioso da Caixa, não dos trabalhadores”, sublinhou Lizandre.
A representante da CEE acrescentou que o atual ACT não está sendo cumprido pela Caixa. “O ACT prevê que questões como as da Funcef, assim como outras demandas dos empregados, sejam debatidas em mesas permanentes, com representação tripartite. “Ora, no caso específico da Funcef, a Caixa e a Funcef simplesmente apresentaram uma proposta sem consultar a representação das empregadas e dos empregados”.

Delegação capixaba no Conecef
Modelo do Conecef
Ronan Teixeira avaliou que o Conecef seguiu uma linha formativa e informativa, mas não conseguiu provocar e aprofundar o debate. “Este modelo precisa ser repensado”, opinou. Ele ponderou, no entanto, que houve avanços em relação à edição anterior (2022). O dirigente destacou que foi incluído no regimento interno a mudança do caráter consultivo para deliberativo do Conecef. “Esse é um importante avanço porque confere um outro peso às questões que discutimos e encaminhamos no Congresso”, assinalou.
Mas o dirigente insistiu que o modelo por discussões temáticas seria mais efetivo. Lizandre completa: “Já tivemos esse formato por grupos temáticos de discussão. Acho que vale a pena a reflexão se não deveríamos voltar com esse formato. Parece-me um modelo mais coletivo e participativo de construção das propostas”, assinalou.
A necessidade de se fazer o Conecef anualmente foi outro ponto de consenso entre as delegações. Ronan lembrou que antes da pandemia os congressos eram anuais, mas por uma decisão do Comando Nacional, passaram a ser de dois em dois anos. “Argumentaram que não havia sentido o Congresso acontecer no ano em que não há campanha salarial”, afirmou Ronan. “Esse argumento não para em pé. No ano passado não houve campanha salarial e o acordo do Saúde Caixa foi fechado. Esse é um exemplo de tema que com certeza seria debatido no Congresso anual”, disse Lizandre. Ela acrescenta que o Saúde Caixa, aliás, precisa ser debatido urgentemente. “Não queremos discutir o Saúde Caixa só em 2025. As questões são para ontem e deveriam estar nas mesas de negociações deste ano”, enfatizou.
Mobilização
Lizandre e Ronan reforçaram a importância das empregadas e dos empregados da Caixa se mobilizarem e se engajarem na Campanha Salarial 2024, que deve dialogar com as demandas da categoria. “Só juntas e juntos avançaremos nas conquistas”, afirmou a dirigente.

