3º onda: BB faz nova reestruturação

26/06/2019 10:58

Mudanças fortalecem estratégia digital. 173 praças no Brasil serão atingidas nessa nova etapa

O Banco do Brasil iniciou em junho a terceira onda de reestruturação para expansão do Modelo Varejo na rede de atendimento. Estão previstos novos cortes de funções, migração de carteiras para o digital e centralização de processos. O banco já divulgou calendário para concorrência de vagas em lateralidade e início do pagamento do VCP (Verba de Contribuição Pessoal) para futuros descomissionados, mas ainda não é possível dimensionar o impacto das mudanças no Espírito Santo.

A reestruturação é parte da estratégia do BB para fortalecer o atendimento digital e ampliar a captação de negócios, como explica o diretor do Sindibancários/ES Thiago Duda. Segundo ele, o atendimento digital tem limites e traz consequências para a população e para os bancários.

“A sequência de reestruturações no BB têm esvaziado as agências. A estrutura do banco se desloca para o digital, priorizando negócios e clientes maiores, o que vai de encontro ao papel do BB como banco público, que deveria atender a todos. Além disso, quantos da população de menor renda têm realmente acesso à internet, a computadores e celulares adequados, ou estão familiarizados com a tecnologia para usar esse serviço?”, questiona.

Para o diretor, a demanda por atendimento presencial não diminuiu, “basta olhar as filas cotidianas nas lotéricas e demais correspondentes bancários”. Ele alerta que, para
além do discurso de modernização e flexibilização que acompanha a estratégia digital está uma política de redução de custos e de precarização do trabalho bancário.

“O uso da tecnologia vai eliminando a obrigatoriedade de acompanhamento de determinados níveis gerenciais, com isso, as funções comissionadas são reduzidas. A migração e centralização de contas nas agências digitais inflam essas carteiras, e o que temos são bancários tendo que administrar centenas de contas, além de ter que bater várias metas de vendas. A pressão é enorme, num ambiente de trabalho que pouco se diferencia de um call center”, destaca.

A estimativa do BB é de que esta fase da reestruturação atinja 173 praças no país, que englobam 189 agências – 3% do total. Concluída essa fase, serão 415 praças e 2.080 agências, ou seja, 40% da rede, funcionando dentro do modelo de atendimento Varejo.