BB é incluído em programa de privatizações

23/08/2019 17:58

Governo desconsidera o papel estratégico do BB como banco público e quer alienar ações da instituição, ampliando ainda mais a participação de acionistas privados na gestão

O projeto devastador de privatização das empresas públicas também chegou ao Banco do Brasil. Nesta quinta-feira, 22, o BB anunciou que o governo pretende vender ações excedentes ao controle acionário do banco. O anúncio traz forte preocupação sobre a atuação do BB enquanto banco público e a possibilidade de abertura para a privatização total do banco. A Contraf já se pronunciou e enviou ofício ao presidente do BB reafirmando a defesa do caráter público da instituição.

De acordo com a Resolução 61 do conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) a recomendação é incluir a participação acionária excedente, ou seja, o que ultrapassa 50% mais um, detida pela União no Programa Nacional de Desestatização.  Mesmo que não represente a perda do controle acionário do banco pelo governo federal, a alienação de ações abre as portas para que os acionistas privados tenha cada vez mais peso nas decisões estratégicas do banco.

“O anúncio provoca muita preocupação em relação ao futuro do banco como empresa pública e ao dos empregados, que já sofrem com uma gestão cada vez mais alinhada ao mercado privado. A alienação de ações fragiliza o BB enquanto banco público, que tem um papel importante no financiamento da agricultura familiar, da habitação, de projetos de geração de renda e de políticas sociais. Defender o BB público é dever de toda a sociedade brasileira”, destaca a diretora do Sindibancários/ES, Goretti Barone.

Em 2015 o governo federal detinha 57,7% das ações do Banco do Brasil. Esse percentual hoje é de 50,7%. Com a inclusão do BB no Programa de Desestatização, esse índice deve cair e o governo perderá ainda mais poder no controle acionário do banco.