O Sindicato dos Bancários/ES se reuniu na manhã desta terça-feira, 27, com o gerente regional do Bradesco, Hebercley Magno dos Santos, após receber denúncias de assédio moral. Os diretores Fabrício Coelho, Lindalva Firme, Ricardo Rios e Pedro Luchi acompanharam a reunião.
Segundo apuração do Sindicato, a cobrança por metas via audioconferência aumenta nos três últimos dias do mês, quando os empregados precisam apresentar os resultados de vendas e contratos de negócios, tomando contornos de assédio moral. Nas reuniões por áudio, Hebercley não só faria cobranças intensas e repetidas, mas estaria usando termos que sugerem desqualificação do empregado ou ameaça. “Em exemplos relatados, ele teria dito até que quem não alcançasse os resultados poderia se apresentar com a carteira de trabalho”, explica a diretora do Sindibancários/ES Lindalva Firme.
As informações recebidas pelo Sindicato foram corroboradas por vários bancários, inclusive em atendimentos presenciais junto à Secretaria de Saúde e Condições de Trabalho da entidade. Na reunião, o Sindicato reafirmou posição contrária à cobrança de metas e cobrou do gestor uma postura que favoreça boas condições de trabalho e de atendimento à população, cumprindo o papel social dos bancos.
“A cultura de avidez pelo lucro se reflete nas formas de gestão, com práticas de assédio que são institucionais, atingindo todas as esferas de trabalho do banco. Para o Sindicato, um ambiente de trabalho com qualidade pressupõe a estabilidade no emprego e um clima de trabalho sem assédio, para que o empregado não adoeça e para que consiga atender bem a população, que é a finalidade do sistema financeiro. O lucro não pode estar acima de tudo, e deixamos claro nossa concepção, garantindo que tomaríamos outras providências se necessário”, destaca o dirigente sindical Fabrício Coelho.
Hebercley reconheceu a realização mais frequente das audioconferências no final do mês, com maior cobrança por resultados, mas negou o uso de termos desrespeitosos ou de ameaça aos empregados da rede. Para o Sindicato, a reunião de hoje foi um alerta. A entidade continuará acompanhando a gestão e, se a prática de assédio for confirmada e se repetir, tomará outras medidas políticas e jurídicas.
Na reunião, os representantes do Sindicato também apresentaram outras pautas que trazem preocupação à categoria, como a campanha Folha em Foco, que nacionalmente tem incentivado bancários a criar vídeos vexatórios e compartilhar em redes sociais para alavancar o cumprimento de metas em equipe. O gerente regional garantiu que não há orientação para gravação de vídeos semelhantes no Espírito Santo.
A pauta de segurança também foi abordada. O gestor foi questionado sobre a possibilidade de abertura de agências sem portas giratórias, prática que começa a ser implementada por alguns bancos privados e que vem sendo combatida pelo movimento sindical. Segundo Hebercley, não há indicativo do banco para funcionamento de agências ou outros modelos de unidade sem porta de segurança.
Canal de denúncias
O Sindicato reforça aos bancários pedido para que denunciem práticas de assédio moral ou qualquer outra violação de direitos dos empregados. A entidade mantém ativo um canal por onde os bancários podem formalizar denúncias, de forma identificada ou anônima, podendo inclusive enviar arquivos que comprovem a irregularidade praticada.
“A voz dos bancários é fundamental para que o Sindicato apure as denúncias e possa atuar na fiscalização das condições de trabalho. Só assim vamos garantir o cumprimento total do nosso Acordo Coletivo e da Convenção Coletiva da categoria”, completa Fabrício, enfatizando a importância de a categoria utilizar o canal de denúncias.








