
Bancários deram as mãos em sinal de proteção ao banco público. Fotos: Sérgio Cardoso
Bancários e bancárias realizam nesta quarta-feira, 04, um Dia Nacional de Luta contra o desmonte da Caixa. Em Vitória, eles paralisaram até as 13 horas as atividades da Superintendência Regional Norte e departamentos que funcionam no Edifício Greenwich Tower, na Enseada do Suá, como Gerência de Habitação (GIHAB), Gerência de Governo (GIGOV), Representação de Pessoas (REPES), setor jurídico e duas agências digitais.
A manifestação faz parte do calendário de mobilização nacional da categoria para denunciar as medidas da atual gestão, comandada por Pedro Guimarães, presidente do banco, e orientadas pelo governo Jair Bolsonaro.
“Esse prédio concentra alguns dos setores mais impactados pelas reestruturações da Caixa, por isso é bastante representativo. Precisamos falar sobre a importância da Caixa 100% pública e expor as práticas dessa gestão, que buscam sucatear o maior banco público do país. Nossa ação também é para conscientizar os empregados de que eles precisam ir à luta pela manutenção dos seus direitos, incluindo o Saúde Caixa, que foi uma conquista dos empregados que hoje está sendo negada aos novos ingressos, e isso não é um problema só dos novos, pois pode impactar a sustentabilidade do plano como um todo”, disse a diretora do Sindibancários/ES Lizandre Borges.
Os empregados da Caixa não aceitam a discriminação praticada pela direção do banco, que impede novos funcionários de acessarem o Saúde Caixa, por isso, reivindicam o Saúde Caixa para todos, pauta que é prioritária nas negociações da mesa permanente. Eles ainda criticam os processos de reestruturação, que ameaçam transferir funcionários de forma arbitrária, centralizar e extinguir setores. As medidas caracterizam intenção de esvaziar a Caixa, enxugando o banco para uma possível privatização.

Duas mil Duas mil Pessoas Com Deficiência (PCD) foram contratadas pela Caixa após determinação judicial para cumprimento de cotas. Novos empregados, no entanto, não terão direito ao Saúde Caixa,o que está sendo questionado pela categoria, que quer isonomia de tratamento
O ato também serviu para mobilizar bancários e a sociedade em defesa da Caixa 100% pública. O governo federal já anunciou interesse em privatizar setores importantes do banco, como cartões, assets e a gestão do FGTS, além das loterias, cujo leilão foi reagendado para o dia 22 de outubro.
Para os empregados, a única forma de garantir que a Caixa continue desempenhando sua função social é manter o banco 100% público, como patrimônio de brasileiros e brasileiras. Hoje, a Caixa é o um dos principais agentes do desenvolvimento socioeconômico no país. O banco detém quase 70% do crédito habitacional total e 90% do crédito para habitação popular. Também é reconhecido como o banco da infraestrutura, o único que leva saneamento básico, energia e infraestrutura urbana aos municípios mais distantes, ao financiar investimentos nesses setores. É ainda responsável pela gestão de programas de proteção ao trabalhador, como seguro-desemprego, abono-salarial, FGTS e PIS, entre outros benefícios.
Lucro x desmonte
A política de desmonte da Caixa contrasta com os resultados do banco. Conforme balanço divulgado nesta terça-feira, 03, a Caixa apresentou lucro líquido contábil de R$ 8,132 bilhões no primeiro semestre de 2019, o que representa um aumento de R$ 22,2% em relação ao mesmo período de 2018. Ainda assim, o banco reduz crédito para programas sociais, como o Minha Casa Minha Vida, que segundo projeção do governo federal terá o menor orçamento da história em 2020, podendo significar o congelamento do programa. A previsão de investimento caiu de R$ 4,6 bilhões, em 2019, para R$ 2,7 bilhões no ano seguinte.

Rita Lima, diretora do Sindicato dos Bancários e empregada da Caixa
“Estamos no período da nossa data-base e, apesar do acordo de dois anos, onde já estão estabelecidas as cláusulas econômicas, está aberta negociação nacional para discutir outras reivindicações fundamentais à categoria, incluindo a defesa da Caixa 100% pública e do seu papel social. Nossa mobilização vai continuar nas próximas semanas e precisa ser fortalecida por todos, para pressionar o banco e avançar na garantia dos nossos direitos”, ressalta Rita Lima, diretora do Sindicato dos Bancários/ES e empregada da Caixa.









