25º Grito dos Excluídos reúne centenas de manifestantes em Cariacica

07/09/2019 14:13

Com o lema "Esse sistema não vale", manifestação denunciou a lógica perversa do sistema atual, em que o lucro é colocado acima da vida, e o desmonte dos direitos sociais, trabalhistas e das políticas públicas vitais para a população

Fotos: Sérgio Cardoso

Em defesa dos direitos sociais, do meio ambiente e contra os retrocessos do governo Bolsonaro, centenas de pessoas foram às ruas neste sábado, 07 de Setembro, no 25º Grito dos Excluídos. Trabalhadores, estudantes, pastorais sociais, movimentos sindicais e sociais caminharam da praça de Porto Santana até Flexal, em Cariacica, denunciando a violação de direitos, da democracia e os cortes de recursos em políticas públicas essenciais para a população.

Neste ano, o Grito dos Excluídos teve como lema “Este sistema não Vale!”, uma denúncia contra os crimes ambientais ocorridos em Mariana e Brumadinho cometidos pela mineradora Vale. Dividida em alas,  a manifestação também abordou a violência contra a população periférica, principalmente de jovens negros, a violência contra a mulher, a defesa da democracia e o crime de apologia à tortura.

Diretores e diretoras do Sindibancários/ES participaram da manifestação e engrossaram o grito em defesa dos direitos dos trabalhadores, da aposentadoria digna para todos e contra a reforma da Previdência. “O Grito dos Excluídos é a manifestação daqueles que têm seus direitos violados, como falta de moradia, de comida na mesa, de acesso à educação e à saúde. Precisamos construir essa luta todos os dias. Diante desse governo insensato, que não respeita os trabalhadores,  o Grito dos Excluídos assume uma luta ainda maior. Por isso é tão urgente participarmos desse ato, resistir e lutar”, destaca o coordenador geral do Sindibancários/ES, Jonas Freire Santana.

Sindibancários/ES levou para as ruas o boneco “Bolsomorte”, representando toda opressão e morte causada pelo governo Bolsonaro

Integrante da comissão de organização do Grito, o seminarista, Vitor César Zille Noronha falou sobre a importância da construção coletiva da luta por um mundo melhor. “O Grito dos Excluídos é um sinal de esperança, porque é um lugar de articulação de lutas, momento de encontro, de construção coletiva. São pessoas que têm gritos tão diferentes, gente que luta por moradia digna, contra os retrocessos das leis trabalhistas, por uma previdência pública que assista nossos idosos, contra os cortes da educação. E hoje nosso lema é “Esse sistema não vale”, pois queremos justiça, direito e liberdade”, enfatiza Noronha.

Ocupar as ruas neste 07 de setembro, dia em que é comemorada a Independência do Brasil, é um ato de denúncia, como destaca a freira Rita Cola, da Congregação Agostiniana. “A destruição da vida é de tamanho porte que não dá para ficar calado dentro de casa ruminando o sofrimento que está vindo todos os dias caindo sobre o povo, sobre a casa comum, e não fazer nada. As ruas são lugar de expressar o sentimento de dor, aquilo que estamos vivendo já de uma forma desesperadora e sofrida. Não é possível ficar calado. Não vir para as ruas hoje é uma falta de respeito à vida”, alerta a freira, que também integra a comissão de organização do Grito dos Excluídos.

A jovem Emanuele Pereira é integrante da Marcha Mundial das Mulheres. Durante a manifestação ela falou sobre os desafios da luta das mulheres por igualdade e contra a violência nesse governo. “Temos um presidente que tem várias falas machistas, preconceituosas, que reforçam a violência de gênero. As mulheres se colocam nas ruas hoje contra a violência de gênero e contra esse governo que reproduz a cultura do machismo”, enfatizou Emanuele.

25º Grito dos Excluídos resgata luta de Padre Gabriel Maire

A escolha da região de Porto Santana e Flexal, em Cariacica, para realização do 25º Grito dos Excluídos teve um motivo especial. O local foi escolhido por ser uma das regiões nas quais atuou o padre francês Gabriel Félix Roger Maire, cujo assassinato completa 30 anos em dezembro.

Padre Gabriel Maire chegou da França, sua terra natal, em 1980. Atuou em diversos bairros do município de Cariacica junto à classe trabalhadora, juventude, mulheres, pessoas sem moradia e outros grupos de excluídos e excluídas. Após diversas ameaças de morte, foi assassinado em 23 de dezembro de 1989.

Grito dos Excluídos

A primeira edição do Grito dos Excluídos foi em 1995. A manifestação popular, idealizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nasceu da necessidade de dar voz aos excluídos e excluídas. É realizado sempre no dia sete de setembro, em que se comemora a independência do Brasil, como forma de questionar se esse país é de fato independente.