Desemprego crônico, recessão aguda e perspectivas pessimistas para a retomada do crescimento da economia. Se a situação está desesperadora para a maioria dos brasileiros, sobretudo para os que estão na base da pirâmide, há um setor da economia que não tem do que reclamar. Ao contrário, só tem a comemorar. Entre julho de 2018 e junho deste ano, de acordo com o Banco Central (BC), os bancos lucraram R$ 109 bilhões. Esse é o maior lucro nominal (sem computar a inflação) em 25 anos – ocasião do lançamento do Plano Real (1994).
A marca supera em 18,4% o resultado apurado entre julho de 2017 e junho de 2018, quando os bancos lucraram R$ 92 bilhões. Para se ter uma ideia da grandeza deste número, a reforma da Previdência, que pode ser aprovada ainda esta semana pelo Senado, estima gerar uma economia de R$ 800 bilhões em 10 anos. Se os bancos mantiverem seus lucros na casa dos R$ 100 bilhões/ano, em uma década podem romper a impressionante marca de R$ 1 trilhão – número sonhado pelo governo no início da reforma e que caiu em mais de R$ 200 bilhões durante as negociações no Congresso.
Mais lucros, menos direitos
Os excelentes resultados, porém, não contemplam bancárias e bancários. Muito ao contrário, os bancos têm cortado pessoal, terceirizado funções para reduzir custos e retirado direitos e garantias do trabalhador. Tanto os bancos públicos como privados têm lançado planos de demissão voluntária (PDV). A justificativa para as demissões em massa, mascaradas de PDV, é preparar os bancos para as novas demandas tecnológicas. O resultado é a terceirização de funções e mesmo de setores inteiros. Os novos trabalhadores passam a receber salários menores e menos benefícios.
Aliás, reduzir direitos e garantias tem sido quase uma obsessão para os bancos. Uma das situações mais preocupantes envolve a assistência à saúde de bancários e bancários e seus familiares. Hoje os planos de assistência dos bancos públicos estão sob risco. Funcionários do Banco do Brasil (Cassi), da Caixa Econômica Federal (Saúde Caixa) e do Banestes (Banescaixa), por exemplo, enfrentam um problema comum: lutam para salvar seus planos para evitar a precarização do atendimento à saúde.
Os bancos, de outro lado, embora aferindo lucros extraordinários, têm endurecido as negociações e sinalizado que não estão dispostos manter as necessárias contrapartidas para assegurar a sustentabilidade dos planos.








