Santander faz reestruturação de funções e demite empregados

07/11/2019 14:44

Sindibancários/ES pede explicações ao Santander sobre número crescente de demissões. Estima-se que nos últimos 30 dias o banco demitiu ao menos 15 empregados, a maioria gerentes de negócios e serviços 1 e 2 - GNSI e GNSII (respectivamente, antigos caixas e coordenadores). As demissões têm ocorrido em todo o país

O superintende regional do Santander no Espírito Santo, Rogério Gentil, se reuniu nesta quarta-feira, 6, com representantes do Sindicato dos Bancários/ES para apresentar o plano de reestruturação do banco, que cria novos cargos e extingue outros. Na reunião, os diretores do Sindicato aproveitaram para cobrar explicações do banco sobre o crescente número de demissões que estão ocorrendo.

Questionado sobre as demissões, o superintendente alegou que o mercado bancário passa por um processo de transformação tecnológica e o Santander estaria apenas se ajustando a essas mudanças. Ele acrescentou ainda que o banco, no processo de reestruturação, extinguiu algumas funções e remanejou outras.

De acordo com Cláudia Garcia, diretora do Sindicato, a estimativa é de que o Santander tenha demitido cerca de 15 empregados nos últimos 30 dias. É importante registrar que as demissões do Santander têm crescido em todo o país. Ela explica que, na sua maioria, essas demissões atingiram os gerentes de negócios e serviços – GNSI e GNSII. “Infelizmente, não temos o número preciso de demissões desde que as homologações deixaram de ser feitas no Sindicato, mais uma consequência da reforma trabalhista”, afirmou Cláudia.

Ainda, segundo o Sindicato, parte das demissões se explica pela exigência do Santander para obtenção da certificação CPA 10, obrigatória aos novos cargos de GNSI e GNSII (respectivamente, antigos caixas e coordenadores). Além disso, o banco está implementando um novo modelo de agência que extingue as tesourarias e o atendimento nos caixas.

“O prazo estabelecido pelo banco de 90 dias para que esses empregados se certificassem com o CPA10 foi curto e sob pressão, desrespeitando o artigo terceiro da Resolução 3.158 do Banco Central, que prevê que o bancário em nova função tem até um ano para obter a certificação. O Santander vem aumentando seus lucros no Brasil ano a ano, mas segue demitindo seus empregados, mostrando que não tem compromisso social, que está no país só para lucrar”, criticou Jonathas Corrêa, diretor do Sindicato. Lembrou ainda que somente no terceiro trimestre de 2019, o banco obteve R$ 3,7 bilhões de lucro líquido. O resultado é 19% superior ao de 2018.