Sindicato e empregados cobram respostas do Bandes sobre pauta levantada em plenária

08/11/2019 15:00

Assédio Moral, falta de diálogo com a presidência e a reestruturação do Bandes foram alguns dos assuntos discutidos com a diretoria do banco

A Comissão de Negociação dos empregados do Bandes se reuniu nesta quarta-feira, 6, com a diretoria do banco para discutir as pautas levantadas na plenária do final de outubro. Pelo Bandes, estiveram presentes os diretores Iranilson Casado (Administração e Finanças) e Marcos Vianna (Recursos Humanos); a comissão foi representada pelos diretores do Sindibancários Jonas Freire, Idelmar Casagrande, Dérik Bezerra e Dimitri Salviato, além dos recém-eleitos delegados sindicais Robson Luiz Avelino Pereira e Dilmar Pézzin

A comissão pontuou na mesa de negociação questões como a reestruturação do banco, os casos de assédio moral e a falta de diálogo do presidente da instituição com os empregados.

Sobre o processo de reestruturação, Casado alegou que é preciso preparar o banco para investir em setores estratégicos e retomar o protagonismo do Bandes no desenvolvimento do Espirito Santo. Ele acrescentou que essa é uma orientação do governo do Estado.

Idelmar Casagrande, da diretoria do Sindicato, criticou a reestruturação do banco, que tem extinguido cargos e promovido a criação de outros. “O banco justifica que a reestruturação é para cortar despesas, mas há um aumento de contratações de cargos comissionados e criação da nova diretoria de Negócios. O que derruba o argumento da redução de despesas”, contestou Idelmar. O diretor do Bandes preferiu não se manifestar sobre o aumento dos custos relativos à criação da nova diretoria e de novas funções.

O dirigente sindical também destacou aos diretores do Bandes a falta de diálogo dos empregados com o presidente do Bandes, Maurício Duque. “Sempre que um presidente assume, é praxe abrir esse canal de diálogo com os empregados, mas Maurício Duque se recusa a conversar”, afirmou Idelmar. Casado justificou que eles simplesmente não querem “pular etapas”. O diretor acrescentou que, em caso de haver problemas na negociação, o presidente seria acionado para tentar solucioná-los.

As denúncias de assédio moral também foram tratadas na reunião. Muitos desses casos estão relacionados ao aumento da pressão do banco sobre os empregados. Não é segredo dentro do Bandes, que o banco deve apresentar prejuízo de cerca de R$ 70 milhões este ano. A crise hídrica, o fim do Fundap (Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias), a queda da taxa Selic e a crise econômica ajudam a explicar o revés financeiro do Bandes.

O delegado sindical Robson Pereira lamentou o fato de o Bandes insistir em transferir os maus resultados para os empregados. “O empregado não pode ser culpado pelos resultados do banco. Foram escolhas políticas que o Bandes fez, à época, para mitigar os efeitos da crise hídrica que afetou o Espírito Santo, especialmente os agricultores. Os governos anteriores não socorreram a instituição e o banco acabou ficando sozinho com o ônus na mão”. Robson acrescentou também que o BNDES reduziu os repasses para o Bandes, comprometendo ainda mais a capacidade de investimento do banco. “O banco priorizou algumas operações em detrimento de outras. Os empregados fizeram o que foi possível dentro da política proposta pela direção da instituição”, enfatizou.

Iranilson Casado negou que haja casos de assédio moral. De forma lacônica, ele alegou que as queixas devem estar partindo de empregados que não conseguem compreender o atual momento do banco.

É importante destacar que a reunião com o Bandes só aconteceu porque o Sindicato dos Bancários/ES recorreu à Cláusula 31 do Acordo Coletivo (2018 – 2020). De acordo com a cláusula, diante da “ocorrência de fatos econômicos, sociais ou políticos, que determinem alterações substanciais das condições relativas à regulamentação salarial, manutenção do nível de emprego, concessão de novos benefícios sociais, estruturação ou equacionamento das entidades sindicais ou reorganização do sistema financeiro nacional, poderão ser realizadas negociações coletivas entre as entidades representativas da categoria profissional e o Bandes”.