O governador Renato Casagrande ainda não respondeu ao pedido de reunião feito pelos moradores, comerciantes e bancários para tratar do encerramento das atividades da agência Banestes Graciano Neves previsto para hoje, dia 10. Casagrande está ignorando a vontade popular expressa no abaixo-assinado com um total de 4 mil assinaturas coletadas pelo Sindicato dos Bancários/ES, Associação de Moradores do Centro de Vitória (Amacentro), Associação de Moradores do Parque Moscoso, Associação Instituto Comercial de Vitória, além de comerciantes e moradores voluntários.
O fechamento da agência contraria o projeto de revitalização do Centro de Vitória, que hoje tem destaque no jornal A Tribuna, inclusive com declarações da secretária de Estado de Gestão e Recursos Humanos, Lenise Loureiro.
Segundo o coordenador geral do Sindicato, Jonas Freire, foi feito um amplo movimento contra o fechamento da agência Graciano Neves, mas a secretária nunca se posicionou. “Inclusive tentamos contato com a secretária Lenise Loureiro, que está à frente do projeto de revitalização do Centro e agora fala em resgatar e movimentar o comércio, mas ela não se manifestou até hoje em defesa da agência Graciano Neves. Que preocupação tem com o papel social do banco público?”, questiona Jonas.
Em caso de fechamento da agência, os prejuízos serão para todos os segmentos. Os moradores da região, especialmente os idosos, que têm mais dificuldade de mobilidade, terão que usar os serviços do Banestes agência Central (Praça 8). Além da distância, há risco no trânsito e também na segurança, pois, ao contrário da Rua Graciano Neves, a Praça 8 é mais deserta, especialmente nos finais de semana.
Para os comerciantes, fechar a agência significa menor fluxo de pessoas circulando na região, além de dificultar as operações financeiras do próprio comércio e dos clientes. Para os bancários, são menos postos de trabalho, o que pode significar desemprego. Para o Centro de Vitória, é mais um importante serviço que deixa de ser realizado na região. Para o Banestes, é o esvaziamento do banco público e estadual. Ou seja, todos perdem com a medida.
O fechamento da agência faz parte da política do Governo do Estado de adotar um modelo de mercado para o Banestes, esvaziando seu papel social de banco público e estadual. Além dessa medida, está em curso no banco uma licitação para terceirização de um setor estratégico do banco: os serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação. Empresas que participaram do certame ingressaram com recurso contestando o resultado.
Desde o dia 4 de dezembro, quando recebeu a informação extraoficial do encerramento das atividades da Graciano Neves, o Sindicato dos Bancários tenta reverter a medida. Foram diversos atos públicos, audiência na Câmara Municipal de Vitória, audiência com o secretário-chefe da Casa Civil, Davi Diniz de Carvalho, tudo feito em conjunto com comerciantes e moradores do Centro.
Agência histórica
A agência Graciano Neves existe há mais de quarenta anos. Inicialmente concentrava o pagamento dos servidores públicos estaduais. Hoje tem cerca de seis mil correntistas, a maioria moradores e comerciantes do entorno.
A agência está num imóvel que fica entre duas das principais ruas do Centro de Vitória: a Graciano Neves, que dá o nome à unidade, e a 7 de Setembro, que parcialmente não tem trânsito de carros, apenas um calçadão com lojas e residências. O fluxo de pessoas na região, portanto, é intenso.
Por que fechar?
“Fechar a agência é uma covardia com os moradores do Centro. Uma safadeza, pra dizer a verdade. Querem complicar mais a vida da gente. Estão querendo tirar tudo do Centro.” – Antônio Soares de Oliveira, 85 anos, morador do Centro.
“É um absurdo fechar essa agência, principalmente para os idosos. Vamos ter que atravessar a Jerônimo Monteiro para ir à agência da Praça 8, correndo o risco de atropelamento, isso sem falar da distância. Aqui a gente é muito bem atendida, desde os serventes até os caixas e gerentes, todos muito carinhosos” – Amélia da Penha Nunes, 80 anos de idade, há 75 moradora da Rua 7.
“Manter o movimento financeiro, cultural e de lazer no Centro é mantê-lo vivo. O Banestes, como um banco público, tem a obrigação de cumprir sua função social no Centro de Vitória.” – Lino Feletti, presidente da Amacentro.
“Vai ser horrível. Faço depósitos, pagamentos e até mando para cá clientes quando não tenho como atender. Além disso, o fluxo de pessoas na região vai diminuir sem o Banestes aqui.” – Tânia Castro Souza, comerciante.
“Não tem explicação para o fechamento desta agência. Foi toda remodelada, o gerente está fazendo um ótimo trabalho, a equipe é muito profissional. O Banestes aqui traz segurança e estimula o comércio. O Poder Público diz que quer revitalizar, mas retira tudo daqui?” – José Carneiro, dono de restaurante.
“Eu sou cliente desde que abriu essa agência. Nem lembro em que ano foi. O Centro está praticamente morto. Querem acabar com o pouco que resta? Se fechar, o Banestes vai perder clientes para os bancos que têm agências mais próximas. Porque usar o Banesfácil, sem segurança e com fila na rua, ninguém vai querer. Temos que manter essa agência” – Geraldo Uliana, 73 anos, morador e proprietário de um bar no Centro.
“Muita gente saca dinheiro para usar no comércio local. O Governo do Estado está querendo trazer instituições públicas para o Centro e vem essa notícia do fechamento da agência, que vai na contramão da proposta de revigorar a região?” – Sidney da Costa Ferreira, diretor da Câmara de Dirigentes Lojistas de Vitória (CDL).
“Eu ajudei na coleta de assinaturas. Fui às lojas e tudo. Se a agência sair daqui, vai ser um transtorno. Minha mãe tem conta há 35 anos. O banco faz propaganda dizendo que o Banestes valoriza o Estado, também tem que valorizar o cliente” – Rita de Cássia Xavier, moradora da Rua 7.
“Essa agência faz parte da identidade do Centro de Vitória, está aqui há décadas. É uma agência pequena em tamanho, mas grande em afeto. Os moradores do Centro se encontram na agência. E os funcionários são parceiros da comunidade. Como ficarão esses trabalhadores e suas famílias? Desempregados? Temos que pensar nisso também. O fechamento só traz prejuízo, nenhum benefício.” – Stael Magesck, produtora cultural e moradora do Centro.









