A superintendente estadual do Banco do Brasil, Ana Paula Matos da Costa, negou que o banco tenha a intenção de fechar agências no Espírito Santo. Ela admitiu, porém, que o banco faz uma avaliação contínua das agências. Com base nessa avaliação, continuou Ana Paula, o banco pode transformar agência em posto de atendimento bancário.
A afirmação da superintendente do BB foi feita aos diretores do Sindicato dos Bancários Goretti Barone e Dérik Bezerra durante reunião nesta quinta-feira, 16, na sede do banco no ES. Embora Ana Paula tenha negado o fechamento de agências, a suspeita do Sindicato sobre a questão se fundamenta nas recorrentes declarações do presidente do BB. Rubem Novaes tem afirmado que o banco irá continuar revendo a dotação da rede agências. Entre setembro de 2018 e setembro de 2019, o BB fechou 463 agências, mais que o dobro fechado pelo Itaú, que totalizou 213 no mesmo período.
“Claros”
Além do fechamento de agências, outro ponto destacado na pauta foi a falta de empregados nas unidades. Dérik afirmou que a diferença entre a dotação e o número de empregados efetivamente trabalhando é cada vez maior. “Os chamados ‘claros’ estão aumentando”. Ele citou como exemplo a situação da agência de Pedro Canário, no norte do Estado, cuja dotação é para seis empregados, mas conta apenas com três. “Brejetuba está na mesma situação”, destacou o sindicalista.
Os diretores do Sindicato acrescentaram que além de Pedro Canário e Bejetuba, outras cinco agências apresentam problemas mais sérios de defasagem de empregados. São elas: Baixo Guandú, Sooretama, Marilândia, São Roque do Canaã e Piúma.
Goretti afirmou que nunca é demais alertar que uma agência não pode funcionar com menos de 50% dos empregados. “Essa é uma questão de segurança. Quando isso ocorre, o responsável pela agência não pode abri-la e deve informar imediatamente à Superintendência e ao Sindicato”, reforçou.
Com “claros” em várias agências do Estado, sobretudo no interior, os diretores cobraram do banco a realização de concurso para a contratação de novos empregados. “As agências estão funcionando no limite. Essa defasagem de pessoal sobrecarrega os empregados. Muitos estão adoecendo por causa do estresse”, relatou Goretti.
A superintendente disse que não há previsão de realização de novo concurso. Ana Paula alegou que o BB, em outubro passado, exigiu o retorno ao trabalho de cerca de 2 mil empregados que estavam em licença interesse (não remunerada). Dérik lembrou que no ES apenas cinco empregados se apresentaram ao banco. “Esse número é irrisório para cobrir os ‘claros’ que temos hoje. O que soluciona o problema da defasagem de pessoal é a realização de concurso”, frisou o dirigente sindical.
Embaixo d’água
O Sindicato também cobrou da Superintendência uma solução para a agência de Viana, que tem sofrido com problemas de enchentes. Segundo Goretti, as chuvas fortes que castigaram o Estado no final do ano passado alagaram novamente a agência. Sobre a demanda, a superintendente Ana Paula afirmou que a remoção da agência já foi solicitada.
“Sempre que chove mais forte, a agência é invadida pelas águas. Além de ser uma unidade muito vulnerável no quesito segurança por estar localizada às margens da BR 101. É preciso mais celeridade no processo de remoção da agência de Viana. O Sindicato vai encaminhar a demanda à direção do banco”, disse Goretti.

