O Bradesco anunciou nessa quarta-feira (5) os resultados de 2019: lucro líquido de R$ 22,6 bilhões. Só no quarto trimestre do ano passado o valor chegou a R$ 6,645 bilhões, uma alta de 14% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
“Para se ter uma ideia do que representa esse resultado, o lucro do Bradesco é equivalente a renda de cerca de 2 milhões de trabalhadores. Isso quer dizer que essas famílias viveram durante um ano com o que o dono do Bradesco teve de lucro em 2019”, compara o diretor do Sindicato dos Bancários/ES Fabrício Coelho. Ele usa como referência a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnadc) do IBGE (dados de 2018). O levantamento apontou que a renda média mensal de 60% dos trabalhadores (54 milhões empregados com carteira assinada ou na informalidade) foi de R$ 928, inferior a um salário mínimo.
Segundo Fabrício, a rentabilidade do patrimônio líquido do Bradesco o transforma em duas ou três novas empresas num período de cinco anos. Ao incorporar o HSBC, transação concluída em 2016, o Bradesco, com a união das operações, aumentou o valor total de seus ativos em 15,9%, ou R$ 175 bilhões.
“É preciso olhar para este resultado e fazer uma reflexão. Estamos vendo a desigualdade e a miséria amentarem. Que modelo de sociedade queremos? Vivemos num país que retira direitos dos trabalhadores, justamente dos que têm menos, e concentra cada vez mais renda nas mãos das elites”, protesta Fabrício.
O dirigente sindical acrescenta que apesar do resultado, o Bradesco segue fazendo demissões disfarçadas de PDV, incrementando mudanças tecnológicas, na mesma tendência dos outros bancos, com intuito de reduzir seus quadros de funcionários. “Não nos surpreende que o banco feche mais agências este ano e corte empregados”, adverte.
Fabrício afirma que o Sindicato vai continuar lutando para mostrar para a sociedade essas contradições dos grandes bancos que só querem lucrar e não dão contrapartida alguma para a sociedade. “Com ou sem crise com inflação alta ou baixa, os bancos seguem multiplicando lucros. Eles são indiferentes à miséria, ao desemprego, à desigualdade e a todas as outras mazelas de um país capitalista, periférico e vassalo do capital internacional”, finaliza o dirigente sindical.
(Atualizada em 13/02/2020 – às 16h39. Texto anterior informava que o lucro do Bradesco em 2019 foi de R$ 25,8 bilhões. Na verdade, esse foi o lucro recorrente. O lucro líquido contábil do banco foi de R$ 22,6 bilhões)








