Itaú registra maior lucro da história: R$ 28,3 bilhões

12/02/2020 17:06

Ganho cresceu 10,2% em relação a 2018; Santander e Bradesco também apresentaram aumento no lucro líquido em 2019, respectivamente, R$ 14,5 bilhões e R$ 22,6 bilhões

Com o PIB minguado na casa de 1% em 2019, taxa de desemprego beirando os 13 milhões de trabalhadores, forte retração do consumo e consequente estagnação da atividade industrial e do setor de comércio e serviços, há um segmento alheio à crise que não tem do que reclamar, ao contrário. Sob o Governo Bolsonaro, os lucros dos bancos vão muito bem obrigado.

Dos três grandes bancos privados, o Itaú foi o último a anunciar seus resultados de 2019: lucro líquido recorde de R$ 28,3 bilhões. O recorde anterior pertencia ao próprio Itaú: R$ 27,6 bilhões apurados em 2015. O resultado de 2019 supera o do Bradesco (R$ 22,6 bilhões) e do Santander (R$ 14,5 bilhões). O lucro líquido do Itaú cresceu 10,2% em relação a 2018. Bradesco e Santander, respectivamente, registraram crescimento nos lucros de 20% e 17,4%, superiores ao ano anterior.

Apresar dos lucros nas alturas, os três maiores bancos privados, intensificaram os cortes de empregados e o fechamento de agências em 2019. Juntos, fecharam 430 agências e desligaram quase 6.923 funcionários no ano passado. Para o diretor do Sindicato dos Bancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), as medidas de corte de pessoal e fechamento de agências comprovam que os bancos privados são insensíveis aos problemas sociais do país e só estão preocupados mesmos em multiplicar lucros para dividi-los com seus acionistas.

“Fechar agências é fechar postos de trabalho. Isso é uma irresponsabilidade em país com quase 13 milhões de desempregados. Fechar agências é também um desrespeito com a população brasileira, sobretudo os mais pobres, que vivem em regiões que financeiramente não interessam aos bancos”, critica Carlão. Ele cita um recente levantamento feito pelo jornal O Globo, que apontou a ausência de agência bancária em 427 municípios desde 2013. A reportagem do jornal carioca aponta que dois em cada cinco municípios estavam nessa situação no final do ano passado.

“Todos nós sabemos que o encolhimento da rede física reduz o acesso da população a serviços bancários como saques, empréstimos e poupança. Os mais pobres acabam sendo os principais penalizados dessa política elitista dos bancos”, afirmou Carlão.

A exclusão de uma parcela importante da população do sistema bancário pode ser confirmada por um levantamento feito pelo Instituto Locomotiva. De acordo com levantamento feito em 2019, 45 milhões de brasileiros ainda não possuíam conta em banco.

(Atualizada em 13/02/2020 – às 14h19. Texto anterior informava que o lucro do Bradesco em 2019 foi de R$ 25,8 bilhões. Na verdade, esse foi o lucro recorrente. O lucro líquido contábil do banco foi de R$ 22,6 bilhões)