A ANABB promoveu nessa sexta-feira, 6, em Brasília, um debate entre os candidatos ao cargo de Diretor de Planos de Saúde e Relacionamento com Clientes das três chapas inscritas para as Eleições da Cassi 2020. O debate, transmitido em tempo real pelo site e pelas redes sociais da ANABB (disponível abaixo), permitiu que os candidatos Fernando Amaral (Chapa 2 – Em Defesa da Cassi Solidária), Cláudio Said (Chapa 4 – Viver Cassi) e Carlos Flesch (Chapa 6 – Todos pela Cassi) apresentassem suas propostas e respondessem às perguntas previamente encaminhadas pelos empregados do Banco do Brasil e associados da Cassi.
A Sindicato dos Bancários/ES apoia a candidatura de Fernando Amaral (Chapa 2) para diretor de Planos de Saúde e Relacionamento com Clientes e a Chapa 77 para o Conselho Fiscal. Os eleitos nos conselhos Fiscal e Deliberativo cumprirão mandatos de 1º de junho de 2020 a 31 de maio de 2024. A votação ocorrerá das 9 horas do dia 16 de março às 18 horas de 27 de março.
Debate
O debate, com duração de 90 minutos, foi dividido em quatro blocos. Nos três primeiros os candidatos responderam às perguntas dos empregados do BB e associados, que haviam sido previamente encaminhadas à ANABB. No quarto e último bloco os candidatos tiveram oportunidade de fazer perguntas entre si com direito a réplica e tréplica.
Acompanhe abaixo as propostas dos candidatos para alguns temas.
Sustentabilidade da Cassi
Fernando Amaral: “Esse é o desafio que está abrangendo a preocupação de todos nós hoje. Entendemos que temos um modelo extremamente positivo que nos garante estar ajustando nosso comprometimento de renda a cada mais de 20 anos: 26, 26 e 24 anos. Temos um modelo ideal. Fizemos um grupo de trabalho dentro da Cassi com grupo atuarial e com a área financeira da Cassi, que aprontou a necessidade, em novembro de 2018, de arrecadarmos o equivalente a 14% da folha do banco para garantirmos a perenidade a sustentabilidade da Cassi. Não só para pagarmos as despesas anuais, mas para também reconstituir as reservas obrigatórias e fazer as reservas livres, que são necessárias para investirmos em tecnologia, no avanço da estratégia de saúde da família para todo o país e nas parcerias para podermos discutir atenção primária de trabalho”.
Princípio da solidariedade
Carlos Flasch: “Nosso entendimento é que o princípio da solidariedade deve ser mantido o máximo possível, os que ganham mais, pagam mais; os que ganham menos, pagam menos. Todos têm o direito à assistência à saúde, conforme as necessidades que cada um precisa. Esse é foco de trabalho. Agora, para atingir esse objetivo é preciso fazer muita coisa. A Cassi se apresenta hoje desorganizada em vários pontos. É preciso melhorar processo é preciso modernizar. Nós vamos brigar por isso, vamos lutar por isso. Porque entendemos que somente com uma gestão profissionalizada e focada em todos esses aspectos é que conseguiremos fazer com que a Cassi realmente seja solidária, que cumpra sua função de atender o associado de forma igualitária e com a necessidade que cada um precisa para sua saúde”.
Sigilo de dados
Cláudio Said: Acredito que você “[à autora da pergunta] esteja se referindo a lei geral de proteção de dados, que prevê que dados de saúde são considerados sensíveis e exigem sigilo e somente podem ser repassadas com autorização do titular. Os mecanismos próprios da administração da Cassi, orientando todos os seus funcionários e tomado medidas no âmbito dos controles internos para restringir a saída de informações que são dessa natureza para qualquer órgão ou espaço fora do ambiente da Cassi. A Cassi já detém hoje mecanismos bons de controle internos e pode tranquilamente garantir ao associado a manutenção do sigilo das informações que estão em seu poder”.
Sobrevivência financeira da Cassi
Fernando Amaral: “Pergunta extremamente pertinente que nos permite desfazer uma confusão que existe. Muita gente entende que o problema da Cassi poderia se resolver reduzindo a despesa a sua administrativa. A despesa administrativa da Cassi hoje gira em torno de 8% da sua despesa total. A média do mercado é 10,5%. Nós já temos hoje um índice bastante baixo, o que significa que não estamos gastando nem o necessário para atualizarmos as nossas tecnologias, para aperfeiçoarmos os processos como todos entendemos que é necessário não só agora, mas permanentemente numa instituição. É importante que a gente saiba como se forma o preço num plano de saúde. Você calcula qual o custo de todo mundo de zero a 18 anos, que são nossos dependentes. Calculamos de 18 anos até o final da vida o custo de todas as pessoas por faixa etária e ao receber esse montante, cerca de 3 bilhões de reais, eu tenho três modelos para rateio. Um deles se divide por dependente, que se todo mundo contribuir o valor que lhes cabe arrecada os 3 bilhões de reais; o outro modelo por faixa etária, que eu cobro o preço por faixa etária de cada um para chegar também aos mesmos 3 bilhões de reais; ou, no caso das autogestões, tendo 3 bilhões de reais e tendo uma folha de 30 bilhões de reais, eu dizendo que cobra 10% de todo mundo e arrecado os mesmos 3 bilhões de reais. O problema é qual modelo me garante ter acesso à saúde pela vida toda. Nem todo mundo consegue pagar o plano de saúde por faixa etária, porque quanto mais velho não significa que mais você ganha. Pagar por dependente vai depender de como o pessoal de cada família tem de renda para poder se sustentar. Quando a gente discute a faixa de renda, essa é uma vantagem comparativa que nós não podemos abrir mão de jeito nenhum. O mercado não pode usar isso, porque só quem pode usar isso é quem tem todos os usuários vinculados a uma mesma fonte pagadora, que é o nosso caso”.
Possibilidade de nova negociação com o BB
Carlos Flasch: “A gente saiu recentemente de um aporte depois de uma longa discussão com o patrocinador. Foram quatro anos de idas e vindas de negociações. A gente sabe o quanto que foi difícil conseguirmos, no finalzinho do segundo tempo, aprovar uma proposta para os associados que desse um pouco mais de perenidade para a Cassi, principalmente tendo a ANS lá dentro nos acompanhando e fazendo a direção fiscal. Eu não acredito, para responder à pergunta, que o patrocinador agora vai querer fazer uma nova rodada de negociação e aumentar o seu aporte. Agora, acredito que se nós nos organizarmos, se a Cassi começar a se organizar, se profissionalizar, se modernizar, aproveitar os recursos que entraram agora, ela pode sim dar um salto de qualidade. A Organização Mundial de Saúde [OMS] é tachativa em seus estudos e pesquisas e aponta: 30% de todo o gasto de saúde é desperdício, é fraude. A Cassi arrecada em torno de 5 bilhões de reais. Ano; 30% disso é um milhão e meio é mais. É mais que o aporte que a gente teve agora com o patrocinador. É possível sim a gente sair de uma solução delicada que está, viabilizar a Cassi, conseguir avançar nos pontos que precisamos. Modernizar o que é necessário também no parque tecnológico, principalmente central de atendimento, também no autorizador. E com isso a gente vai conseguir dá uma estabilidade e aí sim, vamos partir de novo para procurar patrocinador para melhorar as nossas condições. É necessário sim o enfrentamento com o patrocinador. Agora, isso tem que ser feito no foro adequado. Na Cassi o foco é o associado”.
PAF-Limaca
Cláudio Said: “A primeira coisa a colocar é que não se trata de um benefício, se trata de um programa de saúde, uma política de saúde. Ele previne ocorrências futuras. É importante para a Cassi para garantir a sustentabilidade no futuro. Não há dúvida que o PAF deve continuar, deve ser revisto permanentemente, deve ser aprimorado, deve buscar dar ao associado o conforto necessário para que ele tenha qualidade na atenção à saúde. A respeito de transparência e de justificativas para as mudanças, a Cassi precisa não apenas em relação ao programa de atenção farmacêutica, mas em todas as suas questões, coberturas, e questões internas inclusive, primar por mais transparência e por mais discussão com o associado. Nós temos um elemento importantíssimo de transparência, discussão e exercício da democracia que é o Conselho de Usuários em cada um dos 27 estados da Federação. Usamos pouco essas pessoas, fazemos poucos debates e também utilizamos muito pouco as redes sociais, a internet e o App [aplicativo] para divulgar informações. Cassi precisa fazer um esforço para melhorar a relação com associado, ser mais transparente e efetiva na comunicação”.
Investimento em tecnologia
Fernando Amaral: “[em menção à pergunta]. A sua pergunta também faz provocar todos os nossos associados a refletirem sobre a situação que nós acabamos de estar enfrentando neste momento. Em primeiro lugar, quando a gente discute que é necessário investir, qualquer empresa investe quando tem reservas. Recebemos um aporte de 1 bilhão de reais recentemente e no momento, a discussão que foi divulgada pelo nosso presidente da Cassi na semana anterior ao Carnaval, é de que se não cortarmos 400 milhões de reais a cada ano, nos próximos três anos, um bilhão e duzentos milhões reais, aquela projeção de que poderíamos levar para o equilíbrio, não é a reconstituição de reserva, até 2023, não se concretiza. O acordo que a gente fez significa um aporte extraordinário vinculado à folha do banco de aproximadamente 11,9% quando a própria Cassi disse que precisa de 14%. Nós não fizemos um acordo que nos garante que a gente possa fazer investimento, mas o que precisamos fazer você [autor da pergunta] já apontou: investir na informatização, investir no processo de criação de possibilidade para estratégia de saúde da família chegar no interior e garantirmos o atendimento onde nós não temos credenciados e nem sistemas para poder garantir a todos o acesso ao mesmo tipo de atendimento. Estamos enfrentando um momento que pode nos obrigar a estar discutindo dentro de um e dois anos um novo entendimento com o banco, que é fundamental a partir de agora para todos nós, qualquer um que esteja na Cassi, de fato, represente o associado. Para que a gente possa sentar e debater de igual para igual. Não como subordinado do banco, aceitando simplesmente os limites dele [banco] no momento em que ele discute a possibilidade de privatização da própria instituição”.
Rede de credenciados
Carlos Flasch: “[Referindo-se à pergunta] Essa é uma preocupação de todos nós associados. É necessário que a gente faça uma revisão, um acompanhamento, para ver o que tem acontecido com a nossa rede de atendimento. Sabemos que a situação da Cassi nos últimos anos com os déficits constantes, também impacta, prejudica. A Cassi teve de fazer determinados movimentos para reduzir a sua rede em alguns determinados pontos, algumas vezes por causa de fraude, cobranças indevidas, mau atendimento…Mas é necessário que a gente se debruce sobre o problema, avalie a rede que possuímos hoje, que é uma das maiores do país. A gente quer verificar de perto o que está acontecendo, fazer um grande diagnóstico para poder aproximar da realidade que ocorre em cada lugar. Temos rede suficiente às vezes nas capitais, nos grandes centros, mas no interior a gente sabe. Convivi muito com isso quando fui regional em Minas Gerais. Temos a questão da Unimed que também nos impede de fazer o credenciamento direto com o associado. E a gente teve que enfrentar isso com muita delicadeza, muita presteza e muitas sutileza. Se você comprar a briga às vezes é pior”.
Coparticipação
Cláudio Said: “Coparticipação não pode ser encarada como receita. Muito menos como uma fonte de redução de despesas. Existe na literatura médica uma discussão muito grande a respeito da coparticipação como um inibidor do uso. Sabemos que até determinado patamar ela funciona um moderador, a partir deste patamar ela passa a funcionar como um inibidor do bom uso, aquele que previne, que promove a saúde. Há um risco significativo em se elevar a coparticipação acima do patamar em que ele deixa de ser um moderador para ser um inibidor do uso. Nossa proposta concreta é de trazer os percentuais de coparticipação aos percentuais que eram aplicados em 2018, antes do aumento. Porque sabemos que a partir daí existe um risco. E também porque a coparticipação não garantirá a sustentabilidade da Cassi”.









