Desde o anúncio da Organização Mundial de Saúde (OMS), no último dia 11, que classificou o coronavírus como pandemia, os bancos têm anunciado procedimentos para prevenir a propagação do vírus entre empregados e clientes. A cada dia os bancos publicam novos procedimentos, alegando que as atualizações acompanham o desenvolvimento do vírus. “Na teoria é uma coisa, mas na prática a realidade tem mostrado uma situação bem distante do que está no papel. Os empregados estão expostos ao vírus, o que já é perturbador, e ainda estão sujeitos à ira dos clientes, que acabam descarregando todo o estresse do momento em quem está na linha de frente”, afirma Thiago Duda, diretor do Sindicato dos Bancários/ES.
A situação de vulnerabilidade de bancários e bancárias pôde ser confirmada na agência Pio XII do Banco do Brasil, no Centro de Vitória (foto acima). Por volta de meio-dia desta quinta-feira, 19, mais de 20 pessoas se aglomeravam em uma fila do lado de fora da agência. Os clientes aguardavam que o funcionário os chamassem, obedecendo o esquema de contingenciamento adotado pelo BB, que limitava a permanência dentro da agência de no máximo nove clientes. Na parte interna da unidade, onde ficam os caixas eletrônicos, outras 18 pessoas aguardavam o atendimento nas mesas ou nos caixas.
“Esse princípio de tumulto que houve na agência Pio XII tem se repetido em outras unidades e outros bancos. O contingenciamento não está funcionando na prática. Por isso o Sindicato pede o fechamento imediato das agências. Essa questão de fechar ou não as agências lembra aquele dilema ‘Tostines’: tem demanda porque as agências estão abertas ou as agências estão abertas e por isso tem demanda”, questiona. Duda diz ainda que os empregados estão fazendo o possível para atender aos clientes da melhor maneira. “Vimos hoje os empregados recorrendo à criatividade e tendo que improvisar para dar conta do atendimento. Mas são soluções paliativas. Os empregados, na prática, estão entregues à própria sorte pela direção do banco. A melhor solução é o fechamento das agências”, reafirma Duda.
O dirigente sindical acrescentou que os bancos precisam entender que estamos enfrentando uma das mais sérias pandemias da história da humanidade e que, neste momento, todos precisam ser solidários. “Os bancos precisam entender que chegou a hora de eles também darem a sua contrapartida para a sociedade. Não dá para ganhar sempre. A economia toda passa pelos bancos e eles só querem os bônus. Precisam entender que também a ônus. Não é possível que a obsessão por lucro prevaleça num momento tão sério como esse, que põe em risco a vida de empregados e clientes”, adverte Duda.


