O Sindibancários/ES, em conjunto com outras organizações do movimento sindical da categoria, publicou nesta terça-feira, 07, nota repudiando as recentes e reincidentes declarações do presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, que passou a defender inadvertidamente o fim do isolamento social e a retomada imediata da atividade econômica, ignorando as orientações de isolamento social das organizações de saúde.
Para os grupos que assinam o documento, a posição de Novaes parte de um pressuposto: “há aqueles que podem morrer, e devemos deixá-los morrer. O único a ser salvo sempre é o mercado”. Leia a íntegra do documento.
Nossas vidas importam
Fora Bolsonaro! Fora Rubem Novaes!
Os bancários e as bancárias repudiam de forma veemente as declarações do presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, que nas últimas semanas fez ao menos três ataques à quarentena contra o coronavírus.
Novaes externou o desejo de que a Covid-19 contamine “o quanto antes” os 70% da população que serão atingidos pelo coronavírus para que a economia possa ser retomada mais rapidamente. Em 31 de março, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o presidente do BB fez críticas ao isolamento horizontal, afirmando que “a ciência médica é tão ou mais imprecisa que a ciência econômica” e, no momento, a ciência econômica indica que permanecer em isolamento pode provocar efeitos piores que o da própria pandemia. Dois dias depois, voltou à ofensiva, replicando nas suas redes sociais vídeo em que uma apoiadora do governo pede a reabertura do comércio. Questionado sobre a publicação, ele afirmou: “governadores e prefeitos impedem a atividade econômica e oferecem esmolas, com o dinheiro alheio. Esmolas atenuam o problema, mas não o resolvem. As pessoas querem viver de seus próprios esforços”.
A fala do presidente do BB endossa a posição irresponsável do presidente da República, Jair Bolsonaro, que tem desafiado todas as estatísticas de contaminação e os riscos oferecidos pelo coronavírus ao defender o fim da quarentena e do isolamento social como medidas preventivas. Mais do que isso, tal posição segue uma máxima: há aqueles que podem morrer, e devemos deixá-los morrer. O único a ser salvo sempre é o mercado.
No dia em que a declaração de Novaes foi publicada pela Folha, a epidemia no Brasil somava 5.717 casos de contaminação e 201 mortes. Os dados mais recentes, de 6 de abril, indicam 12.161 contaminados e 564 mortos. Os números avançam de forma veloz e destrutiva.
Os dados de contágio (possivelmente subdimensionados, há que se destacar) podem soar frios. Tão frios quanto as declarações de Novaes, porque escondem os nomes, rostos e histórias daqueles que se despediram precocemente, além, é claro, das dores dos que ficaram sem seus entes queridos.
A crise da saúde se soma à crise política e econômica que já vivíamos no Brasil, acirrando suas contradições e consequências. As medidas econômicas adotadas pelo governo são, deliberadamente, insuficientes para amenizar os impactos da pandemia.
Sob o comando de Bolsonaro e Novaes, o Banco do Brasil abre mão, ao contrário do que preconiza sua função pública, de ser agente do desenvolvimento socioeconômico, contribuindo com políticas sociais que poderiam dar suporte à população nesse momento tão grave. Opera, nesse sentido, como banco privado, focado apenas no lucro.
Precisamos proteger as vidas dos funcionários, de seus familiares e dos clientes. Para que o lucro não prevaleça sobre a vida, como querem Bolsonaro e Novaes, é preciso garantir o direito à quarentena, com manutenção de salários e empregos para todos os trabalhadores.
Nosso bem maior é a vida. O desprezo manifesto pela autoridade presidencial e seu subordinado no Banco do Brasil à população brasileira, sobretudo aos trabalhadores – parcela mais vulnerável de nosso povo –, não pode vencer.
Os bancários e as bancárias, em conjunto com os demais trabalhadores brasileiros, não se calarão. É hora de dizer, em alto e bom som, que nossas vidam importam.
A vida vale mais que o lucro.
Fora Bolsonaro! Fora Rubens Novaes!
20 de abril de 2020
Sindicato dos Bancários/ES
Bancários Podem Mais
Travessia Bancária
Resistência/PSOL
MNOB – CSP Conlutas
Bancários do Mover
Intersindical Bancária CE








