41º Conecef: manifesto é um basta à violência e ao assédio

18/06/2026 10:56

Documento reafirma o compromisso das federações e entidades sindicais com o respeito, a dignidade e a justiça

 

A 41º edição do Conecef foi aberta oficialmente na tarde desta quarta-feira (17) em São Paulo, reunindo empregados e empregadas da Caixa Econômica de todo o país. Na abertura dos trabalhos, foi apresentado o Manifesto de Tolerância Zero para os Casos de Violência e Assédio. O documento repactuou o compromisso das federações e entidades sindicais com o respeito, a dignidade e a justiça. “Se queremos nos desfazer do problema da violência e o assédio nos lugares de trabalho, reuniões e na sociedade, primeiro devemos estabelecer um modelo a seguir na nossa organização. O assédio cria sentimentos de temor, desconforto, humilhação e incômodo”, diz um trecho do manifesto. O documento destaca também que a violência e o assédio designam um conjunto de comportamentos e práticas inaceitáveis, ou de ameaças de tais comportamentos e práticas, já seja manifestada apenas uma vez ou de maneira repetida, que tenham por objeto, que causem ou sejam susceptíveis de causar, um dano físico, psicológico, sexual ou econômico, e inclui a violência e o assédio por razão de gênero.

Na sequência da leitura do manifesto, o dirigente do Sindicato dos Bancários/ES André Tosta falou sobre os desafios da atual conjuntura política para a classe trabalhadora brasileira. Ele destacou a defesa da democracia e o combate sistemático ao fascismo que escala no Brasil. “Devemos nos engajar na reeleição do presidente Lula e lutarmos contra o projeto neoliberal e conservador encabeçado pela extrema direita”.

Defesa da Caixa

André destacou a defesa dos bancos públicos e o papel estratégico dessas instituições para promover o desenvolvimento social e econômico do país. “Este Conecef deve reafirmar a defesa da Caixa 100% pública. Precisamos lutar contra o fechamento de agências, exigir transparência nas reestruturações e garantir que toda mudança organizacional seja debatida com a representação de empregados”.

O Saúde Caixa foi outro ponto destacado pelo dirigente. “Defendemos a manutenção dos princípios do mutualismo e do pacto intergeracional e a retomada do custeio na proporção 70/30”. Ele afirmou que isso só é possível com o fim do teto de 6,5% da folha.

Mais contratações foi a reivindicação apresentada por André em relação às melhorias nas condições de trabalho. “Também devemos defender a redução da jornada de trabalho sem redução salarial e debater novos modelos que promovam a qualidade de vida e a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras”.

André também fez críticas ao polêmico programa Super Caixa. Ele disse que é fundamental denunciar as mudanças unilaterais realizadas pela empresa e “reafirmar a nossa posição crítica aos modelos de remuneração baseados exclusivamente em metas individuais, que estimulam a competição e aumentam a pressão sobre os trabalhadores, contribuindo para o adoecimento da categoria”.

O dirigente ainda falou sobre a urgência de se discutir um novo sistema financeiro, que seja estatal e comprometido com o desenvolvimento econômico e social, e não instrumento do rentismo, do lucro para poucos e da desigualdade social. Aliás, o papel dos bancos públicos foi justamente o eixo central da discussão que aconteceu na sequência do Conecef, com os debatedores Marcello Rodrigues Azevedo e Tadeu Veneri.

Papel estratégico dos bancos públicos no desenvolvimento econômico

O pesquisador Marcello Rodrigues Azevedo fez uma reflexão sobre o papel dos bancos públicos brasileiros, com destaque para a Caixa Econômica, durante o 41º Conecef. Azevedo trouxe o exemplo dos bancos públicos chineses para mostrar que os bancos brasileiros precisam repensar o seu modelo de negócio. O autor do livro “As Finanças do Dragão” detalhou como os bancos chineses foram fundamentais para sustentar o crescimento acelerado da economia, como indutores de políticas estatais.

Ele lembrou que os bancos estatais ajudaram a tirar mais de 800 milhões de chineses da linha da pobreza. Ao contrário de países como o Brasil, onde o processo de privatização de bancos regionais se intensificou sobretudo após os anos 1990, a China expandiu bancos públicos e cooperativas de crédito, mantendo forte presença do Estado e fomentando o desenvolvimento socioeconômico do país. Azevedo, que é doutor em Relações Internacionais (UERJ), pontuou que o sistema financeiro deve servir à economia real e estar comprometido com um projeto nacional de desenvolvimento, o que não ocorre no Brasil.

No fechamento da sua fala, Azevedo provocou os participantes a fazer uma reflexão sobre a atual estrutura brasileira de financiamento. Ele questionou se esse modelo atende às necessidades do desenvolvimento nacional; indagou qual é o efetivo papel dos bancos públicos brasileiros e até que ponto todo o sistema financeiro (público e privado) está comprometido com um projeto de desenvolvimento econômico e social para o país. “A experiência chinesa não deve ser copiada mecanicamente. Cada país tem sua realidade. Mas ela demonstra que é possível construir um sistema financeiro comprometido com objetivos de desenvolvimento nacional. Essa talvez seja a principal reflexão que precisamos fazer no Brasil neste momento”.

Fortalecimento dos bancos públicos e defesa dos empregos

Antes da fala de Azevedo, foi o deputado federal Tadeu Veneri (PT-PR) que abriu a rodada de debates desta tarde. O parlamentar também destacou a importância dos bancos públicos para o desenvolvimento socioeconômico do país. “Além de mantermos a Caixa e o Banco do Brasil públicos, precisamos defender os empregos e fortalecer o papel que essas instituições cumprem para o desenvolvimento do país”, afirmou. “Precisamos retomar o debate do papel dos bancos públicos”, insistiu.

Mobilização social

Veneri alertou para o fato de o atual Congresso Nacional não representar integralmente os interesses dos trabalhadores. O deputado enfatizou que as grandes conquistas da classe trabalhadora sempre ocorreram quando houve organização e mobilização social. “É a mobilização popular que cria as condições para avançar”.

O deputado avaliou ainda que as mudanças demográficas, o envelhecimento da população e o distanciamento crescente das pessoas em relação aos processos eleitorais impõem novos desafios para os movimentos sociais e sindicais. “As eleições já não encantam como antes. Ao mesmo tempo, estamos diante de mudanças profundas na composição da sociedade. Isso exige novas formas de organização e diálogo com a população”, afirmou.

Ele ainda advertiu à categoria bancária: “Não podemos ficar isolados, senão seremos derrotados. Veneri disse que os bancários precisam se unir com outras categorias da classe trabalhadora”.