Sindicato cobra de Superintendente medidas de proteção a bancários da Caixa

23/04/2020 18:42

Filas no exterior das agências, distribuição de equipamentos de proteção para empregados e clientes e convocação voluntária de bancários para trabalhar nas agências estiveram entre os pontos de pauta

O Sindicato dos Bancários/ES se reuniu na manhã desta quinta-feira, 23, com o Superintendente Regional da Caixa Econômica Federal, Denis Mendes de Melo Matias, para discutir as condições sanitárias das agências e a segurança dos bancários em meio à pandemia do coronavírus. Na pauta, o Sindicato tratou das aglomerações e filas no exterior das agências, do horário de atendimento, da distribuição de equipamentos de proteção para empregados e clientes e do novo programa do banco que convoca bancários em home office para o retorno voluntário às agências.

Além do Superintendente Regional e dos diretores do Sindicato Rita Lima, Giovanni Riccio, Renata Garcia e Igor Bongiovani, acompanharam a reunião representantes da Associação dos Gerentes da Caixa, sete superintendentes estaduais de Varejo, e os superintendentes de Governo e de Habitação da Caixa.

Filas nas agências

A grave situação de aglomeração em frente às agências para recebimento dos programas sociais e do auxílio emergencial foi ponto de destaque. O Sindicato reiterou reivindicação de que os empregados não atendam do lado de fora das agências e que o banco crie alternativas para fazer a triagem de público, incluindo contratação de equipe especializada e agendamento dos atendimentos.

Matias informou que já está autorizado a contratar equipes para montar postos de vigilância que irão auxiliar no controle das filas, orientando os clientes sobre o distanciamento e a importância do uso de máscaras. As contratações, no entanto, alcançariam apenas 27 agências, número considerado insuficiente pelo Sindicato.

“Temos 82 unidades da Caixa no Estado, e todas as agências, em maior ou menor proporção, enfrentam esse problema. O lugar de trabalho dos bancários não é na calçada, e sim dentro da agência”, ressaltou a diretora Rita Lima.

O diretor Igor Bongiovani também ressaltou o fato de os bancários não terem autonomia para atuar fora das agências, se submetendo inclusive a risco de agressão verbal ou física por parte dos clientes, além do risco de contágio. “Nós não temos autonomia para atuar fora da agência. Muitas vezes, as filas se estendem por 100, 200 metros. E quando o bancários se posicionam para dar orientações, as pessoas se aglomeram. Esse controle e orientação deve partir da Caixa, com o apoio do poder público”, diz.

Matias salientou que, no momento, não tem condições de atender plenamente a reivindicação do Sindicato, mas se comprometeu a fazer os esforços necessários para ampliar as medidas. O Sindicato lembrou ainda da importância de que os vigilantes contratados receberam todos os equipamentos necessários para trabalhar em segurança.

Máscaras

A reivindicação de uso obrigatório de máscara para clientes foi refutada pela Caixa. Segundo o Superintendente, a interpretação do jurídico do banco é que a Caixa não pode impedir a entrada de pessoas sem máscara sem que haja previsão legal. Para o Sindicato, a posição do banco é incoerente, já que a empresa tem autonomia para fixar as regras de entrada no estabelecimento, como acontece, por exemplo, com a proibição de circulação de pessoas sem camisa no interior das agências. O Sindicato lembrou ainda que o uso de máscara em estabelecimentos comerciais de prestação de serviço é uma determinação do governo estadual. Alguns municípios do Estado, como Cachoeiro de Itapemirim e Linhares, já tornaram obrigatório o uso do equipamento também em áreas públicas ou qualquer ambiente compartilhado, público ou privado.

“O bancário não é imune ao coronavírus. Portanto, enquanto agente público, a Caixa precisa seguir a determinação de uso de máscara, inclusive para clientes. O banco não pode ser omisso”, completa o diretor do Sindicato Igor Bongiovani.

Ao ser questionado, Matias respondeu que acionará o jurídico da Caixa para obter novo parecer e analisar a possibilidade.

Programa Quero Atender

O Sindicato também criticou o novo programa do banco, “Quero Atender”, que convoca bancários em home office a se voluntariarem para retornar ao trabalho nas agências. Para a entidade, o banco pretende que os empregados assumam por si o risco de contágio.

A narrativa adotada na campanha também foi condenada. O banco faz apelo para que bancários se sensibilizem com o papel de Caixa de apoio à sociedade no enfrentamento à pandemia de coronavírus.

“Os empregados da Caixa não são heróis, são trabalhadores, e também estão sob risco. Não existem aqueles mais ou menos comprometidos com a função social da Caixa. Como empregados públicos, atender a população é parte das suas atribuições, é a razão do seu trabalho. Nenhum empregado jamais se furtou de cumpri-la, mas como trabalhadores eles precisam ter seu direito à segurança e à saúde garantidos”, salienta Rita Lima.

A diretora completa que o atendimento aos programas sociais e emergenciais não justificam a quebra do contingenciamento de empregados nas agências, uma vez que a medida é recomendação das autoridades públicas e de saúde; e que o banco deve adotar outras medidas para otimizar o atendimento, como melhorias no cadastro social, investimento em tecnologia para funcionamento adequado dos recursos digitais disponíveis à população e agendamento dos atendimentos.

O Superintendente da Caixa garantiu que não haverá pressão para que os empregados se voluntariem para voltar às agências, e que a orientação já foi passada aos gestores. O Sindicato pede que qualquer manifestação de assédio nesse sentido seja denunciada à entidade e lembra que o cuidado com o isolamento social deve ser reforçado, por isso, os bancários não devem aderir ao programa.

Distribuição de senhas

O Sindicato também tratou na reunião da necessidade de antecipar a distribuição de senhas de atendimento nas agências, que estão funcionando em horário especial – das 8 às 14 horas ou das 9 às 15 horas.

Isso porque a distribuição de senhas até o limite do horário de funcionamento tem sobrecarregado as unidades, impondo aos empregados o cumprimento de horas extras diariamente para finalizar os atendimentos já previstos. O Sindicato também solicitou que fosse feito rodízio entre as agências que estão escaladas para fazer o atendimento especial e revezamento das equipes de trabalho.

Sobre a distribuição de senhas, o superintendente negou a possibilidade de antecipar o fim da distribuição das senhas, mas disse que estudaria um padrão para ser implementado nas unidades da Caixa durante o período da pandemia.

Sindicato quer respostas efetivas

Para o Sindicato, os gestores da Caixa foram receptivos às reivindicações apresentadas, mas a entidade espera ver mudanças efetivas para garantir as condições de trabalho dos empregados. “É isso o que vai demonstrar o grau de comprometimento da Caixa com a pauta dos trabalhadores”, afirma Rita, alertando que outras medidas podem ser adotadas caso não sejam tomadas providências por parte do banco.