A Crefisa demitiu na semana passada 20 dos 62 empregados que tinha no Espírito Santo. Em nível nacional, há informações não oficiais de que as demissões giram em torno de 537 pessoas. O Sindicato vai buscar a Justiça do Trabalho para tentar a reintegração dos trabalhadores com base nos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e valor social do trabalho, especialmente neste momento difícil de enfrentamento ao novo coronavírus.

“É uma barbaridade! Desumano o que a Crefisa fez. No meio de uma pandemia, um setor que lucra tanto, demitir 30% das pessoas, sem motivo justo?”, questiona o diretor do Sindicato Fabrício Coelho. Ele lembra que “os milionários contratos de patrocínio, como os de futebol, por exemplo, seguem”. Fabrício Coelho destaca que “apenas o contrato de um dos jogadores de um clube patrocinado pela Crefisa pagaria o salário dessas mais de 500 pessoas por seis meses. Mas o sustento dessas famílias, foi retirado. Vergonha social!”.

A demissão em massa vem após os trabalhadores terem sido expostos ao risco de contaminação trabalhando sem equipamentos de proteção individual em meio à pandemia. De acordo com uma das trabalhadoras demitidas, cuja identidade será preservada, mesmo com a indicação de isolamento social e funcionamento apenas de serviços essenciais, a Crefisa manteve suas lojas abertas. “Trabalhamos normalmente, cumprindo as metas, fazendo empréstimos presencialmente e online. Tudo normal, apenas as portas abertas. Os clientes que não têm acesso à internet continuaram indo à loja”, contou.

Segundo ela, um dos clientes, inclusive, dias após ir à loja, apresentou sintomas da covid-19. A filha dele ligou para loja avisando, mas nenhuma providência foi adotada pelo gerente da loja. “A Crefisa só fornecia álcool em gel. Máscaras, compramos com nosso dinheiro. E os clientes estavam indo à loja sem proteção. Ficamos nas mãos de Deus somente”, afirmou.