Não é segredo para ninguém que as privatizações sempre estiveram no topo da lista de prioridades do governo Bolsonaro. O ministro da Economia, Paulo Guedes, não é de hoje, não esconde sua obsessão em se livrar das empresas públicas o mais rápido possível e encolher o Estado, como preconiza a política ultraliberal. Na semana passada isso ficou mais explícito com o vazamento da reunião ministerial que é alvo da queda de braço entre o presidente Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, que virou investigação na Procuradoria Geral da República (PGR).
Na reunião que está sob investigação, Guedes defendeu a privatização do Banco do Brasil de maneira incompatível com a liturgia do cargo de ministro de Estado. Como se a instituição fosse um grande estorvo para o governo, Guedes disparou: “É preciso vender logo a porra do Banco do Brasil”. Em seguida, Guedes desqualificou o banco, dizendo que o BB estava tecnologicamente atrasado em relação aos concorrentes.
Para o diretor do Sindicato dos Bancários/ES e dirigente nacional da Intersindical, Idelmar Casagrande, Guedes desrespeitou a instituição e os empregados, além dos milhares de clientes do banco. Segundo o dirigente, a fala de Guedes vai além da privatização do BB. “Ele ataca a imagem das empresas públicas para justificar as privatizações”.
Idelmar acrescenta que tentar forçar a pauta de privatizações no momento em que o Brasil enfrenta a pior crise de saúde pública dos últimos 100 anos evidencia as contradições deste governo. “Esse debate não cabe num momento como esse. O foco deve ser nas vidas. Os fatos vão justamente na contramão desse movimento do governo pró-privatização. A pandemia está mostrando à sociedade o contrário: a importância das empresas públicas e do SUS neste momento de crise. A Caixa Econômica e o Banco do Brasil ratificam o quanto o papel social dos bancos públicos é essencial para a população de maneira geral, sobretudo para os menos favorecidos. Mais de 290 mil pessoas já foram infectadas pela covid-19 e outras 18 mil já morreram [dados de 20/05/20]. Os números são assustadores, mas como estaria a situação da pandemia no Brasil sem o SUS?”, questiona o dirigente.
Centrão
A imprensa repercutiu nessa terça-feira, 20, que aproximação de Bolsonaro com os partidos do chamado centrão poderia aumentar a pressão para acelerar o processo de privatização em meio à pandemia. Corre nos bastidores da política que Guedes estaria disposto a entregar cargos ao centrão em troca de apoio dos novos aliados à agenda de privatização.
Na avaliação de Idelmar, usar o centrão como elemento de pressão é conveniente para o governo tentar “terceirizar” a responsabilidade das privatizações para o Congresso. Ele diz que a venda ou fatiamento de empresas como o BB e a Caixa é uma agenda apoiada por Bolsonaro. “Não fosse, ele não teria colocado à frente da Economia e de empresas da importância da Caixa e BB gestores assumidamente privatistas”, critica o dirigente, se referindo, respectivamente, a Guedes, Pedro Guimarães e Rubem Novaes.
Idelmar reafirma que o debate sobre privatização é oportunista e inapropriado. “Estamos em meio a uma pandemia sem precedentes. Todos os esforços deveriam estar voltados para uma única prioridade: salvar vidas”.









