O Sindicato dos Bancários/ES repudia as declarações do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, na reunião ministerial ocorrida no último dia 22 de abril. O vídeo de quase duas horas foi liberado na última sexta-feira, 22, pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramita o inquérito que apura se o presidente Bolsonaro interferiu na Polícia Federal (PF).
Na reunião, Bolsonaro e seus ministros abusaram dos palavrões (41) e endereçaram impropérios para as instituições da República. Pedro Guimarães não fugiu à regra. Fez afirmações demonstrando indiferença com os empregados da Caixa e contrárias ao propósito social da instituição, além de revelar um lado vingativo e violento.
O presidente da instituição despreza a vida dos empregados ao tratá-los como números. Ele afirmou que 45 funcionários haviam sido contaminados pela covid-19 e dois deles morreram (até 22/04). Guimarães considerou os números baixos em relação ao quadro de funcionários da instituição.
A frieza ao expor os números revela que Guimarães não se importa com as vidas humanas que estão por trás das estatísticas. Cada empregado doente gera um grande estresse emocional para toda a família e colegas de trabalho. Não há como contrair a covid-19 e não considerar a possibilidade de morte. Mas Guimarães parece alheio aos sentimentos dos empregados. E o que dizer das duas famílias que perderam seus entes queridos para a covid-19? Um dos mortos enumerados por Guimarães, aliás, era da agência Caixa em São Mateus, Norte do Espírito Santo.
O presidente da Caixa voltou a reafirmar seu desdém pela vida dos empregados ao classificar o trabalho home office como “frescurada”. Ora, o isolamento social é uma medida recomendada pelo Organização Mundial de Saúde (OMS), que visa a proteger a vida, sobretudo dos empregados que fazem parte do chamado grupo de risco.
O Sindicato também repudia a tentativa do presidente da instituição de afastar a Caixa de seu propósito social. Com vocabulário chulo, que deu a tônica à reunião, Guimarães advertiu que não daria “molezinha” a empresas que já estariam com dificuldade antes da pandemia do novo coronavírus. Nas palavras do presidente da Caixa: “O cara que tá quebrado, já estava quebrado antes e quer a nossa molezinha”.
É no mínimo leviana e irresponsável a afirmação do presidente da Caixa. A maior crise de saúde dos últimos 100 anos exige maior sensibilidade dos gestores públicos, especialmente de quem está à frente de uma instituição que historicamente tem compromisso com as questões sociais.
Pedro Guimarães quis mostrar sintonia com o presidente Bolsonaro e com a política econômica comandada por Paulo Guedes ao tratar os empregados vítimas da covid-19 como meros números e as empresas em risco como CNPJs que não merecem créditos do banco público. Ele ainda quis deixar esse alinhamento mais explícito ao afirmar que “pegaria suas 15 armas e aí matar ou morrer”, se referindo ao episódio envolvendo a ex-mulher e a filha do deputado federal Luiz Lima (PSL), que foram abordadas pela polícia do Rio por quebrarem o decreto governamental e insistirem em nadar na praia. “Que porra é essa”, disparou. “Se a minha filha fosse pro camburão ou eu matava ou morria”.
O Sindicato dos Bancários/ES classifica como inaceitáveis as declarações de Pedro Guimarães. Os empregados e milhões de clientes e usuários não merecem que a Caixa seja conduzida na contramão dos interesses públicos do banco, que edificou sua história centenária no compromisso social da instituição. Pedro Guimarães, a Caixa não é sua, de Bolsonaro ou de Guedes. A Caixa é de todos os brasileiros que, temos certeza, não concordam com a atual gestão.

