O Banestes anunciou lucro de R$ 83 milhões no primeiro trimestre de 2020, o que representa um crescimento 30,2% no comparativo com o mesmo período do ano passado. O resultado positivo anunciado nessa terça-feira, 26, permitiu que o banco repassasse R$ 18,6 milhões para o seu principal acionista: o Estado do Espírito Santo. Com relação a outros indicadores, a margem financeira avançou 24,6% e o resultado operacional da Instituição elevou-se em 51,2%, o que demonstra a boa capacidade de retenção de lucratividade na atividade comercial e a eficiência gradativa na gestão de custos na operação bancária. O lucro líquido por ação chegou a R$ 0,26 no período, e a rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio (ROE) foi de 15,1%.
Acompanhando a tendência de outros bancos que já anunciaram seus resultados no primeiro trimestre, o Banestes também saiu ileso, ao menos até março, dos impactos da pandemia do novo coronavírus, que tem causado prejuízos para diversos setores da economia. O Banestes criou algumas linhas especiais de crédito para pessoas físicas e jurídicas com a finalidade de mitigar os efeitos da crise no Espírito Santo. Segundo a direção da instituição, o Banestes já alcançou o patamar de mais de R$ 1 bilhão em concessões de crédito desde o início do ano para auxílio dos setores produtivos.
O coordenador-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Jonas Freire, pondera que em situações de crise esse deve ser o papel social de um banco público. “Em meio a uma pandemia dessa magnitude, a responsabilidade social deveria ser uma preocupação de todos os bancos, privados ou públicos, porque são notoriamente empresas privilegiadas, que não sabem o que é amargar perdas. Os bancos costumam ganhar com crise ou sem crise”.
O dirigente relembrou a importância do Banestes como banco público e estadual no socorro às famílias e empresas que sofreram com os efeitos das chuvas que castigaram o Espírito Santo no último verão. “Novamente, o banco mostra sua importância em um momento de crise”. Ele ressalta, por exemplo, que uma parceria com o Bandes permitiu ao Banestes criar linhas de crédito especiais para pequenas e micros empresa e pessoas físicas. Segundo o dirigente sindical, com base nos dados divulgados pelo banco, da carteira de pessoa jurídica, 81,4% representam concessões a micro, pequenas e médias empresas e 18,6% a grandes empresas.
“É importante destacar esses números para a direção do banco valorizar e respeitar mais os empregados do Banestes. São eles que constroem os resultados positivos que permitem ao banco cumprir seu papel social num momento como esse. Os empregados estão na linha de frente expostos ao vírus e muitos deles ainda sofrem pressão por metas e resultados”, protesta.
Jonas acrescenta que os dirigentes do Banestes deveriam reconhecer todo o empenho dos empregados e analisar as reivindicações da categoria de forma mais justa e sensível. “Por isso seguimos pedindo a realização de novos concursos, já que o banco havia prorrogado por dois anos o concurso que expira agora em junho”. Ele também destaca que é preciso resolver o impasse com o Banescaixa.
Jonas recupera ainda a fala do governador Renato Casagrande no “Encontro de Gigantes, evento interno do banco ocorrido em março último. “No encontro, o governador disse que o Estado não precisa ter um banco público. A pandemia está mostrando exatamente o contrário. O banco público e estadual, além de estar exercendo um importante papel social ao mitigar os efeitos socioeconômicos da crise para a população capixaba, ainda transfere dividendos para o caixa do Estado. Talvez essa crise de saúde pública ajude o governador a rever seu posicionamento”, afirma o coordenador-geral do Sindicato.

