COE Bradesco exige testes e fim da cobrança de metas em pandemia

05/06/2020 17:23

Representantes dos trabalhadores cobraram a realização de testes laboratoriais em todo o país para identificar a covid-19

A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco se reuniu por videoconferência com a direção do banco na última quinta-feira, 4, e apresentou um conjunto de reivindicações para garantir a saúde e as condições de trabalho dos empregados durante a pandemia de coronavírus. Entre elas estão a realização de testes laboratoriais em todos os empregados para identificar a covid-19 e o fim da cobrança de metas.

A reunião foi convocada após articulação dos representantes do Sindibancários/ES, que pautaram a urgência de debater o tema com o banco, em paralelo com as negociações que estão sendo realizadas pelo Comando Nacional.

Em relação aos testes para os empregados, o Bradesco informou que já iniciou a testagem em São Paulo e no Rio de Janeiro, e que Brasília será a próxima região contemplada. O banco se comprometeu a comunicar a Comissão de Empregados sobre a aplicação em outros estados assim que estiverem previstas, e disse que está trabalhando para a extensão a todos os funcionários, não apenas os que estão trabalhando nas agências.

Os representantes da COE também cobraram o banco sobre cumprimento dos protocolos definidos no início da pandemia, apresentando denúncias de demora para fechamento das agências e dos procedimentos de sanitização quando há confirmação de casos de covid-19.

As reivindicações serão levadas ao comitê de crise do banco, que irá investigar os motivos da demora na aplicação das medidas. O banco informou ainda que os funcionários colocados em quarentena têm acompanhamento médico durante o período e que serão encaminhados para teste caso apresentem algum sintoma.

Metas

De forma intransigente, o Bradesco se recusou a negociar o fim das metas durante o período da pandemia e disse que o banco que continua funcionando normalmente com a venda dos seus produtos. A posição patronal foi questionada pelo diretor do Sindibancários/ES Fabrício Coelho, que integra a COE.

“Se o banco reconhece ter reduzido o atendimento e o número de funcionários, além de termos notadamente menos clientes indo às agências em função do isolamento social, não há como manter o mesmo patamar de cobrança de metas, que já era inaceitável mesmo em condições normais”, explica o diretor.

O banco não aceitou discutir a estratégia com o movimento sindical, mas se comprometeu a apurar as denúncias em relação aos excessos nas cobranças sobre os empregados, alegando que essa não é uma orientação da direção. Disseram que estão sensíveis ao tema e que podem reavaliar internamente.

Fechamento de agências

A COE também pediu esclarecimentos sobre o fechamento de agências anunciado pelo banco em outubro do ano passado, com previsão de encerramento de 450 unidades – um total de 10% da sua base total.

Em negociação com o movimento sindical, o banco havia assumido o compromisso de não demissão durante a pandemia, mas há o risco de que esse processo seja acelerado com o fechamento de unidades pós-crise de coronoravírus.

Segundo Bradesco, até o momento não houve um fechamento significativo de agências, mas apenas a mudança para unidade de negócios e algumas incorporações, que respeitaram o objetivo de preservar os empregos.

Fabrício salienta, contudo, que o alerta sobre as demissões continua, e que o Sindicato seguirá atuando pela manutenção do emprego. “Estamos atentos e lutaremos contra as demissões e fechamento de agências, caso ocorram, e também pela segurança da categoria, já que a conversão das unidades em agências de negócios vem acompanhada da retirada da porta giratória, medida que expõe bancários e clientes a risco e que infringe lei estadual de segurança bancária”, diz.

Com informações da Contraf