
Protesto é organizado por entidades sindicais e movimentos sociais e acontece desde o início da manhã em frente ao Palácio Anchieta
Representantes de sindicatos, centrais sindicais, partidos políticos e movimentos sociais fazem ato em protesto ao afrouxamento das medidas de isolamento social do Governo do Espírito Santo. O ato acontece a partir das 8 horas da manhã desta terça-feira, 09, em frente ao Palácio Anchieta. As entidades informam que vão respeitar as regras de distanciamento social para não expor os manifestantes ao novo coranavírus. A decisão de ir para as ruas mesmo com a pandemia em ascensão, segundo os organizadores, foi necessária para manifestar o repúdio às medidas do Governo do Estado que desafiam as 871 mortes e os 20.659 mil casos de covid (dados atualizados em 08/06/2020). Os manifestantes vão entregar ao Governo do Estado um manifesto com pedido de audiência e um conjunto de reivindicações para o fechamento do comércio e a adoção do chamado “trancamento”.

O Palácio Anchieta, no Centro de Vitória, amanheceu com cruzes, representando as vítimas da Covid-19 no Estado
As organizações apontam que o governador Renato Casagrande (PSB), inicialmente, mostrou-se alinhado às orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da comunidade científica nacional e internacional, que preconizam o isolamento social como a medida mais efetiva para evitar a propagação da doença e colapso do sistema de saúde. Pouco mais de um mês depois de adotar as medidas, o governador decidiu relaxar o isolamento. Para as entidades, o governador cedeu à pressão das elites empresariais que exigiam a reabertura do comércio, independentemente da curva do vírus estar crescente. O Governo escolheu salvar a economia em detrimento das vidas.
Nesta segunda-feira, 08, novas declarações à imprensa do secretário de Governo, Tyago Hoffman, porta-voz do governador no enfrentamento da crise de saúde, tornaram mais graves a posição do Estado em relaxar as medidas. O Governo do Estado está tentando responsabilizar a população capixaba pelo aumento dos casos e o colapso iminente do sistema de saúde, além de transferir a culpa também para os médicos, quando afirma que eles “terão que escolher quem vai viver e quem vai morrer”.
As entidades sociais também repudiam a falta de transparência na divulgação de dados sobre o saldo de leitos de UTI. A possível manobra para mascarar dados e esconder que o sistema está à beira do colapso é alvo de uma Ação Civil Pública do Ministério Público Federal (MPF), que acusa o Governo do ES de publicar dados “enganosos” ou “falsos” no Portal da Covid, que reúne dados sobre a pandemia.










