Para presidente do Santander, empregado em home office pode abrir mão de salário e benefícios

26/06/2020 21:17

Sérgio Rial considera que o empregado ganha uma série de vantagens trabalhando em casa. “Por que não dividir algumas coisas dessas com a empresa?”, questiona o presidente do banco

Na live “Crise e Oportunidades para o Brasil”, o presidente do Santander adiantou qual a visão do banco sobre o trabalho remoto. Para Sérgio Rial, o empregado em home office ganha uma série de vantagens, como economia de combustível e outras facilidades de trabalhar em casa. “Se tua vida fica mais fácil até sob o ponto de vista econômico, por que não dividir algumas coisas dessas com a empresa? Por que não pode ser um voluntário com a abdicação de algum benefício, de algum salário?”, questionou o presidente do banco.

(No vídeo da live, a fala de Sérgio Rial sobre home office pode ser conferida a partir dos 21:44)

Segundo Rial, o empregado que fizer a opção pelo home office deve encarar o novo modelo de trabalho como uma “abdicação voluntária” de benefícios e parte do salário. “O presidente do Santander está tentando colocar o banco como benevolente e o empregado como grande beneficiário do novo modelo. É o inverso. O empregado em home office reduz custos para o banco. Em casa, além da sua força de trabalho, o empregado passa assumir os custos dos meios de produção. Não satisfeito, o presidente do Santander ainda quer que o trabalhador abra mão de parte do seu salário e benefícios. Absurda. Não tem outra classificação para essa proposta”, critica o diretor do Sindicato dos Bancários/ES, Cláudio Merçon (Cacau).

Na mesma live, promovida pelo próprio banco, Sérgio Rial ainda disse que o trabalho remoto está mostrando que funciona e que pode ser implementado em diversas áreas da instituição. Ele afirmou também que o empregado que optar pelo home office deve cumprir um dia por semana de trabalho presencial para se manter conectado à instituição. “Nós não queremos terceirizar nossa cultura, queremos que a pessoa permaneça conectada”, disse Rial.

O trabalho remoto, assinala Cacau, estava nos planos dos bancos para acontecer nos próximos anos. A pandemia do novo coronavírus, segundo ele, acabou acelerando esse processo. “Essa é uma discussão complexa e que inclusive está entre os temas que debateremos na Conferência Estadual e que provavelmente aparecerá também na Campanha Nacional”.

O dirigente acrescenta que o trabalho remoto representa incontáveis desvantagens para o empregado, entre as quais, o isolamento social com a perda da sociabilidade do trabalho tão importante para a formação e/ou consolidação dos laços de fraternidade e solidariedade; eliminação das fronteiras entre local de trabalho e local de moradia com fortes impactos nas relações familiares; vício do trabalho. “O empregado cria as condições para o abuso do horário de trabalho abrindo margem para uma situação de excessiva disponibilidade para o trabalho”, completa Cacau.

Pesquisas tem apontado que o isolamento pode gerar desmotivação do empregado, pois a impressão de trabalhar o tempo todo sozinhos, em casa, pode dar a sensação de não mais fazer parte da equipe em que trabalha. Outro efeito do isolamento e a percepção do empregado de que estão “abandonados” pela empresa e o medo de não lembrado na hora de uma promoção.

Sem uma legislação especifica de amparo, o trabalho em home office pode expor os trabalhadores a condições de trabalho ainda mais precárias e sem direitos básicos relacionados à jornada de trabalho de trabalho, à saúde e segurança no trabalho. A falta de compensações para a carga extra de trabalho gerada pelo home office também acontece no vácuo de uma regulação especifica.
(Foto capa: Álvaro Henrique/EBC)