Ato “empilha corpos” em protesto à política genocida de Bolsonaro, Casagrande e empresários

10/07/2020 18:11

Representantes das entidades do Fórum Capixaba em Defesa da Vida das Trabalhadoras e dos Trabalhadores “empilharam corpos” em frente à Fecomércio, em Vitória, nesta sexta-feira, 10, em menção às vítimas de covid no Brasil e no ES

Quem passou pela Rua Misael Pedreira da Silva, no bairro de Santa Lúcia, em Vitória, na manhã desta sexta-feira, 10, talvez tenha parado um minuto para pensar que a covid já matou mais de 69 mil pessoas no Brasil – quase 2 mil delas só no Espírito Santo. O terceiro ato de rua do Fórum Capixaba em Defesa da Vida das Trabalhadoras e dos Trabalhadores queria chamar a atenção da população para a política genocida do presidente Bolsonaro, replicada no Estado pelo governador Renato Casagrande, que decidiu antecipar a reabertura do comércio mesmo com a curva da doença em franca ascensão.

https://www.facebook.com/246404428854984/videos/312054146639269/

No ato performático (veja galeria de fotos abaixo), que limitou o número de manifestantes devido ao coronavírus, à medida que os “empresários-coveiros” “empilhavam os corpos” em frente à sede da Fecomércio – entidade que desde o início da pandemia pressionou o Governo do Estado a abandonar o isolamento social e a retomar a atividade econômica – outros manifestantes das organizações sociais que integram o Fórum se revezavam ao microfone para narrar a contagem dos mortos. “Mais 30 mil mortos para o escárnio dos empresários que só pensam no lucro”, dizia um manifestante. Outro conclamou: “José Lino Sepulcri, presidente da Fecomércio, pense nos trabalhadores e trabalhadoras que estão morrendo por causa da ganância de vocês empresários”.

Um dos organizadores da performance, Wellington Pereira, da coordenação do Sindicato dos Trabalhadores da Ufes (Sintufes), explicou que cada corpo representava mil vítimas da covid. Ele disse que a ideia foi “empilhar” primeiro os corpos dos brancos. “A covid começou matando pessoas da elite, que tinham viajado para o exterior etc. Assim que a doença começou a se espalhar, as vítimas passaram a ser os mais pobres, sobretudo os negros. Por isso os bonecos, em maior número, representam os negros”, disse apontando para a “pilha de cadáveres”.

Wellington acrescentou que o local escolhido foi a Fecomércio pelo fato de a entidade representar o empresariado capixaba. “Para a elite empresarial, o lucro está valendo mais que as vidas”, lamentou.

O coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES, Jonas Freire, afirma que o ato responsabilizou os governantes e empresários que se recusaram a tomar as medidas necessárias para salvar vidas. “Desde o início da pandemia, as autoridades de saúde vêm repetindo que a maneira mais efetiva de controlar a propagação do vírus e evitar mais mortes é o isolamento social. Por isso o Fórum pede que o Governo do Estado garanta o auxílio de um salário mínimo para os trabalhadores e trabalhadoras que perderam trabalho e renda com a pandemia. A vida sempre vale mais que o lucro, mas, infelizmente, nossos governantes e empresários não pensam assim”, criticou o dirigente.

O presidente estadual do PSol, Toni Cabano, completou: “Decidimos fazer esse ato em frente à Fecomércio para revelar o endereço de um dos responsáveis pelas mortes: os grandes empresários. O governador Casagrande cedeu à pressão dos grandes empresários capixabas, que não se importam com a classe trabalhadora. O Fórum exige que o Governo do Estado decrete imediatamente o lockdown. Casagrande está esperando as UTIs entrarem em colapso para retomar o isolamento?”, questionou. Cabano destaca ainda que o transporte público expõe os mais pobres. “Especialistas apontam os pontos de ônibus e o transporte coletivo como locais de grande concentração do vírus. A própria Secretaria de Estado da Saúde confirma que os usuários do transporte público têm risco elevado de contaminação. Mesmo assim o Governo do Estado não adotou até agora medidas efetivas para proteger os trabalhadores e os segmentos mais pobres vulneráveis que não têm escolha e precisam se submeter ao transporte coletivo”.

O representante da Intersindical, Cláudio Merçon (Cacau) avaliou que o ato cumpriu sua função de dialogar com a população sobre a crise sanitária que já fez mais de 69 mil vítimas no Brasil. “A população não pode cair na narrativa dos governantes e empresários, que tentam normalizar a pandemia e consequentemente as mortes. Não dá para achar normal que mais de 1.400 pessoas morram em 24 horas. Estamos falando de um óbito por minuto. O ato foi duro, quis chocar, porque é isso que os governantes e empresários estão fazendo quando põem o lucro acima das vidas: empilhando corpos”, finalizou Cacau.

Jornada Nacional de Lutas

O protesto desta sexta-feira, o terceiro ato de rua organizado pelas 46 organizações sociais que compõem o Fórum Capixaba em Defesa da Vida das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, também abre no Espírito Santo a “Jornada Nacional de Lutas pelo #ForaBolsonaro, #ForaMourão”, que teve início hoje (10) em outros estados do país. O objetivo, segundo os organizadores, de dar um basta à política genocida desenvolvida pelo caráter antidemocrático e ultraliberal do governo de Bolsonaro-Mourão. A Jornada aponta que os direitos e a condição de vida da classe trabalhadora e das camadas mais pobres da população brasileira são retirados ou negados, e o governo segue servindo e atendendo aos interesses dos grandes empresários, dos banqueiros, do agronegócio, das mineradoras.

“Para avançar na luta pelo fim desse governo genocida várias entidades, centrais sindicais, partidos, movimentos sociais e organizações da sociedade civil chamam a população para a construção de uma ação unificada pelo “Fora Bolsonaro e Mourão”.  Assim, foi definido o dia 10 de julho como um ‘Dia Nacional de Lutas’. No dia 11 de julho foi definida a realização on-line de uma Plenária Nacional Popular pelo Fora Bolsonaro e Mourão. E no dia 12 de julho serão convocadas novas manifestações de rua em defesa das liberdades democráticas, contra o racismo e pelo Fora Bolsonaro e Mourão. As entidades e representações signatárias reivindicam essa importante ação unitária de diferentes organizações dos trabalhadores e trabalhadoras para lutar”, diz um trecho da nota unificada da Jornada Nacional de Lutas.

Galeria de fotos do ato Fórum Capixaba em Defesa das Vidas das Trabalhadoras e dos Trabalhadores
Fotos: Sérgio Cardoso