Bancários do Bradesco definiram na noite desta terça-feira, 14, a pauta de reivindicações específicas para a Campanha Nacional 2020. O Encontro Nacional dos Funcionários do Banco Bradesco, realizado por videoconferência, também debateu pontos gerais da campanha, que serão apresentados na Conferência Nacional dos Bancários, que será realizada nesta sexta-feira e sábado, 17 e 18 de julho.
Os debates giraram em torno da garantia da mesa única de negociação, garantia do emprego, defesa da Convenção Coletiva de trabalho (CCT), defesa das empresas públicas, teletrabalho e Fora Bolsonaro.
Para Fabrício Coelho, diretor do Sindibancários/ES, um dos principais desafios a serem enfrentados pelos bancários do Bradesco na Campanha de 2020 será o teletrabalho, que ainda não foi tema de negociação específica com o banco e que pode ser ampliado com a perspectiva de fechamento de agências anunciada pelo Bradesco. A preocupação é que o contexto de pandemia, que forçou uma aplicação muito mais rápida deste modelo de trabalho, contribua para que o banco queira implementar o home office de forma permanente.
“O banco anunciou o fechamento de 10% das agências no final de 2019, depois recuou, fazendo a transformação de parte das agências em unidade de negócios. Mas sabemos que a perspectiva de fechamento de agências não está descartada. Segundo dado apresentado pelo Dieese durante o encontro, o banco viu na pandemia a possibilidade de fechar cerca de 800 agências, praticamente dobrando a meta inicial. Temos que estar atentos a esses movimentos nesta Campanha e organizar nossa luta. As mudanças promovidas pela reforma trabalhista, somadas ao contexto de pandemia e as legislações específicas provenientes dela podem provocar mudanças bruscas no modelo de contratação e nas relações de trabalho”.
A diretora Sandra Gonçalves, que também participou do encontro, avaliou o evento como positivo. “Discutimos pontos importantes para a construção de base e o enfrentamento das dificuldades que estamos vivenciando em função da pandemia do novo coronavírus. Mesmo sendo um encontro virtual, conseguimos priorizar o debate de temas urgentes, como a garantia de emprego e da manutenção dos nossos direitos”, disse.
Desempenho do banco
Durante o encontro os participantes assistiram à palestra da economista do Dieese Vivian Machado, que analisou o balanço do banco do primeiro trimestre de 2020, na comparação com o ano passado.
“O banco, apesar da queda no resultado, segue forte e dá pistas de que manterá grande parte do seu quadro em home office, apostando no digital. Importante atentar para o significativo fechamento de agências de postos e de trabalho em 12 meses e para o compromisso de não demissão durante o período da pandemia a ser verificado quando sair o balanço do semestre ao final desse mês”, lembrou Vivian.
Transformações do mundo do trabalho
Os bancários também discutiram as transformações da organização sindical diante dos avanços tecnológicos no mundo do trabalho, em mesa de debate que teve a participação de Clemente Ganz Lúcio, ex-diretor técnico do Dieese. Clemente também destacou como o uso da tecnologia foi acelerado pela pandemia causada pelo novo coronavírus (covid-19).
“Nossas tarefas agora serão enfrentar a crise atual, fazer uma boa campanha salarial e pensar os sindicatos, como instrumentos capazes de serem efetivamente escudos de proteção à classe trabalhadora e ao mesmo tempo um grande protagonista na disputa da democracia”, alertou.
Com informações da Contraf








