O Banco do Brasil soltou nesta terça-feira, 21, comunicado interno que estimula a convocação dos empregados ao trabalho presencial, inclusive aqueles que coabitam com pessoas do grupo de risco. O Sindicato alerta que a decisão do banco foi unilateral e não passou por qualquer negociação com o movimento sindical. A Comissão de Empresa dos empregados já acionou o BB para solicitar esclarecimentos.
Segundo o documento, o “funcionário com autodeclaração de coabitação passa a se enquadrar nas formas de trabalho disponíveis, como os demais funcionários do Banco que não pertençam ao grupo de risco, a partir de 27/07”, próxima segunda-feira.
A decisão de enquadramento do empregado, pela interpretação do documento, caberá aos gestores. A diretora do Sindibancários/ES Goretti Barone alerta, no entanto, que não há indicação explícita para retorno ao trabalho nas agências e que o home office está entre as formas de trabalho disponíveis, o que precisa ser considerado nesta situação.
“O comunicado acaba deixando essa decisão para os gestores, o que pode gerar uma diferenciação de tratamento entre os empregados, incentivando situações de assédio moral e ampliando a exposição da categoria ao risco”, diz.
O Banco do Brasil faz referência aos movimentos de reabertura das atividades, conforme determinação das autoridades locais, e ao caráter de essencialidade da atividade bancária para pedir que os gestores avaliem a necessidade de incremento da força de trabalho nas agências, mas tais indicadores também são contestados pelo Sindicato.
“Muitos estados e municípios estão retomando as atividades por pressão dos setores comerciais, mas sem uma garantia das condições de saúde e de segurança necessárias. Mesmo nos municípios que tiveram a classificação de risco reduzida, não significa que podemos abrir normalmente. É preciso ter cautela para que não haja um novo pico da doença com um número maior de mortes”, pontua Goretti.
Para a diretora, as consequências de um retorno abrupto ao trabalho presencial seriam enormes para os empregados. “Além do risco para si, bancários que coabitam com pessoas de grupo de risco precisam ter um cuidado extra com os seus familiares, que já apresentam problema de saúde ou outro fator de risco. Isso está sendo desconsiderado pelo banco”.
A diretora lembra também que parte significativa dos empregados possuem filhos em idade escolar e tiveram que assumir integralmente o cuidado com os filhos enquanto o calendário de aulas está suspenso, o que pode ser outro impeditivo para o retorno às agências. “As pessoas não estão em casa por uma opção, mas por força da pandemia e por orientação das organizações governamentais e de saúde. Os bancários não podem ser punidos por isso e precisam ter seus direitos preservados. Foi uma decisão autoritária do Banco do Brasil e vamos questioná-la”, conclui Goretti.
O Sindicato orienta que bancários e bancárias façam contato com a entidade caso precisem de esclarecimentos e orientações sobre o tema. O telefone para contato é o (27) 3331 9999, e funciona das 9h às 16h.









