Encontro Nacional Bradesco: mais valorização, diretos e futuro

23/06/2026 14:28

Delegados e delegadas de todo o país aprovaram na última sexta (19) a pauta de reivindicações e o plano de lutas e ações da campanha salarial deste ano

Delegadas e delegados do Bradesco aprovam minuta durante Encontro Nacional

Na última sexta-feira (19), durante o Encontro Nacional dos Funcionários do Bradesco, em São Paulo, mais de 100 delegados e delegadas de todo o país aprovaram a pauta de reivindicações e o plano de lutas e ações que irão orientar a campanha salarial deste ano.

Sob o lema “Mais valorização, direitos e futuro”, os delegados destacaram como pautas prioritárias o fechamento de postos de trabalho e agências e a renovação do acordo de remuneração variável. Também foram definidos o calendário de lutas e ações dos funcionários e funcionárias do Bradesco para a campanha salarial de 2026.

O dirigente do Sindicato dos Bancários/ES Fabrício Coelho apontou as demissões e o fechamento de postos de atendimento como um dos problemas mais urgentes a serem enfrentados. O técnico do Dieese Gustavo Cavarzan, em sua exposição durante o Encontro Nacional dos Funcionários do Bradesco, apresentou dados sobre o fechamento de postos de trabalho e agências. Segundo o economista, o Bradesco fechou 2025 postos de trabalho, gerando um saldo negativo de 2.938 vagas:  8.224 empregados contratados contra 11.205 demitidos no período.

Fabrício chamou atenção para os dados de 2026. “Somente no primeiro trimestre deste ano os bancos privados demitiram cerca de 3 mil bancários, 80% desses desligamentos são de funcionários do Bradesco, depois vem o Santander”. O dirigente criticou também o fechamento de agências, que anda em conjunto com as demissões. “Esse processo de fechamento de agências não tem poupado nem os bancos públicos, mas, neste quesito, o Bradesco também vem exercendo o papel de ponta de lança da Febraban [Federação Nacional dos Bancos]”. Neste modelo de lucro a qualquer custo, continua Fabrício, as demissões em massa e o fechamento de agências vêm encolhendo os gastos dos bancos significativamente, como mostrou Cavarzan”.

O técnico do Dieese apontou que o Bradesco, de 2019 a 2025, reduziu as despesas de pessoal em 11%. Já as despesas administrativas relacionadas à rede de atendimento caíram 40% no mesmo período.

Eixos políticos da campanha

O dirigente do Sindibancários/ES destacou os eixos políticos da campanha deste ano. Fabrício falou sobre a importância de a população eleger parlamentares comprometidos com a defesa de direitos da classe trabalhadora. Ele também reiterou a necessidade de reeleger Lula e derrotar o fascismo.

Na avaliação de Fabrício, o Encontro Nacional deveria ser mais crítico tanto em relação ao Bradesco quanto à conjuntura nacional. O dirigente lembrou que o Sindicato dos Bancários/ES tem sido uma das entidades mais combativas na luta pelo fim das metas. “Na Conferência Nacional dos Bancários, defendemos o fim das metas. Não podemos aceitar a lógica de negócio dos bancos que transforma o bancário em vendedor. Adoecido pelas metas, muitas vezes esse bancário se ilude ao se sentir ‘sócio-empreendedor’ do lucro do banco, entusiasmado com a PLR e com outros programas de remuneração variável. Por isso defendemos o fim das metas e não o fim das metas abusivas, como se houvesse alguma meta que não seja abusiva. Isso sim fica vago”, criticou Fabrício se referindo à defesa que fez durante a plenária na Conferência Nacional, no último domingo (21).

Outra crítica destacada por Fabrício, que também foi defendida pelo Sindibancários/ES na conferência, foi a estatização do sistema financeiro. “É preciso estatizar o sistema financeiro para que ele atenda de fato a população. O Estado precisa ter controle público para que os bancos operem para o desenvolvimento socioeconômico do país e os bancários trabalhem em paz e possam atender dignamente à população e não ao capital privado, que só quer o lucro à custa de demissões e fechamento de pontos de atendimento”.

Greve

Fabrício falou ainda sobre os desafios da campanha deste ano e considerou fortemente a possibilidade da categoria fazer greve. Ele citou os dados da Consulta Nacional dos Bancários que mostram a maior disposição da categoria em recorrer ao direito de greve. Segundo o levantamento, 52% dos bancários do país estão dispostos a aderir a uma paralisação. Quando a consulta faz o recorte por banco, 42% dos funcionários do Bradesco se manifestam dispostos a aderir uma greve, percentual superior ao do Santander (40%) e Itaú (39%).

“Os bancários do Bradesco ajudaram a puxar essa média para cima porque o banco tem sido a ponta de lança dessa transformação do modelo de negócio imposto pelos bancos. Os trabalhadores do Bradesco têm consciência disso e estão ávidos a enfrentar de maneira mais dura essa transformação. Portanto, precisamos de um calendário e um plano de luta e de ação mais agudo”, enfatizou Fabrício.