O Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban abriram nesta terça-feira, 04, a primeira rodada de negociações da Campanha Nacional. Na pauta, um dos temas mais sensíveis da categoria: o teletrabalho ou home office. Após apresentar os pontos da Cláusula 56a, que trata do teletrabalho, o Comando trouxe dados da recente pesquisa feita com mais de 11 mil bancários e bancárias sobre o tema, que entrou para ordem do dia com a necessidade do isolamento social – medida considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a mais efetiva para evitar a propagação do novo coronavírus. A Fenaban chegou a elogiar a redação da cláusula e a pesquisa sobre teletrabalho coordenada pelo Dieese, mas ponderou que ainda não há consenso entre os bancos sobre a questão, que precisa ser discutida mais profundamente.
Segundo Carlos Pereira de Araújo (Carlão), membro do Comando Nacional, a reivindicação central da categoria na mesa de negociações foi a inclusão da cláusula que regulamenta o teletrabalho na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). “A pandemia acabou acelerando esse processo, que já se revelava um desejo dos bancos, mas é preciso definir regras para proteger os direitos dos empregados. Primeiramente, é preciso consultar o empregado. O home office não pode ser imposto pelo banco”, pontua.
A pesquisa mostrou que mais dos 70% dos bancários afirmam que os bancos devem fornecer equipamentos e garantir a estrutura adequada. Mais de 60% se queixaram de fadiga e cansaço no novo regime de trabalho. “Há uma série de garantias que precisam estar contempladas na CCT com relação a equipamentos, móveis ergométricos, registro de ponto entre outras necessidades demandadas pelo home office. Não podemos abrir mão de garantir exatamente os mesmos direitos ao empregado em home office e presencial. Além disso, os bancos devem reembolsar o empregado, que gasta com conexão de internet, luz, celular e outras despesas inerentes ao trabalho. Todos esses gastos têm de ser calculados e os bancos garantirem o pagamento de um auxílio aos teletrabalhadores”.
Carlão adverte que o teletrabalho, diferentemente do que propalam os bancos, não é uma vantagem para o trabalhador. “Muitos empregados não têm um local adequado em casa para trabalhar. Uma minoria [19%, segundo a pesquisa] tem um cômodo exclusivo para trabalhar. A maioria divide o ambiente de trabalho com outros familiares. Esse arranjo feito na base do improviso geralmente gera estresse para o trabalhador e seus familiares. Muitos correm o risco de adoecer com a nova modalidade de trabalho, seja pelo estresse ou pela falta de móveis e equipamentos adequados. Por isso insistimos com a Fenaban sobre a importância do home office ser regulamentado”, reafirma o dirigente.
Ele acrescenta que o controle de ponto foi outro problema do home office levado à mesa de negociações. “Apenas uma minoria está conseguindo fazer o controle do ponto à distância. A pesquisa também revelou que 36% dos bancários estão trabalhando mais horas em casa. Na prática, uma parte desses trabalhadores acaba fazendo horas extras que não estão sendo acumuladas em banco de horas ou tampouco remuneradas”.
O membro do Comando diz ainda que outro problema bastante grave se refere à mulher trabalhadora. Carlão destaca que 24% das mulheres, segundo a pesquisa, apontam que o trabalho doméstico se tornou muito mais difícil do que antes do home office, situação que se agrava quando a mulher tem filhos em idade escolar.
O dirigente ressalta que a Cláusula 56a se preocupou em estabelecer que em caso de violência doméstica, a vítima possa decidir se quer ou não o trabalho em casa. O teletrabalho será garantido à trabalhadora separada de seu agressor, judicialmente ou não, mediante sua solicitação expressa.
“Questões sensíveis como essa justificam a necessidade e urgência da regulamentação do teletrabalho. É muito importante que toda a categoria se engaje na luta. Vamos manter a mobilização através do site do Sindicato, nas redes sociais e acompanhando e participando das plenárias virtuais que serão chamadas a cada semana de negociação. Essa pressão pode ser decisiva para a conquista das nossas reivindicações. Vamos à luta”, conclama Carlão.








