Caixa suspende convocações de retorno ao trabalho presencial

06/08/2020 14:12

Banco anunciou também que irá analisar a adoção de novos protocolos de prevenção à contaminação pela covid-19

As condições do projeto de trabalho remoto e presencial dos bancários e bancárias da Caixa foram discutidas em reunião da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) com a Caixa, nesta quarta-feira, 05. Após pressão das entidades sindicais, a Caixa decidiu suspender temporariamente a convocação de retorno ao trabalho presencial e analisa a adoção de novos protocolos.

A medida, no entanto, veio tarde para alguns bancários. Nesta semana, mais um empregado da Caixa faleceu de covid-19. Sua esposa também foi contaminada e morreu um dia depois ao seu falecimento.  Trabalhadores que coabitam com pessoas do grupo de risco à contaminação pela covid-19 que estavam em home office foram obrigados a retornarem ao trabalho presencial após pressão da direção da Caixa, que aumentou metas e pressionou gestores a convocarem os bancários. Sem realizar nenhum estudo prévio para garantir a saúde e proteger efetivamente os empregados da contaminação, a Caixa convocou milhares de bancários para retorno às unidades de trabalho.

“A convocação de bancários ao trabalho presencial, principalmente daqueles que coabitam com pessoas do grupo de risco, mostra a irresponsabilidade e o desrespeito da Caixa com a vida dos empregados e seus familiares. Temos que enfrentar juntos essa situação e não podemos permitir que mais vidas sejam ceifadas. Os estudos que agora a direção da Caixa se compromete a fazer deveriam ter sido realizados antes da convocação. Tudo que estamos passando é fruto da falta de planejamento, do improviso e do desrespeito da atual gestão da Caixa”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Rita Lima.

Desde o início da pandemia, bancários e bancárias da Caixa enfrentam uma rotina de trabalho pesada e exaustiva. Além da sobrecarga de trabalho, com a concentração do pagamento do auxílio emergencial no banco, a direção da Caixa desrespeita a jornada de trabalho, abre as agências aos sábados e cobra o cumprimento de metas inatingíveis, como vem denunciando o movimento sindical.

“Não vamos nos calar diante desses abusos e desrespeito da atual direção da Caixa, que segue o modelo de morte do governo Bolsonaro. Precisamos seguir unidos e fortes, apesar da dor pela perda de inúmeros colegas. Vamos juntos continuar lutando por condições dignas de trabalho e pelo respeito à vida de todos os empregados e seus familiares”, frisa Rita Lima.