Bancários do BB pautam home office em primeira rodada específica

06/08/2020 16:21

Banco se comprometeu a analisar as reivindicações dos trabalhadores e tema voltará a ser negociado no decorrer da Campanha

A Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) se reuniu por videoconferência com os representantes do banco na tarde desta quarta-feira, 5, para tratar das reivindicações de trabalho em home office (teletrabalho). Essa foi a primeira rodada específica das negociações com o BB.

Os representantes dos bancários reivindicaram que o banco arque com os custos do trabalho em home office, garantindo toda a estrutura de trabalho necessária, como material de escritório, mobiliário adequado e dentro das normas de saúde, energia elétrica, internet banda larga e pacote de dados, além de um auxílio com valor fixo.

A comissão cobrou ainda a criação de um grupo de trabalho bipartite, com representantes dos funcionários e do banco, para análise do trabalho home office, visando a melhoria das suas condições.

A intervenção da CEE foi subsidiada pelos dados da pesquisa sobre o home office elaborada pelo Dieese, sob a coordenação da Contraf.

Para 32% dos bancários entrevistados, considerando empregados de bancos públicos e privados, não foi adotada por parte dos bancos nenhuma medida para fornecimento ou melhoria da estrutura de trabalho na residência do empregado. Em relação aos empregados do BB, apenas 30,7% dos entrevistados tiveram fornecidos equipamento de infraestrutura; 4,6% tiveram reembolso de despesas realizadas e 0,7% o pagamento de auxílio home office.

A pesquisa também apontou o aumento de despesas domésticas após o início do home office: 78,6% dos entrevistados indicaram aumento nas contas de luz, dos quais 31% disseram que aumentou muito e 47,6% que aumentou pouco. Os percentuais de gastos com supermercado não ficam distantes: 34,9% alegam que tal despesa aumento muito; e 37,1% que aumento pouco.

“Sabemos que uma das vantagens do home office para o banco é justamente a transferência de custos para o trabalhador. Além disso, há ainda a dificuldade de controle de jornada e a cobrança por metas que podem elevar o adoecimento da categoria. O home office foi implementado a toque de caixa pelas circunstâncias da pandemia, mas o debate sobre o tema precisa ser aprofundado, para que os bancários não sejam penalizados. O banco precisa assegurar os direitos e as condições de trabalho adequadas nessa modalidade”, destaca a bancária Goretti Barone, diretora do Sindicato dos Bancários/ES.

Como se tratou de uma rodada inicial de negociação, não houve resposta resolutiva por parte do Banco do Brasil, que se comprometeu a analisar as reivindicações dos trabalhadores a partir dos dados apresentados. O tema voltará a ser negociado durante a Campanha, inclusive na mesa única de negociação com a Fenaban.

A segunda rodada de negociação específica será nesta sexta-feira, 07, sobre o tema “emprego”. O horário ainda não foi confirmado.