Itaú, Bradesco e Santander, que anunciaram os resultados nesses dias, destacaram que registraram “queda” do lucro no 2º trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. Com lucro de R$ 3,2 bilhões no 2º trimestre, o Banco do Brasil foi na mesma linha e também apontou redução (23,7%) nos resultados em relação a 2019. Os quatro bancos pegaram carona na crise sanitária para tentar convencer a opinião pública de que são as mais novas vítimas da pandemia.

“A crise, convenhamos, continua passando ao largo dos bancos”, diz a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Goretti Barone. Ela lembra que o BB, a exemplo dos outros bancos, está usando a pandemia para justificar o reforço superestimado da Provisão de Devedores Duvidosos (PDD). No caso do Banco do Brasil, só no 2º trimestre a reserva foi de R$ 5,907 bilhões, comparado ao mesmo período de 2019 o valor representa um aumento de 42,4%. “O BB recorre à crise sanitária para prever um aumento no calote que até agora não se confirmou. A inadimplência segue estável”, assinala.

A dirigente se refere ao índice de inadimplência INAD+90d (relação entre as operações vencidas há mais de 90 dias e o saldo da carteira de crédito classificada) que caiu para 2,84% em junho, ante 3,17% em março.

Na prática, Goretti afirma que o aumento da provisão transmite à sociedade, com a ajuda da grande imprensa, a falsa ideia de que os bancos estão sendo arrebatados pela crise. “Não é verdade. O BB e os demais bancos seguem lucrando. Quem realmente sentirá o peso do aumento da PDD é o bolso do empregado. Porque ao reduzir o lucro, a PLR também cai”, lembra Goretti.

A retrospectiva dos resultados confirma que a dirigente tem razão. No primeiro semestre deste ano, o BB lucrou de R$ 6.414 bilhões, marca superior ao mesmo período de 2018 (R$ 5.884 bilhões) e 2017 (R$ 5.101 bilhões). No comparativo com 2019, quando o banco apurou lucro de R$ 8,212 bilhões, houve de fato queda (veja quadro comparativo abaixo). “É preciso ponderar que 2019 foi um ano em que os bancos bateram todos os recordes de lucro. Juntos lucraram R$ 118 bilhões. Qualquer comparativo que se faça com 2019 será sempre menor, por se tratar de um ano singular em termos de resultados. Pesa bastante também o aumento das provisões. Os quatro grandes bancos adotaram essa estratégia que acaba mascarando os resultados”.

Até abril deste ano, o Banco do Brasil fechou 3.810 postos de trabalho (até março eram 92.757 empregados), 348 agências e 27 postos de atendimento bancário. “Além dessa redução de postos ter impacto nas taxas de desemprego do país, tornando a crise ainda mais aguda, também precariza o atendimento a clientes e usuários dos serviços bancários.

Goretti acrescenta que os resultados extraordinários do banco, mesmo em meio à mais grave crise sanitária dos últimos 100 anos, não sensibilizaram os dirigentes do BB. “O banco continua pressionando os empregados de forma desumana por resultados. Pior, o BB determinou aos empregados que coabitam com familiares com comorbidades, que deixem o home office e voltem ao trabalho presencial. Fica evidente que para o governo Bolsonaro e a atual direção do BB o lucro vale mais que as vidas”, finaliza Goretti.