BB quer retirar direitos e facilitar descomissionamento

15/08/2020 09:11

Banco levantou na mesa de negociação a possibilidade de reduzir de três para apenas um os ciclos avaliatórios da GDP. Representantes dos empregados convocam mobilização

A Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) se reuniu na manhã desta sexta-feira, 14, com o BB para negociar as cláusulas sobre saúde e condições de trabalho dos empregados. As metas abusivas e a Gestão de Desempenho Profissional (GDP) foram os principais temas discutidos. Na contramão da valorização dos empregados, o banco propôs reduzir o prazo de observância de avaliação da GDP para retirada de comissão de função. A CEBB rechaçou a medida na mesa e convoca os trabalhadores a se organizarem em uma ampla manifestação nas redes sociais, nesta segunda-feira, 17.

A proposta do BB é alterar a cláusula 49 do atual acordo coletivo dos empregados, que prevê a realização de três ciclos avaliatórios consecutivos de GDP com desempenhos insatisfatórios, como requisito para dispensa de função ou de comissão. O que o  BB levantou como  proposta é a redução do prazo de observância de três para apenas um ciclo de avaliação para retirada da comissão de função. O banco alegou tratar-se de uma medida de gestão que visa dar isonomia de tratamento com os gerentes gerais, que podem perder a comissão após um ciclo de avaliação de desempenho.

“O banco está sendo intransigente. Os empregados estão extremamente fragilizados, sofrendo com uma sobrecarga no trabalho, inseguros por conta da crise sanitária e das péssimas condições de trabalho. O banco já vem obrigando bancários que coabitam com pessoas do grupo de risco a retornarem ao trabalho presencial, o que é absurdo. Agora, nas negociações, querem retirar ainda mais direitos. Alegam que essa alteração é para garantir isonomia, mas o que querem é jogar todos no pior nível que há, com total desrespeito à trajetória profissional dos empregados. Não podemos aceitar mais esse endurecimento da GDP, que está se tornando cada vez mais um processo autoritário”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Goretti Barone.

Mobilização já!

“Enfrentamos um período de isolamento social, mas isso não vai impedir nossa mobilização. Estamos atentos e não aceitaremos a retirada de direitos e a imposição de um modelo de gestão ainda mais opressor”, enfatiza Goretti.

A primeira atividade contra a possibilidade de o Banco do Brasil retirar direitos será realizada nesta segunda-feira, 17, às 14horas. Os funcionários são convidados a trabalharem (em casa ou in loco) vestidos de preto e postarem fotos com a hashtag #Sem3GDPSemAcordo nas redes sociais, principalmente Twitter, Instagran e Facebook.

Metas X assédio moral

Ao ser questionado sobre o uso da cobrança de metas como forma de assédio aos funcionários, o banco afirmou que “repudia qualquer tipo de assédio e que a prática não é tolerada na instituição”. Os representantes do BB disseram ainda que a orientação aos funcionários é a utilização dos mecanismos disponíveis para denúncias e que todas elas serão analisadas para que a situação seja sanada. Informaram também que todo gestor precisa ter passado pela trilha de capacitação, que inclui a formação sobre a intolerância ao assédio e a todas as formas de discriminação, que induz boas práticas de comportamento, que agrega não apenas para o trabalho, mas para a vida. O banco lembrou também que, além da ouvidoria, existe um protocolo de prevenção de conflitos firmado com o sindicato.

No entanto, os representantes dos empregados destacaram que há dois movimentos que afetam tanto quem está em home office quanto quem está trabalhando na linha de frente das agências e departamentos do banco. Quem é do grupo de risco e está em home office sofre ameaças de ter que retornar ao trabalho presencial e ter que compensar as horas não trabalhadas. Já os bancários que estão na linha de frente, em especial os gerentes de PSO, são cobrados por metas individuais mesmo não tendo condições de cumpri-las.

“Mesmo em meio à pandemia e o aumento da Provisão de Devedores Duvidosos (PDD), o BB obteve lucro de R$ 3,2 bilhões no segundo trimestre deste ano. No entanto, o banco continua pressionando seus empregados e empregadas a alcançarem metas cada vez mais inatingíveis. O resultado dessa gestão opressora é adoecimento dos bancários e bancárias”, alerta Goretti.

Outras cláusulas

A representação dos funcionários também destacou a importância do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), regulamentado pela Norma Regulamentadora nº 7, assim como a forma de sua construção.  A CEBB destacou que o PCMSO deve ser feito de uma forma sinérgica entre o banco, os funcionários e a Cassi.

Os trabalhadores também cobraram a produção conjunta da cartilha de orientações aos funcionários sobre os passos que devem ser dados nos casos de afastamentos para tratamento de saúde. Também foi reivindicado o debate na mesa de negociação sobre as questões dos egressos de bancos incorporados como, por exemplo, o acesso ao Programa de Assistência Social, que é restrito aos associados da Cassi ou da Previ. Uma mesa específica para tratar do tema será instalada logo após o fim da Campanha Nacional.

Próximas reuniões

As próximas reuniões com o BB serão realizadas na segunda-feira (17). Das 14h às 16h, o debate girará em torno das reivindicações sobre igualdade de oportunidades e demais cláusulas sociais, como parte das negociações da Campanha Nacional. Em seguida, a partir das 16h, será realizada uma mesa de negociações específica para tratar de questões relacionadas às medidas de prevenção à covid-19.

Com informações da Contraf