O Comando Nacional dos Bancários rechaçou a proposta apresentada pela Fenaban na reunião de negociação desta sexta-feira, 21. O Comando Nacional dos Bancários foi irredutível em discutir qualquer proposta que represente perdas de direitos econômicos e sociais para a categoria. Nesta que foi a oitava rodada de negociação da Campanha Nacional com os bancos, a Fenaban propôs reajuste zero, o que representa uma perda real de 2,65% para a categoria.
Além do reajuste zero, a proposta da Fenaban também ataca outros direitos conquistados há décadas pela categoria. Nas rodadas anteriores, os bancos propuseram alterar os percentuais e valores fixos da PLR. As mudanças representam uma redução de até 48% nos ganhos dos bancários sobre a PLR. Retirar a 13ª cesta alimentação da categoria e mexer nos direitos dos empregados vítimas de acidentes de trabalho também são pontos da proposta da Fenaban que prejudicam os bancários.
Ante a posição do Comando em não aceitar negociar perdas de direitos criou-se um impasse na mesa e os representantes da Fenaban pediram uma pausa na negociação. Após cerca de 30 minutos, os negociadores da Fenaban voltaram à mesa para comunicar que retomariam as conversas com os bancos e apresentariam uma posição ao Comando em reunião extraordinária que acontece às 11h deste sábado, 22.
Na avaliação do dirigente Carlos Pereira de Araújo (Carlão), membro do Comando Nacional, a decisão de não aceitar discutir perdas de direitos foi acertada. “A proposta dos bancos de ameaçar retirar direitos é uma afronta à categoria. Estamos sempre dispostos e prontos para dialogar, mas retirar direitos é inegociável. Nossa posição foi franca: ou os bancos aceitam reavaliar todas as propostas que implicam em perdas de diretos ou não tem acordo”.
No momento em que houve o impasse, relata Carlão, o Comando avisou à Fenaban que a greve passava a ser considerada se os bancos insistirem em retirar direitos da categoria. O dirigente relembra que além do reajuste zero, mudanças na PLR e a retirada da 13ª cesta alimentação, na rodada sobre saúde e condições de trabalho os bancos propuseram alterar as cláusulas 29ª e 56ª da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). As mudanças retiram direitos dos bancários. Os bancos ainda propuseram a adoção de rankings positivos, o que é proibido na CCT desde 2011.
“Não podemos aceitar abrir mão de diretos em hipótese alguma, tampouco com um dos segmentos empresariais que mais acumulam lucro e aprofundam o fosso social que há no Brasil entre pobres e ricos. Enquanto 13,5 milhões de brasileiros estão vivendo abaixo da extrema pobreza, isso antes da pandemia, os bancos registraram lucro recorde de mais de R$ 118 bilhões no ano passado e continuam contabilizando lucros astronômicos em plena crise sanitária”, aponta Carlão.
Assembleia
O Sindicato dos Bancários/ES realiza assembleia na próxima terça-feira, 25, às 19h, para avaliar a proposta da Fenaban. Nesta data, acontecem simultaneamente assembleias nas bases bancárias de todo o país.
“Reafirmamos mais uma vez a importância dos bancários e das bancárias se manterem mobilizados e unidos. Afinal, são nossos direitos que estão em jogo. Nossas chances de sairmos vitoriosos da mesa de negociação aumentam à medida que a categoria se mobiliza e se engaja para valer na luta. É muito importante neste momento a militância virtual nas redes sociais do Sindicato, acompanhando as informações, curtindo e replicando conteúdos em defesa dos nossos direitos. Vamos à luta”.
Importante, a plenária promovida pelo Sindicato que vem ocorrendo às segundas está cancelada excepcionalmente nesta segunda-feira, 24, uma vez que haverá a assembleia na terça, 25.









