Em nova rodada de negociação, bancos insistem em retirar direitos dos bancários

23/08/2020 09:02

Na reunião desse sábado, 22, os bancos reafirmaram posição em rebaixar a PLR e reduzir a gratificação de função. Haverá nova rodada de negociação nesta terça, 25

Na avaliação do dirigente Carlos Pereira de Araújo (Carlão), membro do Comando Nacional dos Bancários, a reunião deste sábado, 22, com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) foi mais uma vez frustrante do ponto de vista dos avanços na pauta de reivindicações da categoria. Segundo Carlão, enquanto os bancos insistirem em retirar direitos as negociações não têm como avançar.

“O Comando já avisou à Fenaban nas rodadas anteriores que não aceitaremos negociar qualquer proposta que represente perdas para os bancários. A pauta de reivindicações da categoria foi construída com a participação de milhares de bancários de todo o país. O papel do Comando é representá-los na mesa para defender seus direitos. É desrespeitoso que os bancos apresentem propostas com o intuito de retirar direitos”, protesta Carlão.

PLR rebaixada

Nas negociações deste sábado, os bancos apresentaram uma nova proposta de PLR que continua resultando em perdas para a categoria. Os negociadores da Fenaban também mantiveram a proposta que reduz a gratificação de função de 55% para 50%. Novamente o Comando rejeitou a proposta e repetiu que não negociará alterações que representam perdas para a categoria.

“Não podemos aceitar uma proposta para rebaixar a PLR dos bancários que ironicamente parte do setor que mais lucra neste país. Com ou sem crise os bancos sempre ganham. Os números estão aí para provar. Em 2019, os bancos registraram lucro recorde de R$ 118 bilhões, mas regateiam em pagar a PLR nas bases atuais”, critica Carlão.

De acordo com a nova proposta apresentada pelos bancos para a PLR, o percentual do salário retornaria ao patamar que vigorou entre 1997 e 2007, e o da parcela adicional retornaria ao patamar de 2012. Além disso, os valores fixos teriam redução de 10%, retornando ao patamar entre 2016 e 2017, e o fator acelerador da regra básica retornaria ao patamar de 2007.

Com todas as alterações de rebaixamento propostas pela Fenaban, somadas ao menor patamar de lucro dos bancos em 2020 – em função do aumento das provisões para devedores duvidosos -, a redução na PLR recebida pelos bancários pode chegar até a 48% (ver tabela abaixo).

Home office

A Fenaban reconsiderou sua posição e concordou em manter a 13ª cesta de alimentação, direito que os bancos haviam retirado nas rodadas anteriores. Concordou também em reavaliar a proposta dos bancários de regulamentação do teletrabalho ou home office. Os bancos devem apresentar uma proposta que será analisada pelo Comando Nacional nos próximos dias. “Vamos aguardar a proposta dos bancos para o teletrabalho, fazer uma criteriosa avaliação e confrontar com as reivindicações apresentadas na nossa minuta”, diz Carlão.

Reajuste zero

A reunião deste sábado foi solicitada pela própria Fenaban após o Comando recusar a proposta apresentada na rodada dessa sexta-feira, 21. Um dos pontos de impasse foi a proposta dos bancos de reajuste zero, que foi imediatamente rechaçada pelos membros do Comando Nacional. De acordo com cálculos do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Socioeconômicas (Dieese), o reajuste zero representa uma perda de 2,65% nos salários dos bancários.

Na rodada deste sábado, a Fenaban informou que ainda não tem uma proposta de reajuste salarial, mas que voltou a conversar com os bancos e deve apresentar uma nova proposta ao Comando na próxima semana.

Mobilização

O Comando Nacional, reunido após a reunião com a Fenaban neste sábado, decidiu orientar os sindicatos de todo o país a realizarem assembleias organizativas para preparar a categoria para a semana decisiva da Campanha Nacional.

O Sindicato dos Bancários/ES já confirmou a assembleia virtual para a próxima terça-feira, 25, às 19h. Carlão enfatiza que a categoria precisa manter a mobilização nesta reta final. “Estamos entrando no momento mais decisivo da negociação com os bancos. Precisamos de toda a categoria unida e engajada na luta. A participação na assembleia desta terça é fundamental. São nossos direitos que estão em jogo. Não deixem de participar!”.