As assembleias que ocorreram nesta terça-feira, 25, nas bases de todo o país mandaram um recado para os bancos: a categoria bancária está mobilizada e engajada para defender seus direitos. Vai ter luta. No Espírito Santo, a assembleia virtual organizada pelo Sindicato dos Bancários registrou nos momentos de pico mais de 450 participantes. Além da boa participação, os bancários destacaram a qualidade do debate.
Inicialmente, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), membro do Comando Nacional dos Bancários, fez um resumo do andamento das negociações com a Fenaban. O dirigente afirmou que a tônica das negociações por parte dos bancos na campanha deste ano tem sido a retirada de direitos. Após 10 rodadas de negociações, ele destacou cinco eixos que têm provocado impasse na mesa: manutenção dos empregos, redução da PLR, reajuste zero, regulamentação do home office e saúde e condições de trabalho. “Nesses cinco pontos, os bancos insistem em retirar direitos. O Comando, até agora, rejeitou todas as propostas que impõem perdas de direitos para a categoria”, assinalou.
Carlão informou que na rodada desta terça os bancos mantiveram a proposta de reajuste zero por dois anos e propuseram um abono de R$ 1.656,22. “Abono é cilada, sinônimo de perda real de salário. Já assistimos esse filme no governo de Fernando Henrique Cardoso. O governo Bolsonaro, por meio da Caixa e do Banco do Brasil, vem pautando a Fenaban na mesa de negociação. Bolsonaro quer impor um arroxo salarial à categoria”, advertiu Carlão, que completou: “Enquanto as propostas forem nesses termos, recusaremos todas”. Nesta quarta-feira, 26, há uma nova rodada de negociação com a Fenaban.
O dirigente ainda acrescentou que nesta quinta-feira, 27, às 19h, acontece a assembleia geral extraordinária, também em todas as bases, para avaliar e deliberar sobre a nova proposta da Fenaban. “Hoje a adesão foi boa, mas precisamos garantir que mais bancários participem da assembleia desta quinta-feira, que atende aos pré-requisitos legais (confira edital no final desta matéria), inclusive para deliberar sobre greve, se for o caso. Vamos continuar negociando e analisando as propostas dos bancos, mas meu sentimento na assembleia de hoje é de que a categoria está com a faca nos dentes e decidida a não sair derrotada desse processo negocial. Vamos à luta”, convocou Carlão.
Durante a assembleia, que durou quase três horas, diretores do Sindicato fizeram avaliações do andamento das negociações no âmbito da Campanha Nacional e nas mesas específicas com os bancos públicos.
Bancos públicos
Os diretores do Sindicato apontaram que as tratativas com a Caixa, Banco do Brasil e Banestes seguem praticamente o mesmo roteiro: os bancos não têm atendido às reivindicações da categoria e apresentado propostas que resultam em retirada de direitos.
Banco do Brasil
“A mesa com o BB está duríssima: a ordem é retirar direitos”, disse Goretti Barone. Ela citou como exemplo a redução da PLR, que é de 4% sobre o lucro linear e o BB quer reduzir pela metade. Ela lembrou que o aumento da Provisão de Devedores Duvidosos (PDD) vai derrubar o lucro líquido este ano e reduzir ainda mais a PLR.
Caixa
As negociações na Caixa seguem a mesma escrita. “Após a sexta rodada de negociação, a Caixa continua ignorando solenemente as reivindicações da nossa pauta específica e ameaçando retirar direitos”, disse Lizandre Borges. A dirigente destacou a proposta apresentada pelo banco para o Saúde Caixa. “A Caixa quer destruir um modelo sustentável, que garante o pacto intergeracional, o mutualismo e a solidariedade a todos os empregados para impor um modelo individualizado que significará a exclusão da maioria dos participantes”, advertiu Lizandre.
Banestes
No banco público e estadual do Espírito Santo, segundo o coordenador geral do Sindicato, Jonas Freire, as negociações estão travadas. Ele diz que as principais reivindicações dos banestianos não foram atendidas. Jonas afirmou que o Banestes formalizou uma proposta na última sexta (21). Nesta quarta-feira, 26, a comissão de negociação do Sindicato volta a se reunir com os representantes do banco. “Vamos rejeitar a proposta. Não podemos sentar à mesa para discutir perdas de direitos”. Jonas destacou como negativas as propostas do Banestes sobre marcação de ponto, processo seletivo interno e a redução da Remuneração Estratégica Variável (REV). “Cada uma dessas propostas tem uma cilada que representa a retirada de direitos”, alertou.
Bandes
Idelmar Casagrande disse que as negociações com o Bandes ainda estão bem incipientes porque começaram bem depois em relação aos outros bancos. “As propostas do Bandes, sobretudo as econômicas, estão amarradas à Fenaban. Eles alegam que estão aguardando uma posição da Fenaban com relação à pauta econômica para apresentarem uma proposta. As discussões ainda estão muito preliminares”, resumiu o dirigente.
“Temos importantes reivindicações que esperamos que sejam atendidas nas negociações, como a regulamentação do home office e o combate ao assédio moral dentro do banco”, disse o delagado sindical Robson Pereira. Ele acrescentou que os representates do Bandes alegaram que o banco atravessa um momento difícl, em alusão aos maus resultados de 2019. “De outro lado, é importante destacar que o banco tem desempenhado seu papel social em meio à pandemia, abrindo linhas de crédito a pequenos e médios empresários”, assinalou Robson.
Mobilização
A diretora do Sindicato, Rita Lima, que conduziu a assembleia desta terça, ratificou a avaliação de outros bancários, e também considerou bastante positivo o número de participantes, mas lançou um desafio: “Se cada um de vocês convidar mais dois colegas para a assembleia desta quinta-feira, multiplicamos o número de participantes de hoje por três. Muitos já disseram aqui, mas é sempre importante repetir que o banqueiros nunca nos deram nada de mãos beijadas. Todos os direitos que conseguimos até hoje foram conquistados como muita luta. Não é por acaso que somos exemplos para muitas outras categorias de trabalhadores deste país. Construímos uma história de resistência e luta. O momento é de mobilização, engajamento e participação”, finalizou Rita Lima, que além de chamar todos e todas para a assembleia desta quinta, os convidou também para a Live de Comemoração do Dia do Bancário e da Bancária que acontecerá no dia 29 de agosto, sábado, a partir das 16h no canal do Sindibancários/ES.
EDITAL ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA
O Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários no Estado do Espírito Santo, inscrito no CNPJ/MF nº 28.164.168/0001-51, registro sindical nº 1-308, por seu coordenador geral abaixo-assinado, no uso de suas atribuições, convoca todos os empregados em estabelecimentos bancários dos bancos públicos e privados, sócios e não sócios, da base territorial deste Sindicato, para a assembleia geral extraordinária que se realizará de forma remota/virtual a partir das 19:00 horas do dia 27/08/2020 (quinta-feira), na forma disposta no site Sindicato novo.bancarios-es.org.br/ onde estarão disponíveis todas as informações necessárias para a deliberação acerca da seguinte pauta:
- Avaliação da proposta apresentada pela FENABAN e deliberações em caso de recusa da mesma;
- Deliberação sobre a transformação desta Assembleia Geral Extraordinária em Assembleia Geral Extraordinária Permanente com consultas assembleares remotas/virtuais em dias e horários convocados pela Coordenação Nacional do Comando Nacional dos Bancários por meio dos canais de divulgação digitais oficiais do Sindicato, das Federações e da CONTRAF.
Vitória/ES, 25 de agosto de 2020.
Jonas Freire Santana
Coordenador Geral









