Banco pede suspensão de oferta pública inicial da Caixa Seguridade

28/09/2020 23:40

Instabilidade no mercado local, aumento de casos de covid-19 na Europa e eleições norte-americanas, apontam as informações de bastidores, levaram a Caixa a pedir o adiamento à CVM

A Caixa Econômica formalizou à Comissão de Valores Imobiliários (CVM) pedido de interrupção da oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da Caixa Seguridade. A Caixa não deu explicações sobre a decisão, mas informações de bastidores apontam que a instabilidade no mercado local, o aumento de casos de covid-19 na Europa e as eleições norte-americanas levaram a Caixa a pedir o adiamento.

Inicialmente, a Caixa programava fazer a IPO no fim de março, mas a pandemia do novo coronavírus impediu o processo. A Caixa, inicialmente, estimava que a venda de 1/3 do ativo rendesse cerca de R$ 12 bilhões, mas esse valor já havia sido revisto. Outras companhias suspenderam seus IPOs. As que insistiram receberam ofertas abaixo do preço mínimo.

Para a diretora do Sindicato dos Bancários/ES. Lizandre Borges, a Caixa Seguridade acabou escapando duas vezes este ano da guilhotina do Governo Bolsonaro por causa da conjuntura imposta pela crise sanitária. “Se o momento não fosse tão adverso, Bolsonaro e Guedes já teriam liquidado a Caixa Seguridade e já estariam preparando a venda de outros ativos, como as áreas de cartões, gestão de recursos, loterias e, mais à frente, banco digital”, adverte.

A dirigente enfatiza por que é tão importante barrar a MP 995 no Congresso, que abre caminho para a venda de subsidiárias da Caixa. Segundo ela, a MP 995 foi concebida com o intuito de fatiar a empresa estatal por meio da criação de subsidiárias controladas pelo banco ou a venda de participações. “Esse processo de desmonte representaria a asfixia da Caixa e a impediria de continuar cumprindo o compromisso para o qual foi criada”, alerta Lizandre.

Ações

A Contraf ingressou no início de setembro com uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) contra a MP 995. A central sindical alega que Medida Provisória descaracteriza a Caixa e suas subsidiárias, em afronta à Constituição Federal.

Em agosto, seis partidos (PSOL, PT, PCdoB, PDT, Rede e PSB) também entraram com uma ADI no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo liminarmente a suspensão da MP.

No último dia 23, a Fenae reuniu parlamentares e ex-presidentes da Caixa em uma live em defesa da Caixa. O debate integrou as ações de mobilização contra a MP 995 e pela manutenção da Caixa como banco 100% público.

“Todas essas mobilizações são muito importantes para impedirmos que o Governo Bolsonaro desmonte a Caixa. Toda essa frente que está mobilizada em defesa do banco tem de manter a atenção redobrada contra os ataques. Por isso é vital que os bancários e as bancárias participem e apoiem todas essas ações em defesa da Caixa. Não podemos relaxar um único minuto. O momento é de luta”.