No Dia Nacional de Luta em Defesa do Serviço Público e Contra a Reforma Administrativa, representantes de centrais e entidades sindicais, coletivos e associações foram às ruas nessa quarta-feira, 30, em diversas capitais do país. Em Vitória, o ato aconteceu na Praça Costa Pereira. Trabalhadores e trabalhadoras destacaram que a reforma representa o sucateamento do serviço público e a precarização dos direitos do servidor nas três esferas: municipal, estadual e federal. Ao final das falas, um clamor comum: “Fora Bolsonaro, Guedes e Mourão”. Durante todo o ato, foram respeitadas as medidas recomendadas pela organização: uso obrigatório de máscara, álcool gel e distanciamento social. Não houve incidentes nem aglomeração.

Diretores e diretoras do Sindicato dos Bancários/ES, uma das entidades que integram o Fórum Capixaba em defesa da Vida das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, marcaram presença no ato. Em uma fala indignada ante a mais um ataque do governo Bolsonaro aos direitos da classe trabalhadora, o coordenador-geral do Sindicato, Jonas Freire, criticou o jogo rasteiro de Bolsonaro e Guedes que tentam culpar o funcionalismo pelos gastos do governo para justificar a reforma. O dirigente afirmou que a reforma administrativa, assim como a trabalhista e previdenciária, recorre à falácia de que as mudanças na Constituição são necessárias para o país retomar a atividade econômica e gerar emprego. Ele enfatizou que a metade dos servidores ganha menos de R$ 3 mil. Os salários acima de R$ 20 mil vão para os 3% que estão no topo da pirâmide do funcionalismo: parlamentares, as elites do Executivo, Judiciário e das Forças Armadas. “Uma casta que está blindada da reforma”, criticou.

“Já vimos esse filme antes. A reforma administrativa de Temer prometia gerar 6 milhões de empregos. Mas o resultado foi oposto: reduziram os postos de trabalho formais. Pior, a reforma retirou direitos dos trabalhadores e jogou milhões para a informalidade”. Jonas advertiu ainda que a reforma administrativa abre caminho para a privatização e terceirização dos serviços públicos. “É mais uma reforma para beneficiar as elites empresariais e massacrar o trabalhador. É importante notar que a reforma não será nociva apenas para o funcionalismo, o projeto ultraliberal da dupla Bolsonaro-Guedes vai trazer impactos na ponta do serviço público, ou seja, justamente os segmentos mais vulneráveis da sociedade serão os mais prejudicados com a precarização de serviços essenciais como saúde e educação”.

Carlos Pereira de Araújo (Carlão), membro do Comanda Nacional dos Bancários, ressaltou a importância de o funcionalismo (ativo e inativo) e dos três níveis (municipal, estadual e federal) se manter mobilizado para fazer a defesa do serviço público. “Essa é uma luta-chave não só para o servidor público, mas para a toda a classe trabalhadora e para a população de maneira geral que depende dos serviços públicos”. O dirigente afirmou que a mão do governo Bolsonaro se fez sentir nas negociações com os bancos na campanha salarial deste ano. “As negociações com os bancos públicos foram muito duras. Ali, na mesa, ficou patente o plano do governo de retirar direitos dos bancários da Caixa e do Banco do Brasil com intuito de pavimentar o caminho para privatizar os dois bancos públicos. Acabar com as empresas e com os servidores públicos faz parte do plano deste governo”, alertou.

Carlão disse ainda que o ato dessa quarta-feira, que aconteceu em diversas cidades do país, é o primeiro de outros que estão por vir. “Temos que nos entrincheirar na luta contra a reforma administrativa para que a insatisfação da classe trabalhadora reverbere no Congresso. Não à reforma administrativa! Fora Bolsonaro, Fora Guedes e Fora Mourão”, desabafou.

Fotos Capa e galeria: Edson Chagas