Bolsonaro “atende” sem máscara e põe em risco empregados da agência-barco da Caixa

10/10/2020 11:15

O presidente usou a Caixa e o auxílio emergencial para se promover politicamente na sua visita à Ilha de Marajó. No ato político, Bolsonaro quebrou o protocolo sanitário da Caixa e não usou a máscara

O presidente Bolsonaro usou a Caixa Econômica Federal e o pagamento do auxílio emergencial para se promover politicamente. O ato político aconteceu na manhã desta sexta-feira, 09, no município de Breves, na Ilha de Marajó, Pará. Ao lado do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, Bolsonaro fez o “atendimento” do primeiro auxílio emergencial na agência-barco da Caixa. Nenhum dos dois usava máscara no momento do “atendimento”, como prevê o protocolo do banco.

Para a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Lizandre Borges, o presidente articula a venda dos ativos da Caixa, mas se aproveita politicamente do banco para se promover. Ela lembrou que a MP 995, que permite a venda das subsidiárias da Caixa sem o aval do Congresso, saiu da caneta de Bolsonaro. “A Medida Provisória abre caminho para a privatização da Caixa. Mas ele não perde a oportunidade de tirar dividendos políticos da Caixa, enquanto ela ainda pode cumprir o seu papel de banco público. Fatiada e sem seus mais valiosos ativos, não poderá mais ser essa Caixa que conhecemos”, advertiu Lizandre.

Além do reprovável ato político, a dirigente se disse indignada com a falta de respeito e empatia de Bolsonaro e Guimarães com as vidas dos empregados do banco. “É muito irresponsabilidade do presidente entrar sem máscara numa agência-barco. Ele está expondo a saúde de empregados que ficam 15 dias embarcados. Se um funcionário for contaminado pela covid, as chances de retransmitir para outros numa agência-barco são enormes. Sem contar que essa agência itinerante visita diversas comunidades ribeirinhas em localidades remotas que podem ser mais vulneráveis ao vírus. É uma total irresponsabilidade a autoridade máxima do país quebrar os protocolos sanitários da instituição para fazer proselitismo político com o auxílio emergencial”, protestou.

Auxílio emergencial

A diretora do Sindbancários lembrou ainda que hoje Bolsonaro surfa na popularidade do auxílio emergencial, mas incialmente ele era contra a proposta. “É sempre importante repetir que Bolsonaro foi contra o pagamento do auxílio proposto pelo Congresso, que inicialmente era de R$ 500 – ele defendia parcela de R$ 200. Só propôs R$ 600 quando soube que sua proposta de “coranavoucher” de R$ 200 seria derrotada no Congresso. Depois, ao perceber que o auxílio rendia popularidade, quis se apropriar da autoria do benefício. Hoje tenta convencer a população de que é o pai do auxílio emergencial, que já foi reduzido para R$ 300 e se encerra em dezembro”, afirmou Lizandre.

Em recente discurso na ONU Bolsonaro também mentiu sobre o valor pago. “Nosso governo, de forma arrojada, implementou várias medidas econômicas que evitaram o mal maior. Concedeu auxílio emergencial em parcelas que somam aproximadamente 1.000 dólares para 65 milhões de pessoas, o maior programa de assistência aos mais pobres no Brasil e talvez um dos maiores do mundo”, disse à comunidade internacional.

Com base no câmbio de R$ 5,54 (do dia 22/09, data do discurso), ao afirmar que concedeu auxílio emergencial de 1.000 dólares a 65 milhões de brasileiros, Bolsonaro estava afirmando que pagou R$ 5.540 mil a cada um dos beneficiários. Mas o valor para quem receber todas as parcelas do auxílio – 5 de R$ 600, mais 4 de R$ 300, não passa de R$ 4,2 mil, ou cerca de 760 dólares, ou seja, então está faltando mais 240 dólares ou R$ 1.329. Fica ainda a pergunta: Quantos brasileiros receberão ao final do programa emergencial todas as parcelas do auxílio?