Nesta terça-feira, 20, o Sindicato dos Bancários/ES voltou a se reunir virtualmente com a Superintendência Regional (SR). Desta vez a reunião foi proposta pela Caixa, que vem intensificando encontros com os sindicatos e as associações de empregados. Na pauta, foram tratadas pendências da reunião anterior (18/09) que discutiu condições de trabalho e o não cumprimento dos protocolos sanitários da covid-19 determinados pela própria Caixa. Além de retomar os pontos pendentes, o Sindicato também trouxe novas demandas relacionadas ao ranqueamento de metas, compensação de horas e treinamento do Interaxa – sistema usado pelos empregados em home office.

Confira a seguir os principais pontos discutidos na reunião com a SR.

Protocolo covid – Na só na última, mas em outras reuniões o sindicato vem questionando a Caixa sobre o não cumprimento dos protocolos sanitários estabelecidos pelo próprio banco. “Cobramos mais uma vez que a Caixa aja com celeridade e adote o protocolo previsto assim que é confirmado um novo caso de covid, como o afastamento do empregado infectado e a imediata sanitização da agência”, relata a diretora do Sindicato, Rita Lima.

A também dirigente sindical Lizandre Borges complementou que a Caixa tem de estender esse mesmo protocolo aos terceirizados. “Não faz sentido adotar o protocolo para os empregados da Caixa e excluir os terceirizados. Afinal, todos trabalham no mesmo ambiente e o risco potencial de contágio é igual para todos. Adotar o protocolo apenas para um grupo de trabalhadores é segregar outro é uma medida inócua”.

Lizandre explicou que anteriormente os terceirizados estavam incluídos no protocolo, mas a Caixa simplesmente os excluiu depois. Ela acrescenta ainda que a Caixa assinou um termo de intenção com o Ministério Público do Trabalho se comprometendo a incluir novamente os terceirizados no protocolo da covid. “Voltamos a cobrar por que até agora o termo ficou só na intenção”. Segundo Lizandre, o superintendente Regional Denis Mendes de Melo Matias ficou de encaminhar a demanda à direção da Caixa em Brasília.

Contratação de mais empregados – Ponto da minuta específica da campanha deste ano, a contratação de mais empregados é uma reivindicação recorrente. O Sindicato voltou a cobrar na reunião com a SR uma posição sobre as contratações. Rita Lima destacou que a Caixa está planejando um Plano de Demissão Voluntária (PDV) e também deve desligar em breve os empregados que se aposentaram após a reforma da Previdência. “Hoje já há uma sobrecarga grande de trabalho com os quadros atuais. Com esse PDV e desligamentos de aposentados os quadros de pessoal ficarão ainda mais defasados. Sabemos que essa sobrecarga provoca o adoecimento físico e mental do empregado, além de comprometer a qualidade de atendimento da Caixa. A contratação dos empregados concursados é uma demanda urgente”, enfatiza Rita Lima.

Trabalho aos sábados – O Sindicato voltou a insistir que a abertura das agências aos sábados não é mais necessária. “Já são mais de seis meses abrindo aos sábados, desde que começou o pagamento do auxílio emergencial. Os empregados estão esgotados. Além da sobrecarga da jornada semanal, há o estresse de ficar mais um dia (sábado) exposto ao vírus. Não há mais demanda para justificar a abertura. Fica evidente que a Caixa mantém as agências abertas aos sábados para atender a uma estratégia marqueteira do presidente da Caixa Pedro Guimarães, que vem explorando politicamente o pagamento do auxílio emergencial”, protesta Rita Lima.

O superintendente também ficou de encaminhar a demanda sobre a abertura aos sábados para Brasília.

Rodízio para todos – Desde que a Caixa adotou o modelo home office ficou definido que os bancários trabalhariam em escala de revezamento, uma semana um grupo trabalha em casa e o outro presencial na agência. O problema é que muitos empregados que desempenham funções como tesoureiro, caixa e atendimento social têm ficado de fora do rodízio. “O rodízio não está sendo para todos e todas em muitas agências. Esses empregados acabam ficando sobrecarregados e ficam continuamente expostos ao vírus. Reivindicamos ao superintendente que essa distorção seja corrigida para que todos os empregados exerçam o direito ao rodízio”, afirma Lizandre.

Triagem sem padrão – Foi definido pela própria Caixa que o atendimento presencial deveria ser prioritariamente para os beneficiários dos programas sociais como auxílio emergencial, bolsa família, FGTS e seguro desemprego. Segundo Rita Lima, algumas agências estão flexibilizando a triagem e atendendo casos que não fazem parte da lista de prioridades e que poderiam ser direcionados a outras áreas digitais do banco. “As exceções vão sendo abertas e rapidamente não há mais um padrão. A triagem tem de seguir rigorosamente os critérios definidos pelo próprio banco, que definiu o atendimento aos segmentos que precisam receber os benefícios sociais”.

Rita Lima acrescenta que a flexibilização da triagem tem causado outro problema. “Isso provoca um desequilíbrio na distribuição do trabalho. Os empregados que estão no presencial acabam ficando sobrecarregados porque os casos que poderiam estar sendo direcionados para o atendimento remoto estão sendo incorretamente atendidos presencialmente”.

Compensação de horas – Com a pandemia, muitos empregados estão fazendo horas extras e as compensando no limite. De acordo com Lizandre, muitas gerências vêm avisado na véspera que o empregado deverá compensar a folga. O Acordo Coletivo de Trabalho determina que as horas a compensar deverão ser previamente negociadas entre o gestor imediato e o empregado, com no mínimo, cinco dias úteis de antecedência, como prevê o ACT.

“Na prática, em muitos casos, o ACT vem sendo desrespeitado”, afirma Lizandre. Ela diz que esse expediente de pôr o empregado para compensar as horas extras no “afogadilho”, além de prejudicar o trabalhador que não pode se programar para gozar a folga, complica todo atendimento da agência, sobrecarregando todos os empregados. A dirigente sugeriu à SR que os gerentes façam um planejamento e controle das horas a serem compensadas para evitar transtornos para o empregado e para a dinâmica da agência.

Metas e ranqueamento – O Sindicato reivindicou ao superintendente Denis Matias o fim da cobrança abusiva de metas e que cesse imediatamente a divulgação do resultado do time de vendas, ferramenta do Conquiste. “Além de impor metas abusivas, identificamos que a SEV vem divulgando o ranqueamento das agências que estão ou não atingindo as metas, comparando o desempenho de uma e outra. Essa prática de ranqueamento contraria o Acordo Coletivo de Trabalho”, denuncia Rita Lima.

“Se essa não é uma exigência que partiu da Caixa, por que as agências estão fazendo a cobrança e expondo o ranqueamento?”, questionou Rita Lima ao superintendente. Matias confirmou que de fato esta não foi uma demanda da Caixa e que iria conversar com os gerentes responsáveis. Ele acrescentou que já tinha conhecimento dessa questão.

Formação Interaxa – O Sindicato também apontou problemas com a capacitação do sistema Interaxa, que tem sido utilizado pelos empregados em home office. Segundo relatou Rita Lima, o vídeo que funciona como uma espécie de tutorial para uso do programa tem deixado muitas dúvidas e criado insegurança aos empregados que o utilizam.

O superintendente explicou que a Caixa já está modelando uma capacitação para o Interaxa e que em breve comunicará o Sindicato sobre o cronograma de treinamento. A proposta, segundo Matias, é capacitar monitores que irão replicar o conteúdo para os demais empregados.

Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional (PCMSO) – Na reunião, o Sindicato cobrou a Caixa sobre o PCMSO. A dirigente sindical Renata Garcia relatou que o Sindicato tem recebido denúncias de bancários com comorbidade que se disseram constrangidos ao realizarem o exame periódico anual. Segundo ela, esses empregados que estão em teletrabalho por fazerem parte do grupo de risco foram atestados no PCMSO como “aptos ao trabalho”.

“Questionamos a Caixa se o PCMSO não estaria sendo usado como instrumento para pressionar os empregados com comorbidade a retornarem ao trabalho presencial. Enfatizamos que essa situação vinha causando constrangimento a esses empregados. Houve um caso no sul do Estado cujo empregado mesmo com comorbidade acabou retornando após o PCMSO”, afirma Renata.

A Gerente Administrativa e de Pessoas, Cristiane de Souza Ribeiro,, afirmou que não há nenhuma política da Caixa nesse sentido em relação ao PCMSO. Ela explicou ainda que os exames anuais estavam paralisados deste março devido à pandemia e foram retomados agora porque há uma exigência legal para que sejam realizados ainda este ano.

A dirigente Rita Lima avaliou como positiva a abertura de um canal permanente de diálogo com a SR. “É importante manter esse canal porque algumas demandas de âmbito regional podem ser solucionadas mais rapidamente. É sempre válido lembrar que esse diálogo sistemático faz parte da negociação permanente entre o Sindicato e o banco”, enfatiza Rita Lima.